A busca por itens perdidos nas águas da represa do Rio Grande, localizada entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG), transformou-se em uma atividade profissional rentável e cheia de peculiaridades. O mergulhador Lucas Belarmino Ribeiro encontrou nas profundezas do rio uma fonte de renda que alia técnica rigorosa, equipamentos de mergulho e alta demanda gerada por frequentadores e banhistas da região turística.
Frequentemente acionado para recuperar celulares, correntes de ouro, chaves e óculos, o profissional utiliza quadriciclo para acessar as margens e planeja cada imersão com foco na precisão. A rotina exige preparo físico e atenção constante às condições subaquáticas, onde o lodo e a vegetação exigem o uso de tecnologias específicas de localização.
Equipamento e técnica no fundo da represa
Para atuar nas profundezas que ultrapassam os 20 metros, o mergulhador investiu em aparatos profissionais essenciais para garantir segurança e eficiência. Cada imersão conta com cilindro de oxigênio que assegura cerca de uma hora e meia de autonomia sob a água, pesos corporais para estabilização e roupa térmica adaptada às baixas temperaturas do fundo do reservatório.
Além do suporte respiratório e térmico, o uso de um detector de metais é indispensável para rastrear itens metálicos em meio ao lodo. Entre os achados mais marcantes estão desde aparelhos eletrônicos que continuam funcionando até uma corrente de ouro de 60 gramas, avaliada em R$ 50 mil, demonstrando o valor expressivo de alguns dos resgates realizados na área.
Solidariedade e destaque em naufrágio recente
A atuação do caçador náutico ganhou forte repercussão pública e nas redes sociais após sua participação voluntária no resgate de pertences das vítimas de um naufrágio. O acidente ocorreu no dia 11 de outubro, quando uma chalana com 22 pessoas começou a submergir gradualmente nas águas do Rio Grande.
Graças à rápida ação do piloto José Eduardo Goulart de Andrade, que orientou o uso de coletes salva-vidas e aproximou a embarcação da margem, todos os ocupantes se salvaram sem ferimentos. Posteriormente, Lucas mergulhou na área e recuperou mais de 20 pares de óculos de sol, seis telefones celulares e chaves, devolvendo os itens aos donos.
Investigação oficial e orientações de busca
Enquanto o trabalho de resgate particular continua atraindo atenção, o acidente náutico segue sob apuração rigorosa das autoridades competentes. A Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, subordinada à Marinha do Brasil, enviou peritos ao local e instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidente e Fatos da Navegação para determinar as causas do afundamento da chalana.
Para otimizar os resgates de objetos cotidianos perdidos por turistas, o profissional recomenda que as pessoas observem pontos de referência visuais no momento da queda, traçando cruzamentos imaginários entre elementos da paisagem e embarcações. Essa técnica simples aumenta consideravelmente as chances de recuperação dos pertences submersos.
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