A crescente digitalização da vida cotidiana no Brasil trouxe consigo um aumento preocupante nas tentativas de golpes online, afetando milhões de cidadãos. Uma pesquisa recente, apresentada em São Paulo, revela que quase um terço dos usuários de internet no país já foi alvo de criminosos digitais, com uma parcela significativa se tornando vítima efetiva dessas fraudes. Os dados acendem um alerta sobre a segurança digital e a necessidade urgente de maior conscientização e desenvolvimento de habilidades para navegar no ambiente online.
O estudo, que detalha a extensão e os impactos desses crimes, foi divulgado durante o 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, realizado no Centro de Convenções Rebouças, na capital paulista. A pesquisa, que ouviu 2,5 mil internautas em dezembro de 2025, oferece um panorama inédito sobre a percepção dos brasileiros em relação à privacidade e aos riscos digitais.
A Escalada dos Golpes Digitais no Cotidiano Brasileiro
Os números são expressivos e preocupantes: cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, o que corresponde a 32% do total, relataram ter sofrido tentativas de golpe envolvendo o uso de seus dados pessoais. Desses, 20% confirmaram ter sido vítimas efetivas, enfrentando prejuízos que vão além do financeiro.
A pesquisa, intitulada Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, é a terceira edição de um levantamento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A missão do Cetic.br é justamente produzir dados e análises sobre o impacto das tecnologias digitais na sociedade.
Winston Oyadomari, um dos coordenadores do estudo, destacou a dificuldade em abordar o tema, uma vez que as vítimas frequentemente sentem constrangimento e abalo emocional. A investigação pioneira do Cetic.br em perguntar diretamente sobre a identificação e vitimização por golpes online revela a dimensão do problema que, muitas vezes, permanece subnotificado.
Canais de Ataque e Vulnerabilidades Específicas
Os criminosos utilizam uma variedade de canais para tentar enganar os usuários, demonstrando a sofisticação das táticas de engenharia social. A principal via de abordagem são os aplicativos de mensagem, responsáveis por 84% dos casos. Em seguida, aparecem as ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
Oyadomari ressaltou que mesmo pessoas com pouca familiaridade ou habilidades limitadas com a tecnologia estão sujeitas a essas tentativas. Um ponto de atenção é a maior vulnerabilidade de usuários que acessam a internet exclusivamente pelo celular, os quais reportam mais golpes por sites ou aplicativos falsos em comparação com aqueles que também utilizam computadores. Essa limitação do dispositivo pode dificultar a identificação de fraudes.
As consequências dos golpes vão muito além da perda financeira. Muitos usuários relataram estresse e mal-estar, com o impacto emocional se estendendo a seus familiares. Além do roubo de dinheiro ou dados bancários, a perda de acesso a contas digitais, como o e-mail usado no Gov.br, pode privar o cidadão do acesso a serviços públicos essenciais, de governo, assistência ou políticas públicas, gerando um prejuízo social significativo.
Educação Digital: Um Escudo Contra Fraudes
A pesquisa aponta uma correlação direta entre o nível de escolaridade e a frequência com que os usuários vivenciam situações de golpe. Indivíduos com menor escolaridade reportaram todas as situações com mais frequência, e, entre eles, o impacto dos golpes tende a ser maior. Isso sublinha a necessidade de uma abordagem que combine a cultura de proteção de dados com o desenvolvimento de capacidades e habilidades no uso da tecnologia.
Para o coordenador do estudo, não basta apenas promover a proteção de dados; é fundamental que uma parte significativa da população desenvolva habilidades digitais para navegar em um ambiente online seguro. Essa discussão é particularmente relevante em grandes centros urbanos como São Paulo e em bairros como o Ipiranga, onde a diversidade socioeconômica exige políticas e iniciativas de inclusão digital que considerem as diferentes realidades e níveis de letramento tecnológico dos cidadãos.
Inteligência Artificial e o Novo Cenário da Privacidade
Pela primeira vez, o Cetic.br investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa sob a ótica da privacidade. Embora o uso profissional ou acadêmico seja o mais comum (73%), a pesquisa revelou que muitos utilizam essas plataformas para aconselhamento, suporte emocional e companhia (54% para sentimentos e emoções).
Outros usos incluem preferências pessoais (58%), dados de saúde (52%) e fotos (50%). A maioria dos usuários de IA generativa (66%) expressou preocupação com o uso de seus dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas, um percentual que sobe para 72% entre os mais escolarizados. Essa preocupação, segundo Oyadomari, coexiste com o uso, pois os benefícios das ferramentas são reconhecidos, mas a falta de transparência sobre o destino dos dados gera insegurança.
A discussão sobre o compartilhamento de dados de saúde com IAs generativas é um ponto crítico. Dados de saúde são considerados sensíveis e sua proteção é fundamental. A facilidade com que as pessoas discutem seus dados de saúde com essas ferramentas levanta sérias questões sobre armazenamento e acesso, exigindo maior clareza e regulamentação.
A Responsabilidade Corporativa na Proteção de Dados
O estudo também se debruçou sobre as empresas brasileiras, revelando que 69% das organizações que responderam armazenam dados pessoais de clientes e/ou usuários. A biometria (31%) e os dados de saúde (26%) são os tipos de informações mais frequentemente guardados. Além disso, 9% das empresas disseram armazenar dados pessoais de menores de 18 anos, percentual que atinge 21% em grandes corporações e 19% no setor de alojamento e alimentação.
A implementação de estruturas formais de governança e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) mostrou um quadro de estabilidade, com 40% das empresas indicando algum nível de conformidade. No entanto, os dados sugerem que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que a proteção de dados seja uma prioridade em todos os setores e portes de empresas, especialmente diante da crescente complexidade das ameaças digitais.
Manter-se informado sobre os riscos e as melhores práticas de segurança digital é fundamental para proteger seus dados e sua privacidade. O Portal Bairro do Ipiranga SP está comprometido em trazer as informações mais relevantes e atualizadas sobre este e outros temas que impactam diretamente a vida dos moradores de São Paulo e de todo o Brasil. Continue acompanhando nossas publicações para se manter seguro e bem informado.

