Um empresário apontado pelas autoridades como operador de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho foi preso em um shopping de alto padrão na capital paulista. Conhecido como Rei da Sucata, Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara estava foragido desde maio e foi localizado enquanto realizava compras em uma joalheria de luxo.
A captura foi executada por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com apoio de forças de segurança de Minas Gerais e cooperação internacional. O investigado é apontado como peça central na ocultação de recursos ilícitos originados do tráfico de drogas, utilizando o setor de reciclagem de metais para dar fachada legal a valores milionários.
A Operação Contenção e o volume movimentado
A prisão decorre dos desdobramentos da Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio de 2026. As apurações revelaram uma engrenagem interestadual voltada à ocultação de patrimônio que teria movimentado mais de R$ 453 milhões através de depósitos fracionados e transações complexas.
O esquema utilizava contas de passagem e empresas de fachada para burlar os órgãos de fiscalização. Com o avanço das diligências, o empresário passou a constar na difusão vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil e ser monitorado até o momento da abordagem no estabelecimento comercial.
Conexões financeiras com o Complexo do Salgueiro
Os relatórios de inteligência financeira detalham repasses expressivos entre empresas ligadas ao investigado e operadores financeiros de facções criminosas. A investigação aponta vínculos com Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, apontado como liderança do tráfico no Complexo do Salgueiro, situado na Região Metropolitana do Rio.
- Transferências fracionadas para testas de ferro
- Uso de empresas de fundição não ferrosos
- Circulação de capitais entre negócios interligados
- Repasses superiores a R$ 4,6 milhões identificados
As análises fiscais demonstraram que o fluxo financeiro passava por múltiplos estabelecimentos comerciais do setor de metais antes de chegar aos beneficiários finais ligados à cúpula criminosa.
Antecedentes em fraudes fiscais e operações anteriores
O histórico do empresário registra outras investigações por crimes contra a ordem tributária e fraudes no setor de metais. Em 2021, ele foi alvo da Operação Sinergia em Minas Gerais, sob suspeita de utilizar empresas fictícias para emitir notas fiscais frias e simular transações de cobre.
Outras apurações conduzidas no Distrito Federal também apontaram o uso de dezenas de empresas em nome de laranjas e beneficiários de programas sociais para movimentar dezenas de milhões de reais em tempo recorde.
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