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Nomádica: banda de São Carlos transforma rock em manifesto LGBT+ com deboche e resistência

Banda do interior de SP transforma rock em manifesto LGBT+ Riffs marcantes, vocais intensos, deboche e muito orgulho de ser quem é. Com uma formação que reúne duas travestis, uma mulher lésbica e dois integrantes heterossexuais, a banda Nomádica, de São Carlos (SP), faz do rock um espaço de representatividade, protesto e celebração da diversidade. […]

tuguês, voltado para narrativas LGBT+, especialmente vivências transvestigêneres
Reprodução G1


Banda do interior de SP transforma rock em manifesto LGBT+
Riffs marcantes, vocais intensos, deboche e muito orgulho de ser quem é. Com uma formação que reúne duas travestis, uma mulher lésbica e dois integrantes heterossexuais, a banda Nomádica, de São Carlos (SP), faz do rock um espaço de representatividade, protesto e celebração da diversidade.
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No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado neste domingo (28), o g1 apresenta a trajetória da banda, liderada pela travesti, guitarrista, compositora e vocalista Renê Echeverria, que transforma experiências e vivências da comunidade em músicas autorais.
As integrantes afirmaram que a data também é uma forma de celebrar a permanência e a resistência.
“Nossa revolta deve ser alegre, debochada, rindo da cara do opressor e tirando um sarro da caretice eminente dos tempos atuais. A banda é um grito de revolta contra o sistema cis-hétero-patriarcal a partir da estética do rock’n’roll com narrativas LGBT+”, disse Renê.
Renê Echeverria (à esq) e Luiza Gimenez disparam riffs em forma de manifesto na banda Nomádica, de São Carlos
Arquivo pessoal
Rock travesti
Em 2025, a banda passou a atuar como quinteto com a chegada da segunda guitarrista e consolidou sua proposta de fazer rock autoral em português, voltado para narrativas LGBT+, especialmente vivências transvestigêneres, ou seja, experiências de pessoas travestis, transexuais e de outras identidades trans.
Além de Renê, integram a banda a travesti Luiza Gimenez, guitarrista, tecladista e compositora; Ana Paula Neves, baixista e backing vocal; Hellen Marques, percussionista; e o baterista Felipe Parra.
Segundo a vocalista, a Nomádica se destaca por reunir uma formação pouco comum na cena do rock de São Carlos.
“Somos a única banda de rock da cidade, até então, que tem travestis em sua formação e uma das únicas bandas femininas nesse mesmo cenário. Ainda é difícil a busca por espaços de circulação de shows, mas é evidente que o público aos poucos está se diversificando”, avaliou.
Performance e deboche fazem parte das apresentações da banda Nomádica, de São Carlos
Arquivo pessoal
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Identidade e resistência
No palco, a proposta vai além da música. Os shows são performáticos, dançantes e carregados de ironia. As letras abordam identidade, desejo, resistência e transformam experiências de violência em afirmação da existência. A sonoridade mistura MPB, rock alternativo e punk rock.
“Quando cantamos personificamos a experiência de travestis que afirmam a vida com convicção, nos colocando em lugar de protagonismo, e não de assujeitamento, como muito frequentemente são representadas essas vivências”, contou Renê.
A guitarrista Luiza explica que as composições surgem justamente desse processo de ressignificação.
“A partir das violências cotidianas vividas como catarse, buscamos contar a história de afirmação da dissidência como potência. Isso pode ser visto em trechos de canções como ‘Escondida Jamais! Não volto pra esse armário nunca mais!’
Neste ano, a banda lançou o single “Peçonhenta”, marcando a transição da MPB para o rock alternativo.
LGBTQIA+ sonoro
Para a Nomádica, também é papel da banda lembrar que pessoas LGBTQIA+ sempre estiveram presentes na construção da música, embora muitas vezes tenham sido apagadas da história.
Luiza destacou ainda a importância de revisitar artistas que abriram caminho para novas gerações, como Cássia Eller, Cazuza, Ney Matogrosso, Liniker, Linn da Quebrada, Ventura Profana, entre outras.
Banda Nomádica representa o rock queer em São Carlos (SP)
Arquivo pessoal
Ocupando espaços
Apesar dos avanços no cenário musical, a banda reforçou que a cena do rock ainda é predominantemente masculina e heteronormativa. Mas elas também observam mudanças no underground são-carlense, com mais presença de mulheres e diversidade.
“Propomos transmutar essa cena e dar visibilidade a novas vozes. Nos surpreendemos positivamente com algumas pessoas, assim como já teve repulsa e deboche de outras”, disse Renê.
Para elas, o rock precisa voltar a ocupar seu papel histórico de contestação e revolução.
“O rock tem sido cooptado por ideais reacionários e hegemônicos mais intensamente nos últimos tempos, e é fundamental que haja resistência e afirmação da diferença para que estas cenas não se esvaziem de seus valores fundamentais de resistência e revolução”, disse Luiza.
Para a banda, o maior retorno é ver jovens se identificando com as músicas e com a própria existência do grupo.
Com passagens em festivais da região, como o Vespeiro Festival e o Soma Rock, ambos em 2025, a banda prepara o primeiro EP da carreira, com sete músicas autorais, previsto para ser lançado ainda neste ano.
A banda também prepara o lançamento do videoclipe de “Peçonhenta”, produzido em parceria com o curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
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