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Impacto das mudanças climáticas no aumento de doenças infecciosas no Brasil

Estudo aponta que as mudanças climáticas impulsionam o avanço de doenças infecciosas e ampliam áreas de epidemia de dengue no Brasil.
Impacto das mudanças climáticas no aumento de doenças infecciosas no Brasil

As transformações nos padrões meteorológicos globais deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornarem um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. No Brasil, o aquecimento global e as anomalias térmicas vêm alterando o comportamento de vetores de enfermidades, ampliando a circulação de patógenos que antes encontravam barreiras naturais em determinadas regiões do país.

Historicamente restritas a faixas geográficas específicas, infecções transmitidas por mosquitos e outros vetores agora avançam por novos territórios. Esse cenário exige um monitoramento constante das autoridades sanitárias e redefine a forma como a medicina e a sociedade encaram os riscos associados às alterações do clima.

A expansão territorial da dengue e o fator térmico

Durante décadas, o clima funcionou como um escudo natural contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti em estados de temperaturas mais amenas. No entanto, dados de um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos da doença dobrou expressivamente entre 2006 e 2024, alcançando metade do território nacional.

O infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, aponta que o calor acelera o metabolismo dos insetos. Com temperaturas elevadas, os mosquitos gastam mais energia e necessitam de picadas mais frequentes para se alimentar, o que intensifica a transmissão dos vírus.

Febre do oropouche e o impacto de eventos extremos

Além da dengue, outras enfermidades ganharam espaço em decorrência das alterações climáticas e da degradação ambiental. A febre do Oropouche, antes concentrada na Região Amazônica, registrou milhares de infecções em dezenas de estados e no Distrito Federal, demonstrando uma capacidade preocupante de adaptação a novos ambientes.

Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e enchentes severas, também elevam os riscos sanitários de forma drástica. Desastres naturais facilitam a proliferação de bactérias causadoras de leptospirose e viroses associadas à contaminação de águas e alimentos, enquanto queimadas e estiagens expulsam animais silvestres de seus habitats naturais, aproximando roedores e patógenos perigosos das áreas urbanas.

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