PUBLICIDADE

Brasileiro relata drama de deportação e quatro dias de detenção em Portugal

Estudante brasileiro relata quatro dias de detenção em aeroporto de Portugal antes de ser deportado, mesmo com documentação em processo.
Brasileiro relata drama de deportação e quatro dias de detenção em Portugal
Foto: Arquivo pessoal

O estudante brasileiro Kauê Matos, de 19 anos, viveu um pesadelo burocrático e humano ao ser impedido de retornar à sua residência em Portugal. Após passar quatro dias detido em uma sala de retenção no aeroporto de Lisboa, o jovem foi deportado para o Brasil, mesmo com um processo de regularização migratória em andamento. O relato de Kauê expõe as dificuldades enfrentadas por imigrantes diante da morosidade da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Condições precárias e falta de comunicação

Durante o período em que permaneceu retido no aeroporto, Kauê descreveu um cenário de abandono e falta de higiene. Segundo o estudante, o local apresentava odores fortes, roupas de cama sujas e acomodações que lembravam macas hospitalares em estado precário. Nos primeiros dois dias, o jovem sequer teve permissão para encontrar seus familiares, que residem no país há dois anos. A comunicação foi severamente prejudicada pela instabilidade da conexão de internet no terminal.

A situação foi agravada por orientações contraditórias das autoridades. Em um dos episódios, Kauê chegou a ser embarcado em uma aeronave com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, apenas para ser retirado do avião momentos antes da decolagem por policiais, sob a justificativa de que a deportação não ocorreria. A incerteza sobre o seu destino final perdurou até o último momento, quando foi forçado a embarcar sem aviso prévio à família ou ao seu representante legal.

O labirinto burocrático da AIMA

O caso de Kauê reflete um problema estrutural enfrentado por milhares de estrangeiros em solo português. A família do jovem, que chegou ao país em 2024, dependia da regularização via “manifestação de interesse”, um processo que, na prática, sofreu atrasos significativos, estendendo-se por dois anos. Quando o estudante completou 18 anos, a estratégia de reagrupamento familiar tornou-se juridicamente mais complexa, forçando a busca por uma autorização de residência para estudantes.

O advogado da família, Renato Teixeira, aponta que a falha no sistema da AIMA é o principal entrave. O formulário necessário para a solicitação de residência estudantil estava indisponível no site oficial, e as tentativas de agendamento telefônico resultavam em horas de espera sem sucesso. A falta de canais de atendimento eficazes obriga muitos imigrantes a judicializarem questões que deveriam ser resolvidas administrativamente, um caminho muitas vezes inacessível para famílias de baixa renda.

Desenlace e próximos passos

O desfecho do caso trouxe um sentimento de revolta para o estudante e seus pais: logo após o desembarque de Kauê no Brasil, o processo que garantiria sua permanência em Portugal foi aprovado. “Se eu não tivesse sido deportado naquela hora, estaria livre na minha casa”, lamentou o jovem. Agora, a família busca auxílio jurídico para reverter a situação e permitir que ele retorne a tempo de retomar seus estudos no ensino médio em setembro.

Em nota, a AIMA afirmou que pedidos de nacionalidade são competência do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) e que a fiscalização de fronteiras cabe à Polícia de Segurança Pública (PSP). Ambos os órgãos não responderam aos questionamentos até o fechamento desta reportagem. O caso segue sob análise da defesa. Para mais informações sobre este e outros temas que impactam a comunidade, continue acompanhando o Portal Bairro do Ipiranga SP, seu compromisso diário com a notícia apurada e o contexto regional.

Para mais detalhes sobre o caso, acesse a reportagem original no g1.

Leia mais

Acesse nosso Perfil

PUBLICIDADE