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Indústria e trabalho criticam corte ‘tímido’ da Selic, agora em 13,75% ao ano

A redução da Selic para 13,75% ao ano foi considerada insuficiente por entidades da indústria e do trabalho, que pedem cortes mais expressivos.
Indústria e trabalho criticam corte 'tímido' da Selic, agora em 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou uma nova redução na taxa básica de juros da economia, a Selic, que agora se encontra em 13,75% ao ano. A decisão, que representa um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar anterior de 14%, marca a quinta redução consecutiva no ciclo de afrouxamento monetário. No entanto, a medida foi recebida com ressalvas e críticas por importantes representações da economia brasileira, que a consideraram “tímida” e insuficiente para aliviar a pressão financeira sobre empresas e famílias, apontando para a necessidade de um ritmo mais acelerado nos cortes.

A decisão do Copom, divulgada nesta quarta-feira (16), reflete a complexidade do cenário econômico nacional, onde a busca pela estabilidade de preços se equilibra com a necessidade de estimular o crescimento. A taxa Selic é um instrumento fundamental de política monetária, influenciando diretamente o custo do crédito e o desempenho da economia como um todo. Embora o Banco Central tenha optado por uma abordagem cautelosa, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades argumentam que a prudência excessiva pode frear a recuperação econômica. O BC reduziu de 14% para 13,75% ao ano a Selic, mas a repercussão mostra que a expectativa era por um movimento mais ousado.

Voz da Indústria: CNI Pede Mais Audácia

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução de 0,25 ponto percentual na Selic demonstra um excesso de cautela por parte do Copom. Em nota oficial, a entidade ressaltou a trajetória consistente de desaceleração da inflação, que alcançou 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, e a melhora das expectativas de mercado, que indicam uma convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a importância de o Banco Central manter a trajetória de queda nos juros, alertando que a manutenção da taxa básica em um patamar tão restritivo por um período prolongado impõe à economia um custo desnecessariamente alto para assegurar a estabilidade de preços.

Segundo a CNI, há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a meta inflacionária, especialmente considerando que, mesmo após a redução, a política monetária brasileira permanece austera. Com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, significativamente acima da taxa real neutra estimada pelo próprio Banco Central, de 5% ao ano. Essa diferença de quatro pontos percentuais indica que a economia ainda opera sob um regime de juros que restringe o investimento e o consumo.

Trabalhadores Clamam por Juros Mais Baixos

As centrais sindicais também se manifestaram, expressando desapontamento com a modesta redução. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) reconheceu a queda como um passo na direção certa, mas a classificou como insuficiente diante do patamar ainda muito elevado dos juros no país. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou que a Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos, e que uma redução mais expressiva abriria um espaço mais amplo para um crédito mais barato ao consumidor, mesmo com a defasagem natural.

Para Ribeiro, a desaceleração dos preços e da economia cria condições propícias para que o Banco Central seja mais ousado no corte dos juros. Ela argumentou que o debate sobre a Selic deve ir além dos indicadores do mercado financeiro, pois juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e uma redução significativa do custo financeiro que onera famílias, empresas e o orçamento público.

A Força Sindical corroborou a avaliação, considerando o corte de 0,25 ponto percentual como “muito tímido” e um verdadeiro “balde de água fria” para as expectativas de recuperação econômica no quarto trimestre do ano (outubro, novembro e dezembro). A central lamentou a perda de uma “excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia”. A Força Sindical criticou a política do Banco Central, que, em sua visão, concentra renda nas mãos de banqueiros e especuladores, mantendo a taxa de juros em patamares proibitivos para o setor produtivo e para a geração de empregos. A entidade concluiu que essa política de juros altos diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula os investimentos, comprometendo o crescimento econômico e a distribuição de renda.

Impacto na Construção Civil e Desafios Futuros

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também se posicionou, considerando a redução da taxa Selic como positiva, mas enfatizando a necessidade de continuidade desse movimento. A entidade alertou que a Selic permanece em um patamar elevado, o que impõe desafios consideráveis ao setor produtivo e limita uma retomada mais consistente do crédito e dos investimentos, cruciais para a construção civil. Eduardo Almeida, presidente da CBIC, destacou que o atual patamar da Selic, um dos mais elevados do mundo, evidencia a magnitude do desafio enfrentado pelos empresários brasileiros, especialmente em um setor como a construção, que depende intensamente de crédito e possui um ciclo produtivo longo.

Ele lembrou que o país tem enfrentado juros de dois dígitos desde o início de 2022, um cenário que exige previsibilidade e um ambiente macroeconômico estável para estimular novos investimentos e permitir a continuidade sustentável da redução dos juros. A dependência do setor por financiamentos e a longa duração dos projetos tornam a construção civil particularmente sensível às variações da Selic, impactando desde a viabilidade de novos empreendimentos até o acesso à moradia pela população.

O debate em torno da taxa Selic e seu impacto na economia brasileira continua intenso, evidenciando a complexa relação entre controle inflacionário e estímulo ao crescimento. Enquanto o Banco Central busca equilibrar a estabilidade de preços com a saúde econômica, setores cruciais como a indústria, o trabalho e a construção civil clamam por medidas mais incisivas que possam impulsionar a atividade produtiva e melhorar as condições de vida da população. Acompanhe as análises e desdobramentos dessa e de outras notícias relevantes para o cenário econômico e social do Brasil. O Portal Bairro do Ipiranga SP está comprometido em trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os temas que impactam o seu dia a dia.

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