A tranquilidade do lar de uma família em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, foi interrompida por um incidente alarmante que colocou em risco a vida de sua cachorra de estimação. Lola, uma vira-lata de 3 anos, foi gravemente ferida no último sábado (22) por uma linha de pipa com cerol enquanto brincava no quintal de sua casa, localizada no bairro Cristo Redentor, na Zona Norte da cidade. O caso, que exigiu internação e cuidados intensivos, reacende o debate sobre os perigos do cerol e a urgência de fiscalização.
O tutor de Lola, Leonardo Gabriel Calixto de Oliveira, encontrou a cachorra sangrando e com múltiplos ferimentos pelo corpo, um cenário que mobilizou a família em busca de socorro imediato. A gravidade das lesões, causadas pela substância cortante presente na linha, levou Lola a ser primeiramente atendida em uma clínica veterinária em Ribeirão Preto e, posteriormente, transferida para Sertãozinho (SP) para tratamento especializado. A cachorra recebeu alta na segunda-feira (24) e, embora já esteja em casa, enfrenta um período de recuperação que incluirá tratamento dos ferimentos por, pelo menos, mais duas semanas.
O Perigo Silencioso e Letal do Cerol
O cerol, uma mistura de cola e vidro moído, é amplamente conhecido por sua capacidade de cortar, sendo utilizado ilegalmente para tornar as linhas de pipa mais afiadas em competições informais. No entanto, sua periculosidade transcende as brincadeiras, representando uma ameaça séria para a vida de pessoas e animais. Motociclistas, ciclistas e pedestres são vítimas frequentes de acidentes com linhas de cerol, que podem causar cortes profundos, desmembramentos e até a morte.
A gravidade da situação é sublinhada por tragédias recentes. Em julho de 2023, um menino de 7 anos morreu em Ribeirão Preto após ser atingido por uma linha de cerol, um lembrete doloroso dos riscos envolvidos. Casos como o de Lola, embora não fatais, expõem a vulnerabilidade dos animais e a irresponsabilidade de quem utiliza esses materiais cortantes, transformando um passatempo em uma atividade de alto risco.
A Luta pela Recuperação de Lola e o Apelo por Justiça
Lola, que precisou levar seis pontos para fechar as feridas, agora se recupera sob os cuidados de sua família. A experiência traumática, no entanto, deixou uma marca profunda. Leonardo Gabriel Calixto de Oliveira, tutor da cachorra, expressou sua indignação e preocupação com a recorrência de incidentes envolvendo cerol no bairro Cristo Redentor.
Seu apelo por mais fiscalização reflete um sentimento compartilhado por muitos moradores que veem a prática ilegal como uma ameaça constante à segurança da comunidade. A recuperação de Lola é um alívio, mas o incidente serve como um alerta para a necessidade de ações mais eficazes por parte das autoridades e da própria população.
Legislação e Ações de Fiscalização Contra o Cerol
Em Ribeirão Preto, a Lei Municipal nº 7.642/1997 é clara: o uso, a venda e o armazenamento de cerol e linhas cortantes são proibidos. Aqueles que desrespeitam a legislação podem enfrentar sérias consequências legais, incluindo a acusação de crime de perigo para a vida. Em situações mais graves, onde há vítimas, os responsáveis podem responder por homicídio culposo ou doloso, dependendo da intencionalidade e das circunstâncias do acidente.
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Ribeirão Preto, procurada pela EPTV, informou que realiza patrulhamento ostensivo na região do Cristo Redentor. O objetivo é orientar a população sobre os perigos do cerol e coibir seu uso. Além disso, a GCM apoia as vistorias realizadas pela Fiscalização Geral em estabelecimentos comerciais para evitar a venda e o armazenamento desses materiais proibidos. No entanto, a persistência dos casos, como o de Lola, indica que os esforços precisam ser contínuos e, talvez, intensificados.
Conscientização e o Papel da Comunidade
A segurança pública e a proteção dos animais e cidadãos contra o cerol não dependem apenas da atuação das autoridades. A conscientização da população desempenha um papel fundamental. É essencial que pais e responsáveis orientem crianças e adolescentes sobre os riscos e as proibições relacionadas ao uso de linhas cortantes. A denúncia de práticas ilegais também é um instrumento poderoso na luta contra o cerol.
Cidadãos que testemunharem o uso, a venda ou o armazenamento de cerol podem e devem denunciar. Os canais disponíveis para isso são os telefones 190 da Polícia Militar e 153 ou 156 da GCM. A colaboração da comunidade é vital para garantir que tragédias como a que quase vitimou Lola, ou a que ceifou a vida do menino de 7 anos, sejam evitadas no futuro, promovendo um ambiente mais seguro para todos.
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