A comunidade venezuelana radicada no Brasil acompanha com apreensão e desespero as notícias de seu país natal, atingido por fortes terremotos na última quarta-feira, 24 de junho de 2026. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, as irmãs Estefany e Evaliana Ramírez Vasquez, conhecidas no cenário musical como as cantoras sertanejas Estefany e Gabriely, vivem momentos de angústia pela dificuldade de contato com amigos próximos que residiam nas áreas mais afetadas.
As artistas, que deixaram a Venezuela em 2019 em busca de novas oportunidades, relatam uma situação de incomunicabilidade que agrava a dor da distância. A preocupação é ainda maior porque os amigos das cantoras viviam em La Guaira, uma das regiões litorâneas mais castigadas pelos abalos sísmicos, onde a destruição foi severa e incluiu o colapso de um hotel de oito andares.
A busca angustiante por notícias em meio ao caos
Estefany expressa o desespero que as irmãs sentem. “Infelizmente a gente ainda não conseguiu contato com eles, soubemos que caiu o prédio onde eles moravam, não conseguimos entrar em contato, estamos muito preocupadas com essa situação, estamos em desespero, não sabemos nada desses conhecidos e amigos”, afirma a cantora. A falta de notícias é um tormento constante para quem está longe e impotente diante da catástrofe.
A dificuldade de comunicação é um dos maiores obstáculos. Segundo Estefany, as mensagens não chegam aos destinatários devido à queda de energia e de internet que assola as regiões atingidas. Essa interrupção nos serviços essenciais impede que familiares e amigos obtenham informações cruciais sobre a situação de seus entes queridos, ampliando a incerteza e o sofrimento.
Terremotos na Venezuela: o cenário de destruição e vítimas
Os terremotos na Venezuela, que abalaram o país na noite de quarta-feira em um intervalo de menos de um minuto, alcançaram magnitudes de até 7,5. O epicentro do tremor mais forte foi registrado na cidade de El Guayabo, mas os abalos foram sentidos em diversas partes do território venezuelano, incluindo a capital Caracas, e até mesmo no Norte do Brasil.
O balanço oficial, conforme a última atualização desta reportagem, é alarmante: 188 mortos e 1.520 feridos. A tragédia também atingiu cidadãos brasileiros, com o Itamaraty confirmando duas mortes e anunciando a intenção de enviar ajuda humanitária ao país vizinho. A dimensão da catástrofe exige um esforço conjunto para o resgate e a recuperação das áreas afetadas.
O drama da comunicação e a preocupação com o resgate
Além da incomunicabilidade, as cantoras Estefany e Gabriely manifestam profunda preocupação com a capacidade de resposta das equipes de resgate na Venezuela. Gabriely destaca uma questão crítica: “Outra coisa que deixa a gente muito triste, que ficamos sabendo, é que lá as unidades de resgate não estão tendo equipamento suficiente para retirada de escombros, para retirada das vítimas”.
Essa carência de recursos e equipamentos adequados pode impactar diretamente a chance de sobrevivência de pessoas soterradas e a agilidade na remoção de escombros, dificultando ainda mais os trabalhos de busca e salvamento em um cenário já devastador. A situação expõe a vulnerabilidade de regiões com infraestrutura limitada diante de desastres naturais de grande escala.
Alívio parcial e o impacto regional dos tremores
Em meio a tanta aflição, as irmãs Estefany e Gabriely conseguiram um alívio parcial ao fazer contato com tios e primos que vivem em Ciudad Bolívar, uma cidade histórica no sudeste da Venezuela. Embora essa região tenha sido menos afetada pelos abalos sísmicos, os relatos dos familiares indicam um clima de grande apreensão.
“Relataram que estão em pânico, todo mundo com medo porque foi muito forte esse movimento da terra. Eles ficaram bem assustados”, contam as cantoras. A experiência dos tremores foi intensa o suficiente para gerar medo generalizado, mesmo onde não houve destruição material. Os pais das artistas, que residem em Boa Vista, Roraima, também sentiram os tremores, mas sem consequências graves para a cidade brasileira.
A vida em Ribeirão Preto e o elo com a terra natal
A história de Estefany e Gabriely é um reflexo da realidade de muitos venezuelanos que buscaram refúgio e novas oportunidades no Brasil. Radicadas em Ribeirão Preto, elas construíram uma carreira na música sertaneja, integrando-se à cultura local, mas mantendo um forte vínculo com suas origens.
A distância, no entanto, não diminui o impacto emocional de uma tragédia como os terremotos na Venezuela. O desespero por não ter notícias de amigos e a preocupação com a situação do país natal são sentimentos compartilhados por milhares de imigrantes. A solidariedade e o apoio mútuo tornam-se ainda mais essenciais nesses momentos de crise humanitária.
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