PUBLICIDADE

Registro condicional de Elevidys para Duchenne é cancelado por Anvisa e Roche.

Anvisa e Roche cancelam registro condicional de Elevidys no Brasil. Decisão impacta tratamento de Distrofia Muscular de Duchenne após dados insuficientes.
Registro condicional de Elevidys para Duchenne é cancelado por Anvisa e Roche

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a farmacêutica Roche anunciaram nesta segunda-feira (24) o cancelamento do registro condicional do medicamento Elevidys® (delandistrogeno moxeparvoveque) no Brasil. A decisão, solicitada pela própria empresa, marca um ponto crucial na regulação de terapias avançadas para doenças raras e afeta diretamente o cenário de tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), uma condição genética grave e progressiva.

O registro condicional, uma modalidade de autorização temporária para uso ou comercialização de produtos no país, permite que medicamentos inovadores cheguem mais rapidamente aos pacientes, desde que haja um compromisso de apresentação posterior de dados complementares de eficácia e segurança. No entanto, a interrupção do registro do Elevidys® ocorreu após a constatação de que as informações fornecidas pela fabricante não foram suficientes para atender aos rigorosos requisitos regulatórios necessários para a manutenção dessa autorização.

O Elevidys e a Distrofia Muscular de Duchenne

O Elevidys® é um medicamento desenvolvido para tratar a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), uma doença genética rara que se caracteriza pela degeneração progressiva da musculatura. A condição é causada pela incapacidade do organismo de produzir distrofina, uma proteína essencial para a integridade e o funcionamento adequado dos músculos. Sem ela, os pacientes experimentam perda de massa muscular e fraqueza progressiva, que afeta a capacidade de andar e, eventualmente, funções vitais como a respiração e a cardíaca.

No Brasil, o Elevidys® havia sido autorizado para pacientes deambuladores, ou seja, crianças que ainda mantinham a capacidade de andar, com idades entre 4 e 7 anos, e que se enquadravam em critérios clínicos e laboratoriais específicos. A esperança em torno de terapias como essa é alta, dada a gravidade da DMD e a limitada gama de opções de tratamento disponíveis para retardar sua progressão.

A trajetória do registro condicional do Elevidys

A jornada do Elevidys® no Brasil começou em dezembro de 2024, quando obteve seu registro condicional. Essa autorização excepcional veio acompanhada da exigência de que a Roche apresentasse dados adicionais sobre a eficácia e segurança do medicamento. A medida visava equilibrar a urgência de acesso a uma terapia para uma doença rara com a necessidade de garantir a segurança dos pacientes.

Contudo, em julho de 2025, a comercialização do produto foi suspensa pela Anvisa, por meio da Resolução (RE) 2.813/2025. Essa decisão foi motivada por relatos de casos fatais de insuficiência hepática aguda em pacientes tratados com o Elevidys® nos Estados Unidos, levantando sérias preocupações sobre os benefícios e riscos da medicação. A agência reguladora brasileira aguardava novos estudos e respostas da farmacêutica para reavaliar a situação.

A gravidade dos alertas de segurança foi reforçada em junho deste ano, durante uma audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, onde os riscos associados ao produto foram amplamente discutidos. Desde então, a Anvisa intensificou suas exigências, solicitando à Roche a apresentação de dados consolidados de segurança, com foco especial na insuficiência hepática aguda.

Motivação para o cancelamento e compromissos da Roche

Apesar da interação contínua e da apresentação de informações complementares pela Roche, a Anvisa concluiu que os dados disponíveis não foram suficientes para sustentar a manutenção do registro condicional. A decisão de cancelamento, publicada no Diário Oficial da União, reflete o compromisso da agência com a segurança e a saúde pública, baseando-se nas melhores evidências científicas.

É importante ressaltar que o cancelamento do registro não isenta a Roche de suas responsabilidades. A empresa mantém a obrigação de acompanhar os pacientes que foram previamente expostos ao medicamento, tanto nos estudos clínicos quanto nos programas de acesso existentes. Isso inclui as crianças brasileiras que receberam o Elevidys® entre dezembro de 2024 e julho de 2025, garantindo que recebam o suporte necessário.

Em nota, a Roche reafirmou seu empenho com o programa clínico do Elevidys® e com a apresentação das evidências necessárias, destacando o compromisso com a saúde da população e com decisões regulatórias fundamentadas na ciência, especialmente no campo das terapias avançadas para doenças graves e raras.

O cenário das terapias para DMD e o novo medicamento

Apesar do revés com o Elevidys®, o campo de tratamento para a Distrofia Muscular de Duchenne continua a avançar. Em um desenvolvimento paralelo e promissor, a Anvisa aprovou na última quinta-feira (13) o registro de outro medicamento para pacientes com DMD: o Duvyzat (givinostate). Estudos clínicos demonstraram que este novo produto tem a capacidade de retardar a progressão da doença, oferecendo uma nova esperança para pacientes e suas famílias no Brasil.

A atuação da Anvisa nesse cenário complexo de doenças raras e terapias avançadas reforça a importância da vigilância sanitária para a proteção da saúde pública. Decisões como o cancelamento do registro do Elevidys®, embora difíceis, são cruciais para assegurar que apenas tratamentos com segurança e eficácia comprovadas estejam disponíveis à população. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes sobre saúde, ciência e o impacto dessas decisões no seu dia a dia, mantenha-se informado com o Portal Bairro do Ipiranga SP, seu portal de notícias completo e contextualizado.

Leia mais

Acesse nosso Perfil

PUBLICIDADE