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Petrobras anuncia nova redução no preço do querosene de aviação em meio a cenário global mais estável

Petrobras diminui o preço do querosene de aviação em 14,5% a partir de julho, marcando o segundo recuo consecutivo e refletindo a estabilização global.
Petrobras anuncia nova redução no preço do querosene de aviação em meio a cenário global mais estável

A Petrobras informou nesta quarta-feira (1º de julho) uma nova redução no preço de venda do querosene de aviação (QAV), com um corte de 14,5%. Este ajuste, que entra em vigor no início do mês, marca o segundo recuo consecutivo nos valores do combustível para aeronaves, refletindo uma atenuação das pressões geopolíticas que impactaram o mercado global de petróleo nos últimos meses. A medida traz um alívio para o setor aéreo e para a economia como um todo, embora o acumulado do ano ainda mostre um aumento significativo nos custos.

A diminuição representa uma queda de R$ 0,81 por litro no preço do QAV. Nas refinarias da companhia, o novo preço varia entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro, dependendo da localidade. Essa variação é um indicativo de como as dinâmicas internacionais se traduzem em custos para o consumidor final, neste caso, as companhias aéreas e, por extensão, os passageiros.

O Preço do Querosene de Aviação e a Dinâmica Global

A estatal explicou que a decisão de reduzir o preço do querosene de aviação foi impulsionada pela “atenuação” dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais dos derivados de petróleo. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, gerou perturbações significativas na cadeia logística global, especialmente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial por onde passavam cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás antes do conflito. A redução da oferta nos mercados globais resultou em uma disparada dos preços.

Mesmo sendo um país produtor de petróleo, o Brasil não está imune às flutuações do mercado internacional. O petróleo e seus derivados são commodities, ou seja, matérias-primas negociadas em grandes volumes e cujo preço é determinado pela oferta e demanda globais. Isso significa que eventos geopolíticos em regiões distantes podem ter um impacto direto nos custos de transporte e na economia brasileira, afetando desde o preço da gasolina nos postos até o valor das passagens aéreas.

Flutuações Recentes e o Impacto Acumulado

A recente redução de julho é um contraste com o cenário de alta observado no início do ano. Em abril, a Petrobras havia reajustado o QAV em 55%, seguido por um aumento de 18% em maio. Naquela ocasião, para mitigar o impacto nos caixas das companhias distribuidoras, a estatal permitiu o parcelamento do reajuste. Em junho, já havia ocorrido uma primeira redução de 14,2%.

Apesar dos dois recuos consecutivos, o combustível utilizado por aviões e helicópteros ainda acumula uma alta de 40,5% no ano, se comparado ao final de 2025. Esse percentual representa um acréscimo de R$ 1,39 por litro em relação aos valores praticados no período. A volatilidade dos preços ressalta a sensibilidade do mercado de combustíveis a fatores externos e a necessidade de um acompanhamento constante.

A Cadeia de Comercialização do QAV no Brasil

A Petrobras desempenha um papel central na comercialização do QAV no Brasil. A empresa vende o combustível, seja ele produzido em suas refinarias ou importado, para as distribuidoras. Estas, por sua vez, são responsáveis pelo transporte e pela venda para as companhias de transporte aéreo e outros consumidores finais nos aeroportos, ou ainda para revendedores. Essa cadeia complexa garante o abastecimento do setor aéreo em todo o território nacional.

Embora a estatal detenha uma participação de cerca de 85% na produção de QAV no país, o mercado é caracterizado pela livre concorrência. Isso significa que outras empresas têm a liberdade de atuar como produtoras ou importadoras, contribuindo para a dinâmica do setor e, teoricamente, para a competitividade dos preços. A presença de múltiplos atores é fundamental para a resiliência do mercado de combustíveis.

Desdobramentos Governamentais e Perspectivas Futuras

A atenuação dos efeitos da guerra no Oriente Médio não impactou apenas os preços do QAV. O governo federal também iniciou o processo de retirada gradual dos subsídios que eram concedidos às empresas produtoras e importadoras de combustíveis. Essa medida tinha como objetivo principal evitar um choque de preços para o consumidor final em um período de grande instabilidade. A descontinuação dos subsídios, em um cenário de preços mais estáveis, pode indicar uma normalização gradual do mercado.

Para o setor de aviação, a redução do QAV pode significar uma diminuição nos custos operacionais, o que, em tese, pode ser repassado aos consumidores na forma de passagens aéreas mais acessíveis. No entanto, diversos outros fatores influenciam o preço das passagens, como demanda, concorrência e custos de manutenção. Acompanhar essas tendências é essencial para entender o impacto real no bolso do cidadão.

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