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IBGE disponibiliza mapas-múndi com projeção Equal Earth após aval da ONU

IBGE disponibiliza novos mapas-múndi com a projeção Equal Earth, aprovada pela ONU, corrigindo distorções históricas.

A partir desta sexta-feira, 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia a disponibilização dos mapas-múndi mais recentes, referentes aos anos de 2024 a 2026, em sua loja virtual. A iniciativa marca um momento significativo na cartografia nacional e global, pois os novos mapas adotam a projeção Equal Earth, uma representação que busca maior fidelidade às proporções reais dos continentes e países.

A adoção dessa nova projeção pelo IBGE segue uma importante deliberação internacional. Na última sexta-feira, 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou globalmente a utilização da projeção Equal Earth, em um movimento que reflete uma crescente demanda por representações cartográficas mais equitativas e precisas. A votação na ONU, que reuniu chefes de Estado e governo, encerrou-se com um placar expressivo: 164 países favoráveis à mudança, apenas um voto contrário, dos Estados Unidos, e seis abstenções.

A Projeção Equal Earth: uma visão mais justa do planeta

A projeção Equal Earth representa um avanço crucial na forma como visualizamos o mundo. Desenvolvida em 2018 por pesquisadores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), ela é uma projeção pseudocilíndrica que preserva a área relativa dos continentes e países, corrigindo as distorções de tamanho que são comuns em mapas mais antigos. Isso significa que, ao contrário de projeções tradicionais, a Equal Earth mostra a África e a América do Sul com suas dimensões verdadeiras, sem subestimá-las, e a Groenlândia com seu tamanho real, sem superestimá-la.

Essa correção é fundamental para uma compreensão mais precisa da geografia global, impactando desde o ensino escolar até análises geopolíticas. A busca por uma representação mais fidedigna não é recente, mas ganhou força nas últimas décadas, culminando na proposta aprovada pela ONU, que agora valida internacionalmente essa abordagem mais equilibrada.

O Legado da Projeção de Mercator e suas Distorções Históricas

Por séculos, a cartografia mundial foi dominada pela projeção de Mercator, criada pelo cartógrafo Gerardus Mercator no século XVI. Embora revolucionária para a navegação marítima, por preservar as formas e ângulos das massas de terra, a projeção de Mercator possui uma falha inerente: ela distorce drasticamente o tamanho das áreas à medida que se afastam do Equador. Regiões como a América do Norte e a Groenlândia aparecem significativamente ampliadas, enquanto continentes próximos ao Equador, como a África e a América do Sul, são representados em escalas menores do que suas dimensões reais.

Essa distorção não é apenas um detalhe técnico; ela moldou a percepção global e, para muitos, refletiu e reforçou uma visão eurocêntrica do mundo, onde nações do hemisfério norte pareciam mais proeminentes e extensas. A reivindicação por uma representação mais precisa, que corrige essa herança cartográfica, é um esforço para descolonizar o olhar sobre o planeta e promover uma visão mais justa e equilibrada.

O Papel da ONU e a Relevância da Iniciativa Africana

A aprovação da projeção Equal Earth pela Assembleia Geral da ONU, embora suas deliberações não tenham força de lei, carrega um peso político e simbólico considerável. Ela legitima a Equal Earth como um padrão internacional recomendado, incentivando sua adoção por instituições e governos em todo o mundo. A fundamentação da proposta aprovada é resultado de um esforço contínuo da União Africana (UA), o que é particularmente coerente, dado que o continente africano foi um dos mais sub-representados e diminuídos nos mapas-múndi tradicionais desde o século XVI.

A iniciativa da UA destaca a importância de uma representação cartográfica que respeite a realidade geográfica e cultural de todas as regiões, desafiando narrativas históricas que, por vezes, foram perpetuadas por meio de mapas distorcidos. O voto contrário dos Estados Unidos e as abstenções, embora minoritários, indicam que a transição para novas projeções ainda pode gerar debates e diferentes perspectivas sobre a melhor forma de representar o nosso planeta.

IBGE e o Compromisso com a Cartografia Atualizada

Para o IBGE, a adoção da projeção Equal Earth e sua disponibilização ao público reforçam o compromisso da instituição com a inovação e a precisão cartográfica. Maria do Carmo Bueno, Diretora de Geociências do IBGE, argumenta que a decisão reflete a posição da diretoria de “acompanhar de forma contínua as inovações cartográficas e de adotar representações do mundo que dialoguem com demandas sociais por mais equilíbrio e justiça na forma de mapear o nosso planeta”.

A disponibilização desses novos mapas-múndi pelo IBGE não é apenas uma atualização técnica, mas um passo em direção a uma educação geográfica mais precisa e a uma compreensão global mais equitativa para os cidadãos brasileiros. É um convite a repensar a geografia e a reconhecer a verdadeira dimensão de cada parte do nosso mundo. Para mais informações sobre a projeção Equal Earth, você pode consultar a página do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

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