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Maioria dos brasileiros teme comprar medicamentos falsificados pela internet, aponta pesquisa

Sete em cada dez brasileiros temem comprar medicamentos falsificados online, revela pesquisa. Anvisa regulamenta uso de plataformas por farmácias.
Maioria dos brasileiros teme comprar medicamentos falsificados pela internet, aponta pesquisa

A confiança dos consumidores brasileiros na aquisição de produtos pela internet enfrenta um desafio significativo quando o assunto são medicamentos. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Instituto QualiBest de Pesquisa de Mercado a pedido da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), revelou que sete em cada dez brasileiros (69%) manifestam receio de comprar remédios falsificados ou de procedência duvidosa em plataformas digitais.

Este cenário de apreensão ganha ainda mais relevância diante das recentes movimentações regulatórias. Em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em grandes plataformas de e-commerce, como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. Contudo, a agência ressalta que essa decisão não representa uma autorização automática para a venda irrestrita, mas sim uma adaptação à Lei nº 15.357/2026, que permite a farmácias e drogarias licenciadas contratarem canais digitais para fins de logística e entrega, desde que cumpram a regulamentação sanitária.

A Preocupação Crescente com a Segurança dos Medicamentos Online

Os dados da pesquisa, que ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em domicílio e com hábito de compras online, evidenciam a profundidade da desconfiança. Um alarmante percentual de 85% dos entrevistados atribui às próprias plataformas de venda online a responsabilidade pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de origem desconhecida.

Além da falsificação, outras preocupações são proeminentes: 59% dos consumidores temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada, enquanto 54% citam o risco de adquirir produtos sem o devido registro na Anvisa. Essa percepção de risco molda as expectativas dos consumidores, com 82% acreditando que a comercialização digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Adicionalmente, 71% avaliam que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns em ambientes digitais.

Anvisa e a Nova Realidade da Venda Digital

A revogação das proibições pela Anvisa marca um ponto de inflexão no debate sobre a venda de medicamentos online no Brasil. A Lei nº 15.357/2026 é clara ao permitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas utilizem plataformas de comércio eletrônico para a logística e entrega. No entanto, o CEO da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto, enfatiza que a implementação efetiva dessa medida ainda depende de uma regulamentação específica da Anvisa.

A agência, por sua vez, informou que está em processo de aperfeiçoamento regulatório para adequar as regras sanitárias à nova lei. A Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo administrativo para normatizar a contratação de canais digitais. Embora reconheça o potencial de ampliar o acesso e a conveniência, o diretor Daniel Pereira, relator da matéria, alertou que a inovação legislativa não afasta a existência de riscos sanitários relevantes.

O Papel Crucial das Farmácias e a Assistência Farmacêutica

Para a Abrafarma, qualquer novo modelo de comércio de medicamentos deve preservar integralmente as regras sanitárias e as salvaguardas para a proteção da saúde pública. A entidade defende que a responsabilidade pela venda e pela assistência farmacêutica deve permanecer com farmácias e drogarias licenciadas, garantindo orientação profissional, controle de prescrições, rastreabilidade, armazenamento e transporte adequados.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) corrobora essa visão, destacando que a entrada das plataformas não significa uma venda aleatória de medicamentos pela internet. O que será autorizado, após a regulamentação da Anvisa, é o uso dessas plataformas pelas farmácias para otimizar suas operações logísticas. O CFF promete acompanhar de perto o processo de regulamentação para assegurar que a qualidade e a segurança sejam mantidas.

Orientações para o Consumidor na Era Digital

Diante desse cenário em evolução, a vigilância do consumidor é fundamental. Silvio Romero, diretor jurídico do Procon do estado do Rio de Janeiro (Procon-RJ), explica que tanto as farmácias quanto as plataformas de venda online serão solidariamente responsáveis por quaisquer prejuízos relacionados à qualidade e garantia dos medicamentos adquiridos. Ele alerta para a importância de desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do valor de mercado, que podem ser um indício de produtos irregulares.

Romero também aconselha os consumidores a guardarem todos os documentos da compra, como comprovante de aquisição, nota fiscal e o anúncio. Essa documentação será crucial caso surja algum problema, como a venda de produtos vencidos ou não autorizados, permitindo que os órgãos competentes investiguem e apliquem as devidas punições. A pesquisa da QualiBest e Abrafarma ainda aponta que, para 78% dos entrevistados, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na compra de medicamentos, enquanto 56% teriam dificuldade em saber a quem recorrer em caso de problemas com produtos adquiridos em plataformas.

Apesar das precauções, o consumidor brasileiro está habituado ao e-commerce: 95% já fizeram compras online e nove em cada dez avaliam a segurança do site. Contudo, 69% já tiveram experiências negativas, como produtos diferentes do anunciado ou atrasos na entrega. Este panorama reforça a necessidade de clareza regulatória e de um sistema robusto que proteja a saúde pública na era digital.

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