O Brasil celebra um avanço crucial na saúde pública, anunciando nesta terça-feira que atingiu as metas internacionais para a eliminação da transmissão da hepatite B de mãe para filho. A conquista, divulgada pelo Ministério da Saúde durante o Dia Mundial de Luta contra Hepatites Virais, no Rio de Janeiro, representa um passo significativo na proteção de recém-nascidos e na consolidação das políticas de saúde preventiva no país.
Nos últimos dois anos, dados oficiais revelaram que menos de 0,1% das crianças com até cinco anos de idade apresentaram infecção ativa pelo HBV, o vírus causador da hepatite B. Este índice coloca o Brasil em uma posição de destaque global, permitindo que o governo solicite à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) a certificação internacional de eliminação da transmissão vertical do vírus, um reconhecimento da eficácia das estratégias implementadas.
Um avanço significativo na saúde pública brasileira
A transmissão vertical da hepatite B ocorre quando o vírus é passado da mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação. Sem intervenção, a probabilidade de um recém-nascido de mãe infectada desenvolver a doença crônica é alta, com sérias consequências para a saúde a longo prazo, incluindo cirrose e câncer de fígado. A eliminação dessa forma de transmissão é, portanto, uma vitória que impacta diretamente a qualidade de vida e o futuro de milhares de crianças.
Em 2025, a prevalência da transmissão de mãe para filhos no país foi de 0,0111%, um número bem abaixo do limite de 0,1% estabelecido internacionalmente. Este dado robusto demonstra a efetividade das campanhas de vacinação, do acompanhamento pré-natal e das intervenções médicas que foram intensificadas ao longo dos anos.
Estratégias que levaram ao sucesso na erradicação
O sucesso do Brasil na eliminação da transmissão vertical da hepatite B é resultado de uma série de ações coordenadas e abrangentes. A testagem para hepatite B durante o pré-natal é uma das pedras angulares, permitindo a identificação precoce de gestantes infectadas. Uma vez diagnosticadas, as mães recebem tratamento antiviral, quando necessário, para reduzir o risco de transmissão durante a gravidez.
Além disso, a vacinação contra o HBV nas primeiras horas de vida é crucial. O Ministério da Saúde informou que a cobertura vacinal para recém-nascidos atingiu 97% em 2024 e impressionantes 100% em 2025, superando a meta de 90%. Para filhos de mães com hepatite B, a administração de imunoglobulina (HBIG) logo após o nascimento oferece uma proteção adicional vital, complementando a vacina.
O papel fundamental da atenção primária e do pré-natal
A excelência no acompanhamento pré-natal desempenhou um papel decisivo. Entre 2024 e 2025, a cobertura de acompanhamento pré-natal no país superou os 98%, ultrapassando a meta de 95%. Este alto índice reflete o fortalecimento da atenção primária em saúde, que é a porta de entrada para o sistema de saúde e o alicerce para a prevenção e o controle de doenças.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância desse pilar. “A retomada dos investimentos na atenção primária em saúde foi decisiva para isso. Sem a atenção primária em saúde forte e, sem a saúde baseada a partir das comunidades, não é possível alcançar a eliminação de doenças infecciosas”, declarou Padilha, ressaltando a capilaridade e o impacto direto das unidades básicas de saúde na vida das pessoas.
Desafios futuros e o compromisso com outras doenças
Este não é o primeiro reconhecimento internacional do Brasil em relação à eliminação da transmissão vertical. Em dezembro de 2025, o país já havia conquistado a certificação internacional de eliminação da transmissão vertical do vírus HIV, que causa a Aids. Essas conquistas reforçam o compromisso do Brasil com as metas globais de saúde e com a erradicação de doenças transmissíveis.
O país mantém a ambiciosa meta de, até 2030, eliminar a transmissão vertical de outras doenças, como a sífilis, a doença de Chagas e o vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV), além de consolidar a eliminação da hepatite B. Contudo, o caminho para algumas dessas metas apresenta desafios complexos.
Padilha destacou a sífilis como um exemplo de obstáculo, não por falta de tecnologia ou medicamentos, mas por questões sociais. “Nosso maior desafio é proteger as mulheres. Porque infelizmente nós sabemos que muitas vezes identificamos uma mulher infectada por sífilis no começo da consulta do pré-natal, tratamos essa mulher na unidade básica de saúde, mas infelizmente essa mulher, por sua situação de vulnerabilidade, continua sendo infectada pelo seu parceiro ao longo de todo o pré-natal. Isso é o que ainda nos dificulta eliminar a transmissão vertical da sífilis”, explicou o ministro, apontando para a necessidade de abordagens que considerem a vulnerabilidade social e o engajamento dos parceiros.
A conquista na luta contra a hepatite B vertical é um testemunho da capacidade do sistema de saúde brasileiro de alcançar resultados expressivos quando há investimento, planejamento e execução eficazes. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes sobre saúde, bem-estar e os acontecimentos que impactam o Bairro do Ipiranga e todo o Brasil, continue navegando pelo Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é trazer informações de qualidade, apuradas e contextualizadas para você.

