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Fraude financeira de R$ 225 milhões com duplicatas fictícias é alvo de operação em SP

Fraude financeira de R$ 225 milhões com duplicatas fictícias é desvendada no interior de SP. Polícia Civil apreende bens e investiga lavagem de dinheiro.
meio de uma empresa de fachada no ramo alimentício que emitia notas fiscais e du
Reprodução G1

Uma complexa rede de fraudes financeiras, que teria movimentado impressionantes R$ 225 milhões, foi desvendada pela Polícia Civil de Piracicaba, no interior de São Paulo. A operação, batizada de “Duplicata Fantasma”, mirou um grupo que utilizava empresas de fachada e títulos de crédito falsos para enganar fundos de investimento e securitizadoras, gerando prejuízos milionários e levantando sérias questões sobre a fiscalização no mercado financeiro.

Nesta sexta-feira, 26 de janeiro, a ação policial resultou no cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão em oito cidades de São Paulo e Minas Gerais. Durante a operação, foram apreendidos três carros de alto valor, além de documentos, contratos, anotações contábeis, equipamentos eletrônicos e uma quantia significativa em dinheiro vivo. Sete pessoas foram levadas para prestar depoimento, mas ninguém foi preso neste primeiro momento, enquanto as investigações prosseguem para localizar o mentor do esquema e outros envolvidos.

O intrincado modus operandi da fraude

As investigações da Polícia Civil revelaram um esquema sofisticado que se baseava na emissão de notas fiscais e duplicatas frias. No centro da fraude estava uma empresa de fachada, supostamente do ramo alimentício, que gerava esses documentos falsos em nome de outras empresas fictícias. Uma duplicata é, por definição, um título de crédito essencial no comércio brasileiro, emitido para formalizar vendas a prazo ou prestação de serviços, servindo como promessa de pagamento e permitindo a antecipação de valores no mercado financeiro.

O delegado Ivan Constâncio explicou que esses títulos falsos eram então vendidos a fundos de investimento e securitizadoras. Essas últimas são instituições financeiras especializadas em converter dívidas e direitos de recebimento futuros em títulos negociáveis. “Hipoteticamente, se o título valesse R$ 10 mil, as securitizadoras pagavam 80% do valor. A empresa recebia R$ 8 mil e tinha esses R$ 2 mil que seriam os juros, a mora, o lucro dessas securitizadoras”, detalhou Constâncio.

A construção da confiança e o colapso do esquema

A estratégia do grupo criminoso incluía uma fase inicial de operação aparentemente legítima. Segundo o delegado, o esquema funcionou de maneira correta no início, o que foi crucial para construir uma reputação e gerar confiança no mercado financeiro. Essa credibilidade inicial incentivou as securitizadoras a aumentar seus aportes mês a mês, acreditando na solidez e na capacidade de pagamento da empresa.

No entanto, com o aumento exponencial dos valores aportados, o esquema se tornou insustentável. A empresa de fachada, que já havia acumulado milhões em investimentos, simplesmente deixou de honrar os pagamentos e “desapareceu”. O local físico foi fechado, e os funcionários, demitidos, deixando um rastro de prejuízos milionários para as securitizadoras que confiaram nos títulos fictícios. Essa dinâmica ressalta a vulnerabilidade do mercado a fraudes bem elaboradas, onde a confiança é manipulada para facilitar grandes desvios de recursos.

Lavagem de dinheiro: o ciclo da ilicitude

Além da fraude inicial, as investigações aprofundaram-se na fase de lavagem de dinheiro, um processo crítico para reinserir os valores ilícitos na economia formal. Inicialmente, o dinheiro obtido com a venda das duplicatas falsas era usado para abrir outras empresas, que posteriormente também eram fechadas. Os valores eram então repassados para pessoas físicas e movimentados entre diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.

Os recursos eram “lavados” por meio de diversas estratégias, incluindo a compra de imóveis com valores superfaturados, a aplicação em planos de previdência privada e a aquisição de veículos de luxo, frequentemente pagos em dinheiro vivo. Essas táticas são comuns em esquemas de lavagem, visando dar uma aparência de legalidade ao dinheiro obtido ilegalmente. A descapitalização da organização criminosa, por meio da apreensão de bens, é uma medida fundamental para tentar ressarcir as vítimas e desmantelar a estrutura financeira do grupo.

A Operação Duplicata Fantasma e seus desdobramentos

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