A delegação brasileira encerrou sua participação nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, com uma performance espetacular, consolidando-se na liderança do quadro geral de medalhas. O evento, que culminou na noite da última quarta-feira (15) de julho de 2026, viu o Brasil acumular um total impressionante de 248 pódios, sendo 110 medalhas de ouro, 86 de prata e 52 de bronze.
Um dos momentos mais emblemáticos e celebrados dessa campanha vitoriosa foi a conquista da medalha de ouro no futebol de cegos, modalidade que trouxe um sabor especial de revanche ao derrotar a arquirrival Argentina. Este triunfo não apenas coroou a jornada brasileira, mas também marcou o encerramento dos jogos de forma dourada, assim como seu início.
Ouro no Futebol de Cegos: Uma Revanche Dourada
A final do futebol de cegos foi um capítulo à parte na história dos Jogos Parasul-Americanos. O confronto contra os hermanos, que atualmente detêm o título de campeões mundiais, era aguardado com grande expectativa e tinha um forte componente de revanche. A Argentina havia superado o Brasil em dois encontros decisivos recentes: a final da Copa América de 2022, disputada em Córdoba, e a semifinal da Paralimpíada de Paris, em 2024.
A tensão e a rivalidade em campo eram palpáveis, mas coube a Nonato, um nome já conhecido por decidir grandes jogos, balançar as redes. O atleta, que já havia sido o carrasco argentino na final dos Jogos de Tóquio em 2021, marcando o gol que garantiu o quinto título paralímpico aos brasileiros, repetiu o feito. Seu gol no início da etapa final selou a vitória brasileira, garantindo o ouro na competição realizada na cidade de Agustín Codazzi, a cerca de 62 quilômetros de Valledupar.
Este torneio representa o pontapé inicial para o ciclo da Paralimpíada de Los Angeles, em 2028, e a vitória reforça a força do futebol de cegos brasileiro no cenário internacional. Ainda em 2026, em setembro, o Brasil terá a honra de sediar a Copa América da modalidade no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, um evento que promete consolidar ainda mais a paixão e o talento nacional.
Destaques no Quadro de Medalhas e Outras Conquistas
Além do emocionante ouro no futebol de cegos, a delegação brasileira demonstrou sua versatilidade e excelência em diversas outras modalidades no último dia dos Jogos. Foram 30 medalhas conquistadas, sendo 13 delas de ouro, solidificando a liderança do país no quadro geral.
Na natação, o mineiro Arthur Xavier brilhou intensamente, subindo ao pódio duas vezes para receber o ouro. Ele se destacou nos 200 metros medley e no revezamento 4×100 metros medley, ambos na classe S14, destinada a atletas com deficiência intelectual. Suas vitórias ressaltam a profundidade do talento brasileiro nas piscinas.
O atletismo também contribuiu significativamente para o sucesso do Brasil. Nas provas de campo, a potiguar Jardênia Félix conquistou o ouro no salto em distância da classe T20, para atletas com deficiência intelectual, uma prova de sua recuperação após o bronze no Campeonato Mundial de Paris em 2023. O carioca Wallace dos Santos também garantiu o ouro no arremesso de peso, competindo na categoria que uniu as classes F54 e F55, para atletas cadeirantes.
No badminton, David Lima, de São Paulo, foi outro grande destaque, conquistando dois ouros. Ele venceu na chave masculina da classe SU5, para atletas com deficiência de membros superiores, e também na dupla mista, ao lado da paranaense Kauana Beckenkamp, em uma parceria que incluiu a classe SL3, para atletas com comprometimento de membro inferior que conseguem andar.
O tiro com arco encerrou a participação brasileira com três medalhas de ouro. A goiana Jane Karla Gögel, ex-número um do mundo na classe Open (para atletas com deficiência em um ou dois membros), superou a cearense Helena Nunes em uma final emocionante, garantindo uma dobradinha brasileira. Na classe W1, para deficiências graves, o cearense Eugênio Franco, de 66 anos e o atleta mais experiente da delegação, conquistou o ouro masculino ao vencer o chileno Victor Bocaz. Entre as mulheres, a paranaense Juliana da Silva também levou o ouro, superando a chilena Mariela Carrasco.
A Delegação Brasileira e o Legado Paralímpico
A delegação brasileira nos Jogos Parasul-Americanos foi composta por 237 representantes, distribuídos em 13 modalidades, demonstrando a amplitude e a diversidade do esporte paralímpico no país. Além dos atletas, a equipe contou com quatro guias para o atletismo, quatro pilotos para o ciclismo e dois goleiros para o futebol de cegos, essenciais para as disputas de atletas com deficiência visual. Dois calheiros também integraram a equipe, oferecendo auxílio aos competidores com maior comprometimento motor na bocha.
Esta edição dos Jogos, a segunda de sua história, reforça a importância de eventos multiesportivos para o desenvolvimento e a visibilidade do paradesporto na América do Sul. A primeira edição ocorreu em 2014, em Santiago, Chile, onde o Brasil já havia se destacado, conquistando o segundo lugar no quadro de medalhas com 104 pódios, atrás da Argentina. A história dos jogos também registra que a Argentina, que seria a anfitriã em 2018, acabou recuando da organização por questões financeiras, o que sublinha os desafios e a resiliência necessários para a realização desses grandes eventos.
A performance do Brasil em Valledupar não é apenas uma coleção de medalhas, mas um testemunho do investimento, dedicação e talento dos paratletas brasileiros. Ela inspira novas gerações e consolida o país como uma potência no esporte paralímpico global, preparando o terreno para futuros desafios e conquistas. Para mais informações sobre o esporte paralímpico, você pode consultar a Agência Brasil.
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