A greve estudantil que mobilizou o campus da Unicamp em Limeira, interior de São Paulo, chegou ao fim oficialmente na noite da última sexta-feira (12). A paralisação, iniciada em 6 de maio, foi encerrada após a principal reivindicação dos alunos ser atendida: a criação de um grupo de trabalho dedicado à implantação de uma moradia estudantil na cidade, um pleito histórico da comunidade acadêmica.
O acordo representa um avanço significativo para os estudantes da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Tecnologia (FT), que há anos clamam por melhores condições de permanência. Segundo Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico de Limeira, o projeto agora segue com um investimento definido e a análise de um possível terreno para a construção do alojamento.
Conquista Estudantil: Grupo de Trabalho e Investimento para Moradia
A Unicamp confirmou a criação de um grupo de trabalho paritário, essencial para a viabilização da moradia. Este comitê contará com investimento de até R$ 20 milhões, além de prever medidas abrangentes para o transporte estudantil, acessibilidade, convivência e a ampliação de serviços de apoio aos alunos. A natureza paritária do grupo, conforme explicado por Guglielmoni, assegura que representantes estudantis terão o mesmo peso de participação que a equipe técnica da universidade, garantindo voz ativa nas decisões.
A composição do novo grupo de trabalho foi ampliada para incluir representantes de movimentos sociais importantes, como o movimento indígena, o movimento negro e pessoas com deficiência (PCD). Essa inclusão reflete a busca por uma moradia que atenda às diversas necessidades da comunidade acadêmica, garantindo que as perspectivas de grupos historicamente marginalizados sejam consideradas desde as etapas iniciais do projeto.
O Desafio do Terreno e a Análise Minuciosa
Um dos pontos cruciais do plano é a identificação do terreno para a construção. Víctor Guglielmoni informou que uma área viável já foi apontada e está em fase de negociação entre a Reitoria e a Prefeitura Universitária. Contudo, a decisão final sobre o local dependerá de uma análise aprofundada do grupo de trabalho, que avaliará se o espaço realmente atende às demandas da comunidade acadêmica.
“Se for um local muito longe ou se for um local que é perigoso e que tem uma violência alta, provavelmente a gente vai estar se importando. Porque a gente está falando de estudante. Então são vários fatores que influenciam”, destacou Guglielmoni, ressaltando a preocupação com a segurança e a acessibilidade dos futuros moradores. O comitê terá um prazo de seis meses, a partir da nomeação de seus membros, para concluir os estudos técnicos preliminares e dar andamento ao processo de licitação.
Histórico de Promessas e a Luta por Compromisso
A reivindicação por moradia estudantil em Limeira não é recente. Em 2025, já havia sido decidida a criação de um grupo de trabalho paritário com 12 cadeiras para discutir o tema, com atividades previstas para iniciar em março de 2026, o que, infelizmente, não se concretizou. Essa experiência passada gerou desconfiança entre os estudantes, que buscavam um termo de compromisso formal da Reitoria, especialmente após uma promessa de moradia durante a greve de 2023 também não ter sido cumprida.
Além das promessas não realizadas, um impasse orçamentário marcou as discussões. Enquanto a universidade alegava estudar melhorias dentro das possibilidades financeiras, os estudantes criticavam a falta de recursos para viabilizar a moradia, argumentando que a questão da permanência estudantil deveria ser uma prioridade inegociável para a instituição.
Gentrificação e o Custo de Vida Elevado
A urgência da moradia estudantil é amplificada pela crescente especulação imobiliária e o fenômeno da gentrificação no entorno do campus de Limeira. A valorização dos imóveis e o consequente aumento do custo de vida na região impactam diretamente a capacidade dos estudantes de se manterem na cidade. Atualmente, a universidade oferece Bolsa Auxílio Moradia no valor de R$ 725 mensais para 452 estudantes, mas o benefício é insuficiente para cobrir todas as despesas.
“Há também uma questão de gentrificação. Então, a estrutura em volta da cidade universitária, que é justamente o local onde existe mais moradias dedicadas a estudantes, ela começa a ficar cada vez mais cara. Então, a vida do estudante começa a ficar muito cara”, explicou Guglielmoni, evidenciando como a falta de uma moradia acessível agrava a situação financeira dos alunos, muitos dos quais vêm de outras cidades e dependem de auxílio para custear seus estudos e permanência.
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