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Pipas disparam interrupções de energia na região de Campinas e acendem alerta para férias

Pipas causam 12 interrupções de energia diárias em Campinas (SP), com aumento de 6,5%. CPFL alerta para riscos e proibições durante as férias escolares.
pipas entre janeiro e maio de 2026. Isso é o que mostra o levantamento da Compan
Reprodução G1

A região de Campinas, no interior de São Paulo, enfrenta um cenário preocupante com o aumento das interrupções de energia causadas por pipas. Um levantamento recente da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) revelou que, entre janeiro e maio de 2026, a área registrou uma média de 12 desligamentos diários no fornecimento elétrico devido a essa prática. Esse número representa um crescimento de 6,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, acendendo um alerta, especialmente com a proximidade das férias escolares, quando a incidência de soltar pipas tende a aumentar.

Os dados da CPFL mostram que o total de ocorrências na região saltou de 1.746 em 2025 para 1.859 nos primeiros cinco meses de 2026. A cidade de Campinas lidera o ranking com 277 casos, um aumento de 11%, o que significa uma interrupção a cada 13 horas na metrópole. Municípios vizinhos também sentiram o impacto, com Hortolândia registrando um salto de 62 para 101 casos (aumento de 63%) e Sumaré vendo seus registros subirem de 61 para 81 (alta de 33%).

O Cenário Preocupante na Rede Elétrica

O problema das pipas na rede elétrica vai além do mero inconveniente. O contato com a fiação pode gerar curtos-circuitos e desligamentos em larga escala, afetando residências, comércios e serviços essenciais. A situação se agrava consideravelmente com o uso de materiais cortantes, como cerol e linha chilena, que não apenas danificam a infraestrutura elétrica, mas também representam um perigo iminente para a vida de pedestres, ciclistas e motociclistas.

A CPFL identificou três fatores principais que levam ao desligamento da energia nessas situações. Primeiramente, as linhas comuns, quando enroscadas na fiação, podem acumular umidade em dias chuvosos, transformando-se em pontes condutoras de eletricidade e provocando curtos-circuitos. Em segundo lugar, o cerol (mistura de cola e vidro moído) e a linha chilena (feita com quartzo e óxido de alumínio) possuem um altíssimo poder abrasivo, capazes de cortar os fios. Por fim, as chamadas linhas blindadas, ao serem puxadas com força, podem serrar fisicamente os cabos de alumínio, resultando na queda de fios energizados no chão, o que cria uma situação de risco extremo.

Legislação e Impactos Diretos na População

A gravidade do problema levou à criação de legislação específica. A Lei Estadual nº 17.201/2019 proíbe, em todo o Estado de São Paulo, a fabricação, comercialização e o uso de linha com cerol ou linha chilena. Os infratores estão sujeitos a multas e, em caso de acidentes, podem responder criminalmente pelas consequências de suas ações. Essa medida busca coibir uma prática que, além de ilegal, coloca em risco a segurança pública e a qualidade do serviço de energia.

Os prejuízos são sentidos diretamente no dia a dia da população. No bairro Nelson Mandela, em Campinas, a moradora Crislaine da Silva relatou ao g1 Campinas que já passou noites no escuro após competições de pipa na rua. “As pipas cortam os fios da casa da gente, a gente fica sem energia, fica sem internet”, contou. A situação só começou a melhorar quando a própria comunidade se organizou para proibir a prática no local. O comércio também sofre, como exemplificou a empreendedora Clarisse Azuchi, que chegou a perder produtos perecíveis após um longo apagão causado pelo rompimento de um cabo.

Medidas de Prevenção e Canais de Atendimento

Diante do cenário, a CPFL intensificou suas campanhas de conscientização para alertar sobre os riscos e promover a segurança. A principal recomendação é que a atividade de soltar pipas seja feita em áreas abertas, mantendo um distanciamento total de postes, fios elétricos e subestações. A concessionária listou orientações cruciais que devem ser seguidas pelas famílias para evitar acidentes e interrupções:

  • Nunca solte pipa perto de postes, fios elétricos ou subestações.
  • Não use linha com cerol ou linha chilena, pois a prática é ilegal e coloca vidas em risco.
  • Prefira locais abertos e afastados da rede elétrica.
  • Se a pipa cair na rede de energia, jamais tente retirá-la.

A última orientação é de suma importância: em hipótese alguma a população deve tentar resgatar uma pipa presa na fiação por conta própria. A atitude correta é acionar os canais oficiais da companhia, como o aplicativo ou o site Guardião da Vida, para solicitar a remoção segura por profissionais capacitados. Em caso de ocorrências ou emergências, a CPFL Paulista orienta que os moradores acionem a empresa pelo telefone 0800 010 1010 ou por meio do aplicativo da concessionária.

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