PUBLICIDADE

Alopecia areata: a jornada de pacientes na busca por autoestima e aceitação

Pacientes com alopecia areata compartilham suas jornadas de superação e a busca por autoestima. Entenda a doença autoimune e seus impactos.
Alopecia areata: a jornada de pacientes na busca por autoestima e aceitação

A alopecia areata, uma doença autoimune que afeta cerca de 2% da população mundial, vai muito além da simples queda de cabelo. Ela representa um desafio complexo, imprevisível e, muitas vezes, doloroso para a autoestima e a identidade de quem a enfrenta. No mês dedicado à conscientização sobre a condição, o Portal Bairro do Ipiranga SP mergulha nas histórias de pacientes que, como a revisora de livros Beatriz Santos e a profissional do setor imobiliário Juliana Fernandes, trilham caminhos de resiliência e autodescoberta para reaver o bem-estar e a aceitação.

A condição, definida pela médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Enilde Borges Costa, como uma doença imprevisível, é caracterizada pelo ataque do próprio organismo aos folículos pilosos. Esse processo autoimune impede a formação de fios sadios, resultando em episódios de queda de cabelo que podem surgir em qualquer fase da vida e, frequentemente, de forma cíclica, com períodos de crescimento seguidos por novas perdas.

Entendendo a Alopecia Areata: Uma Doença Autoimune e Seus Tipos

A alopecia areata se manifesta quando o sistema imunológico, por razões ainda não totalmente compreendidas, ataca erroneamente os folículos capilares. Essa agressão impede o crescimento normal dos fios, levando à queda. A dermatologista Enilde Borges Costa explica que a doença pode se apresentar de três formas distintas, variando em intensidade e abrangência.

  • Alopecia areata em pequenas áreas: Caracteriza-se pela perda de cabelo em pontos específicos do couro cabeludo, formando falhas circulares.
  • Alopecia areata total: Envolve a queda completa de todo o cabelo do couro cabeludo.
  • Alopecia areata universal: A forma mais abrangente, na qual a pessoa perde todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios e pelos corporais.

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado no consultório médico por meio da observação das áreas afetadas. Não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos que confirmem a condição. A ausência de lesões, cicatrizes ou feridas no couro cabeludo é uma característica marcante. Testes simples, como puxar uma pequena mecha de cabelo e observar a facilidade com que os fios se soltam, ou a percepção da perda de pelos em outras regiões como barba e sobrancelhas, auxiliam o dermatologista a fechar o diagnóstico.

O Impacto Emocional e a Desmistificação do Estresse

Embora a alopecia areata tenha um componente genético, sua manifestação pode ser desencadeada por diversos fatores, incluindo quadros infecciosos que afetam o sistema imunológico ou a presença de outras doenças autoimunes. A relação com o estresse é frequentemente debatida, mas a Dra. Enilde Borges Costa esclarece que, embora situações de estresse intenso possam atuar como gatilhos para episódios da doença, ela não é considerada uma condição psicossomática.

“Pelo conceito geral, ela não é uma doença psicossomática. Mas ela pode ser cíclica, vir em episódios. E esses episódios podem ser desencadeados por várias coisas. Inclusive, uma situação bastante intensa de estresse. Mas tem outros fatores desencadeantes”, afirma a dermatologista. Focar exclusivamente na questão emocional como causa pode, inclusive, gerar um sentimento de culpa desnecessário nos pacientes, que se sentem responsáveis pelas crises.

A revisora de livros Beatriz Santos, que convive com a alopecia desde 2008, aos 15 anos, relata a frustração de ouvir de médicos que sua queda de cabelo estava ligada à preocupação com o vestibular. “A primeira coisa que me perguntavam, quando eu chegava no consultório, era: mas o que aconteceu? E eu não conseguia pensar em nada. Era engraçado e incômodo”, lembra Beatriz, que hoje mantém o perfil @debemcomaalopecia no Instagram para compartilhar sua experiência e apoiar outros pacientes.

A Trajetória de Tratamento e os Desafios da Jornada

A descoberta da alopecia de Beatriz ocorreu em um salão de beleza, quando uma falha de oito centímetros foi notada perto de sua nuca. A partir daí, iniciou-se uma longa busca por um diagnóstico e tratamento eficazes. Ela passou por diversos esquemas terapêuticos, incluindo corticoides orais e injeções diretas no couro cabeludo, que, além de dolorosas, nem sempre eram as mais adequadas.

Apesar de um tratamento mais ajustado ter promovido o crescimento dos fios em algumas áreas, a continuidade do uso de corticoides trouxe um novo desafio: a osteopenia, uma perda gradual da massa óssea, diagnosticada aos 17 anos. A preocupação com os efeitos colaterais a levou a interromper o tratamento. “Fui para um reumatologista e ele me assustou bastante. Falou para eu pensar muito bem, porque, se eu continuasse tomando corticoide, eu estaria numa cadeira de rodas com 45 anos. Eu lembro que saí de lá chorando, fiquei uns três dias pensando e resolvi que eu iria parar de me tratar”, conta Beatriz.

A Dra. Enilde reforça que o uso prolongado de corticoides exige acompanhamento rigoroso devido aos potenciais efeitos adversos, como a perda de densidade óssea. Em 2012, quatro anos após o primeiro episódio, Beatriz desenvolveu a alopecia areata universal, perdendo todos os pelos do corpo. Contudo, com o tempo e o apoio da terapia, ela encontrou a aceitação, aprendendo a se maquiar e, eventualmente, a viver sem disfarces, focando em uma vida mais rica e completa que transcende a condição.

A Rede de Apoio: Essencial para a Convivência e Informação

Reconhecendo a necessidade de acolhimento e informação, a dermatologista Enilde Borges Costa criou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), que se reúne mensalmente em São Paulo e mantém um canal ativo de escuta e troca de informações via WhatsApp. Este espaço tem sido fundamental para pacientes e familiares que, muitas vezes, se sentem isolados diante da doença.

Juliana Fernandes, de 45 anos, que trabalha no setor imobiliário, é um exemplo da importância do AAGAP. Ela teve seu primeiro episódio de alopecia aos 10 anos, mas, por muito tempo, a falta de informação clara sobre a natureza autoimune e genética da doença gerou incertezas. “Desde o início, na minha cabeça, na cabeça da minha mãe, era algo pontual, uma falha que você passa o remédio e nasce. Nunca foi explicado para a gente sobre ser autoimune, ser uma doença genética, todas as particularidades. Não tinha internet para a gente ‘dar um Google’ e poder saber o que era”, explica Juliana, que hoje auxilia na administração do grupo, oferecendo o apoio que ela mesma sentiu falta no passado.

As histórias de Beatriz e Juliana, e de tantos outros pacientes, sublinham a importância de um diagnóstico preciso, tratamentos adequados e, acima de tudo, uma rede de apoio que promova a aceitação e o bem-estar emocional. A alopecia areata é uma condição que desafia, mas não define a vida de quem a tem, abrindo caminho para jornadas de autoconhecimento e superação.

Para se manter sempre atualizado sobre temas relevantes de saúde, bem-estar e as notícias que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre o que realmente importa.

Leia mais

Acesse nosso Perfil

PUBLICIDADE