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Hospital de Ribeirão Preto apura morte de bebê com corte na cabeça após cesárea

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto investiga a morte de uma recém-nascida que sofreu um corte na cabeça durante cesárea de urgência.
Hospital de Ribeirão Preto apura morte de bebê com corte na cabeça após cesárea
Mãe que perdeu a filha após bebê ser atingido por bisturi durante cesárea, em Ribeirão Preto (SP) Luciano Tolentino/EPTV

A morte trágica de uma recém-nascida que sofreu um corte na cabeça durante uma cesárea de urgência no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, mobilizou não apenas a Polícia Civil, mas também uma rigorosa apuração interna da própria instituição. O caso, que chocou a família e a comunidade, levanta questões sobre a segurança em procedimentos médicos e a comunicação entre equipes hospitalares e pacientes.

A pequena Serena, que nasceu prematura com apenas 27 semanas de gestação, teve a morte confirmada na quinta-feira, 20 de agosto, dois dias após o parto. Sua mãe, uma jovem de 20 anos de Serrana (SP), estava sob acompanhamento do hospital de referência devido a complicações cardíacas da criança, que exigiram a intervenção cirúrgica de emergência.

A Tragédia do Parto Prematuro e o Corte Fatal

O parto de urgência de Serena ocorreu em 18 de agosto no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, uma instituição reconhecida por sua capacidade em procedimentos de alta complexidade. A mãe, que vinha sendo acompanhada há três semanas, teve que ser submetida à cesárea após a constatação de bradicardia fetal, uma desaceleração dos batimentos cardíacos da bebê, indicando sofrimento.

A recém-nascida, que pesava apenas 433 gramas, apresentava restrição de crescimento devido a problemas na placenta. Segundo o relato da família à Polícia Civil, a cabeça de Serena foi atingida pela lâmina de um bisturi durante a cesárea. O prontuário médico e a ficha de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) registraram um trauma cranioencefálico, com um ferimento de 7 centímetros na cabeça, que resultou em perda de sangue e vazamento do líquor, o fluido que protege o cérebro.

Apesar de ter sido submetida a transfusões de sangue e a uma craniotomia para drenagem de hematoma, a bebê não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã de quinta-feira. O sepultamento, realizado na sexta-feira, 21 de agosto, foi marcado por profunda tristeza e incredulidade da família diante da fatalidade.

O Drama da Família e as Alegações de Omissão

A mãe de Serena, que preferiu não ser identificada, expressou sua dor e a sensação de que a filha poderia estar viva se não fosse o corte. “Espero que isso não se repita com outras crianças, porque foi muito sofrido, eu acho que se não fosse esse machucado, a minha filha estaria viva agora, estaria comigo”, desabafou.

A família também levantou sérias queixas sobre a conduta da equipe médica, alegando omissão de informações e recusa na entrega de documentos. A mãe relatou que uma médica prometeu cópias de relatórios e imagens da lesão, mas depois voltou atrás, justificando que as normas hospitalares impediam a impressão direta e orientando a família a peticionar no setor administrativo de prontuários. Além disso, a mãe afirmou não ter visto docentes responsáveis durante a cirurgia, apenas médicos residentes, e que um dos médicos teria minimizado a gravidade da situação, dizendo que “já havia acontecido isso outras vezes e que era normal, mas que ela ia ficar bem”.

As Investigações em Curso e a Busca por Respostas

Diante da gravidade do caso, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto emitiu uma nota lamentando o ocorrido e se solidarizando com a família. A instituição confirmou o conhecimento do caso e informou que instaurou uma apuração interna para esclarecer todas as circunstâncias do atendimento prestado. No entanto, o hospital não comentou as declarações da mãe sobre a suposta ocultação de informações.

Paralelamente, a Polícia Civil de Ribeirão Preto registrou o caso na Central de Polícia Judiciária, encaminhando-o ao 3º Distrito Policial. Inicialmente, a ocorrência é tratada como “morte suspeita” e “morte acidental”. O corpo de Serena passou por análise no Instituto Médico Legal (IML), e o laudo necroscópico será fundamental para a elucidação dos fatos.

A Complexidade Legal e a Apuração de Responsabilidades

O delegado seccional de Ribeirão Preto, Sebastião Vicente Picinato, destacou a importância da perícia do IML. Segundo ele, o resultado do exame ajudará a definir não apenas a causa da morte, mas também quando e onde a lesão ocorreu, se foi dentro ou fora do ambiente hospitalar. “A gente pode ter uma tipificação penal diferenciada, pode variar de um crime doloso contra a vida por dolo ou por culpa. Se foi no ambiente hospitalar, eu tenho certeza absoluta que nenhum profissional agiu para ceifar a vida de alguém, mas pode ter sido imperito, pode ter sido negligente. Então a gente quer saber o que produziu as lesões que levaram à morte do recém-nascido”, explicou o delegado.

As investigações preveem a oitiva dos pais, familiares e de todos os funcionários que tiveram contato com a criança, desde a recepção até o transporte. A apuração busca entender a sequência dos eventos e determinar se houve falhas nos procedimentos ou na conduta profissional que possam ter contribuído para o desfecho fatal. A busca por justiça e por respostas claras é o que move a família e as autoridades neste momento.

Para mais informações sobre direitos do paciente e ética médica, você pode consultar o Conselho Federal de Medicina.

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