No coração do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, o município de Pariquera-Açu se consolidou como um verdadeiro polo de produção e comercialização de plantas ornamentais. Com uma impressionante participação de 67% nas vendas estaduais, conforme dados da Secretaria Estadual de Agricultura, a cidade não apenas se destaca no cenário agrícola, mas também impulsiona significativamente a economia local e garante a permanência de inúmeras famílias no campo.
Essa vocação para o cultivo de espécies que embelezam lares, empresas e jardins por todo o país é um reflexo de uma tradição que se enraizou na região, transformando a paisagem e o futuro de seus habitantes. A história de Pariquera-Açu, marcada pela chegada de imigrantes europeus, moldou uma comunidade onde mais da metade dos produtores rurais dedicam-se a essa atividade, criando um ecossistema econômico vibrante e sustentável.
A Tradição do Cultivo de Plantas Ornamentais e o Legado dos Imigrantes
A força de Pariquera-Açu no setor de plantas ornamentais tem suas raízes na história e na cultura local. A chegada de imigrantes europeus ao Vale do Ribeira trouxe consigo não apenas novas famílias, mas também técnicas e paixão pela agricultura. Essa herança se manifesta hoje na dedicação de mais da metade dos produtores rurais do município ao cultivo de plantas, transformando a atividade em um pilar da identidade e da economia da cidade.
O alto volume de vendas gerado por essa produção não é apenas um indicador econômico; ele representa a manutenção de um modo de vida, a garantia de renda para as famílias e a fixação de gerações no campo. Em um cenário onde muitas áreas rurais enfrentam o êxodo, Pariquera-Açu se destaca como um exemplo de como a valorização de uma cultura agrícola específica pode gerar prosperidade e coesão social.
O Pioneirismo de Alberto Víccaro e a Expansão do Negócio Familiar
A trajetória de sucesso de Pariquera-Açu pode ser exemplificada por histórias como a de Alberto Víccaro, um produtor rural de 60 anos. Em 1999, influenciado por seu pai, Alberto decidiu apostar no plantio de plantas ornamentais. Sua primeira experiência foi modesta, com apenas 500 pés, em um tempo onde o acesso à informação e às ferramentas de divulgação era limitado.
“Hoje a gente sabe que antes de iniciar um plantio a gente tem que procurar saber se tem comercialização, mas naquela época não tinha WhatsApp, não tinha informação, não tinha o Facebook, não tinha as mídias para divulgar. Foi tudo meio no escuro”, relembra o produtor. Apesar da incerteza inicial, a aposta de Alberto deu certo. Atualmente, seu sítio abriga cerca de 60 mil pés e cultiva oito variedades de plantas, com destaque para a areca-bambu, que saem do campo para decorar ambientes em todo o Brasil.
O processo de comercialização é rigoroso: cada planta é avaliada no próprio campo, e a retirada do torrão – a planta extraída com a raiz e parte da terra – pesa em média 30 quilos, passando por um controle de tamanho e qualidade. “A gente identifica a planta que precisamos. Se é o pedido de um metro e meio, dois metros, dois metros e meio. Temos plantas até com quatro metros hoje no nosso plantio”, explica Alberto, demonstrando a expertise e o cuidado envolvidos em cada etapa.
A Nova Geração: Daniela Viccaro e a Inovação no Campo
O crescimento e a consolidação do negócio de Alberto Víccaro abriram portas para a participação da nova geração. Sua filha caçula, Daniela Viccaro, que chegou a trabalhar fora como jovem aprendiz, decidiu retornar ao sítio da família. Com o aumento da produção e a crescente demanda por mão de obra qualificada, o campo se tornou um ambiente propício para o seu desenvolvimento profissional.
“Meu pai precisava de ajuda e eu já tinha gosto por isso. Então, por que não voltar para o sítio?”, questiona Daniela. Além de auxiliar o pai na gestão e no cultivo, a jovem iniciou seu próprio empreendimento, dedicando-se a um viveiro especializado em mudas de guaimbê, uma espécie muito procurada para projetos de paisagismo. “Tenho conseguido, graças à ajuda do pai, a formar plantas bonitinhas”, conta, evidenciando a sinergia entre experiência e inovação.
A história de Daniela reflete uma tendência importante no setor agrícola: a sucessão familiar e a injeção de novas ideias e tecnologias no campo. A combinação do conhecimento tradicional com a visão empreendedora da nova geração promete fortalecer ainda mais a posição de Pariquera-Açu como um centro de excelência na produção de plantas ornamentais, garantindo um futuro próspero para a região.
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