O Rio de Janeiro se torna palco de uma profunda reflexão sobre a maior crise sanitária do século 21. A partir desta terça-feira, dia 30 de junho, o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), situado na Praça Marechal Âncora, 95, no coração do Corredor Cultural carioca, inaugura a exposição inédita “Vida Reinventada – A Pandemia de Covid-19 e a Transformação do Futuro”. Concebida pela ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, a mostra gratuita convida o público a uma travessia coletiva pela memória da pandemia, suas consequências e as lições aprendidas para a construção de um amanhã mais resiliente.
Com abertura marcada para as 18h, a exposição promete uma experiência sensorial e documental, propondo um olhar não apenas para o passado, mas também para as redes de solidariedade e a criatividade humana que floresceram em meio ao desafio. A iniciativa busca promover uma reflexão profunda sobre o período pandêmico no país, enfatizando a importância da ciência, da memória e da reparação.
Uma jornada pela memória e esperança
A mostra, que permanecerá aberta ao público de 1º de julho até abril de 2027, funcionará de terça-feira a sábado, das 10h às 17h. Para grupos, agendamentos podem ser feitos pelo telefone (21) 2240-5318. Pensando na inclusão, a exposição pandemia conta com recursos de acessibilidade e uma equipe de educadores preparada para atender em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e inglês, garantindo que a mensagem alcance um público diversificado.
Sob a direção artística de Adrén Alves e com expografia e cenografia assinadas por André Cortês, um dos mais renomados cenógrafos brasileiros, a “Vida Reinventada” propõe mais do que uma retrospectiva. Adrén Alves destacou à Agência Brasil que o objetivo é oferecer uma lembrança do período pandêmico, mas, simultaneamente, transmitir uma mensagem positiva para o futuro. “A nossa mensagem é ‘poderia ter sido diferente’ e lembrar sempre uma forma de não repetir os erros do passado”, afirmou, ressaltando a covid-19 como a maior crise sanitária global do século 21.
André Cortês complementou, sublinhando a capacidade humana de superação: “a criatividade humana coletiva sempre floresceu diante do desafio, seja para ampliar o conforto físico e espiritual, seja para nos salvar. Durante a pandemia, muitas redes humanas foram criadas”. A exposição integra documentos, relatos, instalações, testemunhos, vídeos e minidocumentários, com curadoria que envolveu diversos cientistas ao lado de Nísia Trindade.
Ciência e humanidade em destaque
A ciência emerge como a grande protagonista da exposição. Adrén Alves enfatiza que a mostra é uma homenagem significativa às vítimas da covid-19, aos incansáveis profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) que dedicaram suas vidas para salvar pacientes, à vacina e ao avanço científico. Além disso, presta tributo às mulheres que estiveram na linha de frente do combate à doença, muitas vezes invisibilizadas em seu papel crucial.
“E, antes de tudo, é um grito de esperança para dizer que não vamos repetir os mesmos erros do passado para evitar que venham outras pandemias. E, se vierem, que a gente esteja mais preparado”, pontuou Alves, reforçando o caráter preventivo e educativo da iniciativa. Os organizadores sintetizam o propósito da mostra nas palavras memória, justiça e reparação, elementos essenciais para a compreensão e superação do trauma coletivo.
Para Nísia Trindade, que fez história como a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a ocupar o cargo de ministra da Saúde no Brasil, a convicção de que “tudo poderia ter sido diferente” permeia a concepção da exposição. Ela defende que “reinventar a vida implica também transformar o futuro”, e a mostra busca dar ênfase à dimensão subjetiva, ao mesmo tempo em que explora a dimensão política de todo o processo e a luta por prevenir, preparar e responder de forma coletiva e adequada a futuras emergências em saúde.
Ampliando o diálogo: ações complementares
Além da experiência imersiva no Centro Cultural do Ministério da Saúde, a exposição pandemia se desdobrará em três ações complementares, expandindo seu alcance para além dos muros do museu, conforme definiu Adrén Alves. Essas iniciativas acontecerão tanto no Rio de Janeiro quanto em Niterói, promovendo um diálogo mais amplo com a sociedade.
Entre as atividades programadas, destacam-se as rodas de leitura, organizadas em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Agendadas para os dias 6 de julho, 3 de agosto e 8 de setembro, essas rodas abordarão desde registros históricos de crises sanitárias até reflexões artísticas e literárias surgidas durante a pandemia, além de publicações relacionadas às ciências biomédicas e sociais. O objetivo é enriquecer o projeto com perspectivas culturais, científicas e educativas diversas.
Um ciclo de seminários presenciais, com transmissão online, será realizado em colaboração com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Dedicado a aprofundar as reflexões sobre os impactos sociais, científicos e humanos da pandemia, este ciclo terá sua programação desenvolvida pela própria SBPC. A exposição também integrará a programação cultural da Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá de 26 de julho a 1º de agosto deste ano em Niterói, fortalecendo a conexão entre ciência, cultura e memória.
Para os amantes do cinema, uma mostra de filmes será apresentada em parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), entre os dias 5 e 9 de agosto. A seleção incluirá documentários, ficções e curtas-metragens produzidos durante a pandemia, oferecendo diferentes visões sobre os impactos sociais, políticos e humanos da doença. A programação será enriquecida com debates entre realizadores, pesquisadores, profissionais da saúde e convidados, promovendo uma troca de ideias fundamental.
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