O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, trouxe uma avaliação tranquilizadora sobre o risco de disseminação global do vírus ebola. Em visita ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira, 27 de julho de 2026, Adhanom declarou que, apesar do surto ativo na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, a probabilidade de a doença se espalhar para o restante do mundo é considerada baixa. A declaração surge em um momento de preocupação global com a saúde pública, onde a memória da pandemia de COVID-19 ainda está fresca.
Apesar da garantia, o surto atual na África tem sido severo. Desde maio de 2026, quando a emergência foi declarada, mais de 3 mil casos de ebola foram confirmados, resultando em cerca de 1,4 mil mortes. A vasta maioria dessas fatalidades ocorreu na RDC, epicentro da doença, mas o vírus também alcançou a vizinha Uganda, acendendo um alerta regional. No entanto, Tedros Adhanom enfatizou que a natureza da transmissão do ebola é um fator crucial para conter sua propagação em larga escala.
Ebola: avaliação da OMS e o cenário de transmissão
Ao explicar a baixa probabilidade de uma pandemia de ebola, Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou a forma de contágio do vírus. “O risco para o resto do mundo ainda é baixo. Como o ebola é transmitido por contato intenso e não pelo ar, como a covid, não esperamos que se transforme em uma pandemia, pela própria natureza [do vírus]”, afirmou o diretor-geral. Essa distinção é fundamental para entender por que, apesar da letalidade do ebola, sua capacidade de se espalhar globalmente é limitada em comparação com patógenos respiratórios.
Historicamente, o ebola tem se mantido predominantemente restrito às regiões africanas onde os surtos ocorrem. Desde sua descoberta, há cerca de 50 anos, foram registrados apenas 30 casos fora das áreas de surto no continente africano. Contudo, a situação regional exige vigilância máxima. Adhanom ressaltou que, embora o risco global seja baixo, o perigo para os países vizinhos ao epicentro do surto na RDC é consideravelmente alto, evidenciado pela chegada da doença a Uganda. A OMS e seus parceiros estão empenhados em conter o vírus na RDC, mas a complexidade do cenário local impõe desafios significativos.
Conflitos armados dificultam resposta ao surto de ebola na RDC
A contenção do surto de ebola na República Democrática do Congo é agravada por um cenário de instabilidade e conflito. A região leste do país, onde o surto está mais concentrado, é palco de conflitos armados persistentes, o que dificulta enormemente os esforços de saúde pública. “Então, a resposta ao ebola é muito difícil. Além disso, por causa do conflito armado, há o deslocamento e milhões de pessoas estão em acampamentos”, explicou Tedros Adhanom. A movimentação populacional e a insegurança impedem o acesso de equipes médicas, a realização de campanhas de vacinação e o rastreamento de contatos, elementos cruciais para controlar a doença.
Enquanto a RDC enfrenta essas adversidades, Uganda, que também registrou casos, tem demonstrado maior sucesso na gestão da crise. “Uganda está lidando com isso [a doença] e está com ela sob controle”, pontuou o diretor da OMS. Essa diferença na capacidade de resposta sublinha a importância da estabilidade política e da infraestrutura de saúde para a eficácia das medidas de controle de epidemias. A comunidade internacional, embora preste apoio, é constantemente lembrada da necessidade de intensificar os esforços e a cooperação para superar os obstáculos impostos pela violência. Para mais informações sobre o ebola, visite o site da Organização Mundial da Saúde.
Reconhecimento à Fiocruz e a trajetória de Tedros Adhanom
A visita de Tedros Adhanom ao Brasil não se limitou às discussões sobre o ebola. Nesta segunda-feira, ele foi homenageado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, com o título de Doutor Honoris Causa. A honraria é um reconhecimento à sua liderança global em saúde e à relevância da Fiocruz no cenário científico e sanitário mundial. “A Fiocruz é um líder em equidade sanitária e um líder na cooperação Sul-Sul. E também um farol de esperança não apenas para a América Latina, em termos de pesquisa e excelência científicas, como para o resto do mundo”, declarou Adhanom, enaltecendo a instituição brasileira.
A trajetória de Tedros Adhanom Ghebreyesus é marcada por pioneirismo e dedicação à saúde pública. Eleito diretor-geral da OMS em maio de 2017, tornou-se o primeiro africano a assumir o comando da principal autoridade sanitária do planeta. Sua gestão foi notável pela coordenação dos esforços internacionais no enfrentamento à pandemia de COVID-19, um desafio sem precedentes na história recente. Nascido na Eritreia, sua formação acadêmica inclui um bacharelado em biologia pela Universidade de Asmara, um mestrado em imunologia e doenças infecciosas pela Universidade de Londres e um PhD em saúde comunitária pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Antes de liderar a OMS, Adhanom serviu como ministro da Saúde da Etiópia (2005-2012), onde foi fundamental na fundação de um sistema de saúde com cobertura universal, e posteriormente como ministro das Relações Exteriores (2012-2016). Sua experiência tanto na diplomacia quanto na saúde pública o posiciona como uma voz de autoridade e esperança em crises sanitárias globais.
Para mais informações sobre a saúde global e os desdobramentos de surtos como o do ebola, continue acompanhando as análises e reportagens aprofundadas do Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas para você, garantindo uma leitura completa e confiável sobre os temas que impactam a sua vida e a comunidade.

