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Justiça estende detenção de vereador Senival Moura em investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC no transporte

A Justiça de São Paulo prorrogou a prisão do vereador Senival Moura, investigado por elo com lavagem de dinheiro do PCC no transporte público.
Justiça estende detenção de vereador Senival Moura em investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC no transporte
Reprodução G1

A Justiça de São Paulo decidiu prorrogar por mais 30 dias a prisão temporária do vereador Senival Moura (afastado do PT), figura central em uma complexa investigação que apura a suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro. O caso, que ganhou destaque na capital paulista, envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o sistema de transporte público da cidade, levantando sérias questões sobre a integridade e a transparência dos serviços essenciais à população.

A decisão foi proferida pelo juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, atendendo a um pedido da Polícia Civil e com parecer favorável do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A medida sublinha a gravidade das acusações e a necessidade de aprofundamento das diligências para desvendar todos os elos da suposta rede criminosa.

A Prisão de Senival Moura: Detalhes da Decisão Judicial

Além de Senival Moura, a prorrogação da prisão temporária abrangeu outros investigados, como Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”. A Justiça também renovou a medida para Lourival de França Monário, o “Orelha”, e Leonel Moreira Martins, o “Cabeça Branca”, que, no entanto, permanecem foragidos, intensificando os esforços das autoridades para localizá-los.

O magistrado justificou a manutenção da prisão do vereador, destacando a posição de comando que ele supostamente exerceria dentro da estrutura investigada. Segundo a decisão, a soltura neste momento poderia comprometer a coleta de provas e a espontaneidade das declarações de pessoas ligadas ao parlamentar que ainda precisam ser ouvidas pelos investigadores. A estratégia judicial prevê a coleta gradual de depoimentos, que serão posteriormente confrontados com documentos, movimentações financeiras e outros elementos já reunidos no inquérito.

A Operação Última Parada e os Elos com o Crime Organizado

Todos os envolvidos são alvos da Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A operação mira a empresa de ônibus Transunião, que, de acordo com as investigações, teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos ilícitos do PCC. Os suspeitos são apontados como integrantes de uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro, principalmente oriundo do tráfico de drogas.

Em junho, a Justiça já havia determinado o bloqueio de expressivos R$ 194 milhões em contas dos investigados, além do sequestro de imóveis, veículos e embarcações vinculados ao grupo. Essas ações demonstram a amplitude e a complexidade do esquema, que se estenderia por diversas frentes para dissimular a origem criminosa dos valores.

Complexidade da Investigação e Provas Pendentes

A prorrogação das prisões, conforme ressaltou o juiz, não se deve a uma demora injustificada das autoridades, mas sim à natureza intrincada da investigação. Há uma série de diligências pendentes, incluindo a análise de celulares, computadores, documentos e registros financeiros apreendidos durante a operação. A preservação da cadeia de custódia, a catalogação do material, as extrações periciais e a análise forense dos dados são providências técnicas que exigem tempo e metodologia rigorosa.

No caso de Jair Ramos de Freitas, a análise dos dispositivos eletrônicos é considerada especialmente relevante. A decisão judicial faz menção à Operação Mafiusi, uma investigação da Polícia Federal que apurou ligações entre o PCC e a máfia italiana, indicando a possibilidade de ramificações ainda mais amplas no cenário do crime organizado.

Defesa do Vereador e Rejeição de Medidas Alternativas

As defesas dos investigados solicitaram a substituição das prisões por medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico. Contudo, o pedido foi rejeitado pelo magistrado, que considerou que alternativas como o uso de tornozeleira eletrônica não ofereceriam o mesmo nível de proteção à investigação. A preocupação é com o risco de interferência na produção de provas e o comprometimento de diligências em andamento.

A defesa de Senival Moura também alegou agravamento do estado de saúde do vereador. Diante disso, o juiz determinou que a unidade prisional adote, com máxima urgência, todos os tratamentos médicos, exames e avaliações clínicas necessários, estabelecendo um prazo de 24 horas para o início das providências e 48 horas para que a direção do presídio informe a Justiça sobre as medidas adotadas.

O Posicionamento de Senival Moura e Seus Advogados

Em nota divulgada após a deflagração da Operação Última Parada, a defesa de Senival Moura expressou “profunda indignação” com a decretação da prisão temporária, classificando a medida como uma “enorme surpresa” em um momento “extremamente sensível”. Os advogados reiteraram a confiança na Justiça e a convicção de que a investigação demonstrará a inexistência de qualquer irregularidade praticada pelo parlamentar.

“O Vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”, afirmou a nota. A defesa sustenta que Senival sempre pautou sua atuação pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas, negando qualquer envolvimento com os crimes investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Acompanhe mais detalhes sobre o caso no G1.

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