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Fila de exames em Araraquara: quase 15 mil pacientes sofrem com espera por procedimentos no SUS

Fila de exames em Araraquara chega a quase 15 mil pacientes, que aguardam por ultrassonografia, colonoscopia e endoscopia na rede pública, gerando
Fila de exames em Araraquara: quase 15 mil pacientes sofrem com espera por procedimentos no SUS
1 de 3 Aposentado está aguardando consulta com nefrologista em Araraquara, SP — Foto: EPTV/Reprodução

A saúde pública em Araraquara, no interior de São Paulo, enfrenta um desafio significativo com a crescente fila de espera por exames essenciais. Atualmente, quase 15 mil pacientes aguardam por procedimentos como ultrassonografia, colonoscopia e endoscopia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A situação tem gerado angústia e medo entre os moradores, que convivem com dores e a incerteza sobre o agravamento de suas condições de saúde.

A demora no acesso a diagnósticos precisos não apenas prolonga o sofrimento dos pacientes, mas também pode comprometer a eficácia dos tratamentos, transformando problemas de saúde tratáveis em condições mais complexas e graves. A Prefeitura de Araraquara, questionada pela EPTV, afiliada da TV Globo, sobre medidas para reduzir essas filas, previsão de realização dos exames e tempo de espera para outros procedimentos, não se posicionou até o momento.

A Angústia da Espera por Diagnóstico

A espera por exames e consultas especializadas é um dos maiores gargalos do SUS em diversas regiões do Brasil, e Araraquara não é exceção. Para milhares de pessoas, essa espera significa viver com a dor constante e a preocupação de que a doença avance sem o devido acompanhamento. A falta de um diagnóstico rápido pode atrasar o início de um tratamento adequado, impactando diretamente a qualidade de vida e as chances de recuperação dos pacientes.

A situação é ainda mais crítica para aqueles que dependem exclusivamente da rede pública, sem condições de arcar com os custos de exames e consultas na rede particular. A promessa de um sistema de saúde universal e igualitário se choca com a realidade de filas extensas e a falta de respostas, deixando a população em uma posição de vulnerabilidade.

O Drama de João Bruscino Filho e a Urgência Renal

Entre os milhares de pacientes afetados está o aposentado João Bruscino Filho, cuja história ilustra a gravidade da situação. Há dois meses, João sentiu fortes dores nos rins e urinou sangue, um sinal de alerta que o levou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, posteriormente, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araraquara.

Após três dias na UPA, ele foi transferido para São Carlos, onde permaneceu por mais cinco dias devido a uma falha na filtragem dos rins. A médica que o atendeu recomendou uma consulta urgente com um nefrologista, especialista em doenças renais. No entanto, passados dois meses, João ainda não conseguiu agendar essa consulta e não tem previsão de atendimento.

A preocupação de João é palpável: “A probabilidade de aumentar é maior e de amanhã eu ser obrigado a fazer uma hemodiálise porque não tratou na época certa”, desabafou. A incerteza sobre seu futuro e o risco de um tratamento mais invasivo e complexo aumentam a cada dia de espera, enquanto sua pressão arterial sobe “vertiginosamente”, exigindo medicação constante.

Maria José Pereira: Dores Crônicas e a Batalha pelo Tratamento

A faxineira Maria José Pereira compartilha um drama semelhante. Com seis hérnias de disco, bursite na lombar e bico de papagaio, ela convive com dores fortíssimas nas costas, pernas e braços. Maria esperou quase dois anos por uma ressonância, exame que finalmente revelou a extensão de seus problemas de coluna. Desde então, está afastada do trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há cerca de dois anos.

Apesar do diagnóstico, a jornada de Maria por tratamento continua árdua. A médica clínica geral que a acompanha solicitou uma nova ressonância e uma colonoscopia, mas esses exames ainda não foram agendados. Além disso, a avaliação e acompanhamento de um neurologista foram solicitados, mas, após seis meses, Maria ainda não obteve resposta para o agendamento.

A falta de um relatório médico de um especialista impede Maria de regularizar sua situação no INSS, levando a prorrogações constantes e períodos sem receber o benefício. “Está difícil, seis meses. Como que eu vou fazer quando eu aleijada do braço?”, questiona, expressando o desespero de não conseguir trabalhar e a frustração com a burocracia. Ela relata que a cada consulta, a médica “passa um diferente” ou “aumenta a dose” de remédios, sem que a causa raiz seja devidamente tratada.

Silêncio Oficial e os Desafios da Gestão em Saúde Pública

O levantamento da Prefeitura de Araraquara, realizado em setembro, confirmou a existência de quase 15 mil pessoas na fila por ultrassonografia, endoscopia e colonoscopia. A ausência de um posicionamento oficial por parte da administração municipal sobre as medidas para solucionar ou, ao menos, mitigar essa crise, agrava a sensação de desamparo da população.

A transparência e a comunicação clara sobre os planos de ação são fundamentais para restaurar a confiança dos cidadãos no sistema de saúde. A demora em exames diagnósticos não é apenas um problema local; ela reflete desafios estruturais na gestão da saúde pública, que incluem a necessidade de maior investimento em infraestrutura, equipamentos e profissionais, além de uma otimização dos processos de agendamento e encaminhamento.

A garantia de acesso a exames e consultas especializadas é um direito fundamental e um pilar para a prevenção de doenças e a promoção da saúde. A situação em Araraquara serve como um alerta para a urgência de políticas públicas eficazes que priorizem a vida e o bem-estar dos cidadãos, garantindo que a espera por um diagnóstico não se transforme em uma sentença de agravamento da doença.

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