A cidade de Guariba, no interior de São Paulo, volta a enfrentar os impactos de fortes chuvas, reacendendo a apreensão de uma população que ainda se recupera de um temporal devastador ocorrido há menos de dois meses. A sucessão de eventos climáticos extremos tem deixado as famílias em estado de alerta constante, com novos prejuízos estruturais e emocionais.
Na madrugada desta quinta-feira (10), a cidade foi novamente atingida, causando danos significativos em escolas municipais e forçando a suspensão das aulas. Este cenário de vulnerabilidade sublinha a urgência de estratégias de resiliência e a necessidade de apoio contínuo para municípios que lidam com a crescente frequência de fenômenos naturais intensos.
O rastro da devastação anterior
O primeiro grande golpe veio em 24 de julho, quando um temporal com ventos de até 160 km/h varreu a região de Ribeirão Preto. Guariba foi o município mais afetado, com um rastro de destruição que deixou 70% das casas danificadas e o parque industrial completamente destruído. A rede elétrica foi severamente comprometida, com 99% dos 16 mil imóveis sem energia devido à queda de torres de transmissão.
Naquela ocasião, a prefeitura, sob a gestão do prefeito Mançano Junior (PSD), precisou improvisar abrigos e uma cozinha industrial para atender os moradores que perderam tudo. As aulas na rede municipal também foram suspensas, e o governo federal reconheceu o estado de emergência da cidade. A estimativa inicial das autoridades para as obras de reconstrução girava em torno de R$ 50 milhões, um valor que reflete a magnitude dos estragos.
O prefeito Mançano Junior lamentou na época a extensão dos danos: “Todo local que havia uma quadra coberta foi embora. Está retorcido. Nós tínhamos um grande galpão (…) galpão do agronegócio, não sobrou nada, mas nada mesmo”. A fala ilustra a dimensão da calamidade que se abateu sobre a cidade, exigindo um esforço monumental para a recuperação.
Novos desafios em meio à reconstrução
Sete semanas após o temporal de julho, com a energia elétrica restabelecida e os trabalhos de reconstrução em andamento, Guariba foi surpreendida por uma nova onda de chuvas. A madrugada desta quinta-feira (10) trouxe mais estragos, desta vez focados nas escolas municipais.
Vídeos e relatos mostram unidades de ensino básico tomadas pela água, com infiltrações generalizadas e parte do teto do refeitório de uma das escolas cedendo. A secretária municipal de Educação, Vera Eliana Ambrósio Politi, descreveu a situação: “A diretora, a coordenadora, os professores, funcionários, foram retirando os alunos das salas que estavam mais atingidas, que estavam com goteiras muito grandes, foram levando para as outras salas, remanejando salas que não estavam chovendo, que não havia gotejamento, para eles ficarem com maior segurança dentro da escola”.
As aulas foram suspensas para cinco mil alunos até a sexta-feira, enquanto uma força-tarefa da Secretaria de Obras trabalha para reparar os danos e permitir o retorno às atividades na segunda-feira (14). O prefeito Mançano Junior detalhou os esforços: “A Secretaria de Obras está trabalhando desde ontem [quarta-feira]. Desde ontem ela já vem trabalhando para poder recuperar, desentupir calha, ver onde tem que substituir telha e assim por diante”.
Apreensão constante e planos de contingência
A recorrência dos eventos climáticos tem um impacto profundo na saúde mental da população. A secretária Vera Eliana Ambrósio Politi expressa a angústia coletiva: “Todas as famílias guaribenses estão abaladas com essa força da natureza, então todos estão emocionalmente abalados, que qualquer vento, qualquer chuvinha, nós já ficamos muito preocupados”. O vigilante Junior Alves corrobora esse sentimento: “Cada vez mais as pessoas estão se surpreendendo. Quando começa a chover, as pessoas ficam mais assustadas ainda, por causa daquela outra chuva que deu aquele desastre. (…) Começou a ventar, as pessoas já ficam inseguras”.
Diante dessa apreensão constante, as autoridades de Guariba já estão implementando medidas de contingência. Planos de reposição de aulas e de recomposição de aprendizagem, com atividades no contraturno escolar, estão sendo elaborados para garantir que o calendário escolar não seja prejudicado por novos desastres. “Desde que aconteceu essa intempérie no nosso município, nós já temos um plano de reposição para que as crianças não tenham o seu rendimento prejudicado. (…) Nós já estamos elaborando um outro plano para alteração do calendário escolar de 2026”, afirma a secretária de Educação.
A situação de Guariba é um espelho dos desafios que muitas cidades brasileiras enfrentam diante das mudanças climáticas, exigindo não apenas a reconstrução física, mas também o fortalecimento da resiliência comunitária e a adaptação de infraestruturas e planejamentos urbanos. Para mais informações sobre como os municípios estão se preparando para eventos climáticos extremos, você pode consultar recursos como os do Ministério do Desenvolvimento Regional.
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