Em um movimento significativo para aprimorar a dinâmica do esporte no país, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino aprovaram, em reunião realizada no Rio de Janeiro, a implementação de novas regras de arbitragem para as competições nacionais. A decisão, que entra em vigor de forma imediata, visa principalmente reduzir o tempo de paralisação e aumentar o período de bola rolando durante as partidas.
As mudanças impactarão diretamente as séries A, B, C e D do futebol masculino, a Série A1 feminina – que conta com transmissão ao vivo pela TV Brasil – e a Copa do Brasil. A iniciativa reflete uma tendência global do futebol, buscando um jogo mais fluido e atrativo para torcedores e atletas, alinhando-se às diretrizes da International Board (IFAB), órgão responsável por definir e alterar as leis do esporte.
A busca por mais tempo de bola rolando
O principal objetivo das novas regras é combater a perda de tempo excessiva durante os jogos. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) estabelece como meta um mínimo de 60 minutos de bola em jogo por partida. No entanto, um estudo da empresa de dados Opta, a pedido da CBF, revelou que, antes da pausa para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando na Série A do Brasileirão masculino era de apenas 52 minutos e 54 segundos.
Esse número fica aquém de ligas europeias de destaque, como as da França e Alemanha, que registram uma média de 56 minutos e 17 segundos. A estimativa da CBF, baseada no relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, é que as novas diretrizes possam adicionar entre 5 minutos e 49 segundos a 6 minutos e 22 segundos de tempo útil de jogo, tornando as partidas mais intensas e com menos interrupções.
Padronização e capacitação para um jogo mais fluido
Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF, enfatizou que a transformação do diagnóstico em ações concretas passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros. Ele ressaltou, contudo, que o sucesso da iniciativa também depende da participação ativa dos clubes e dos jogadores. “O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Góes, destacando a importância da colaboração de todos os envolvidos para alcançar a meta de um espetáculo mais dinâmico.
A adoção dessas medidas representa um passo importante para o futebol brasileiro, que busca se alinhar às melhores práticas internacionais e oferecer um produto mais competitivo e emocionante. A expectativa é que, com a redução das paralisações, a qualidade técnica e a intensidade das partidas aumentem, beneficiando tanto os atletas quanto os milhões de torcedores apaixonados pelo esporte.
As dez mudanças que chegam aos gramados
Das dez alterações aprovadas, nove entram em vigor imediatamente, enquanto uma será aplicada apenas a partir de 2027. As regras visam coibir a perda de tempo e garantir mais controle disciplinar:
- 8 segundos com a bola nas mãos: Se o goleiro exceder o limite, é marcado escanteio ao time adversário.
- 5 segundos para arremesso lateral: Caso o jogador ultrapasse o tempo, a cobrança passa para o outro time.
- 5 segundos para cobrar tiro de meta: O árbitro conta a partir do apito. Se o goleiro atrasar, o adversário ganha escanteio.
- 10 segundos para deixar o campo em substituições: Se o atleta substituído exceder o tempo, o que for entrar terá de esperar um minuto para ir a campo.
- 1 minuto fora, após atendimento: O jogador atendido no gramado terá de sair e permanecer fora por ao menos um minuto.
- Atendimento ao goleiro: O treinador ou o capitão da equipe indica um atleta de linha para cumprir um minuto fora após o reinício do jogo.
- Só capitão fala com o árbitro: Quem desrespeitar, será punido com cartão amarelo. Se o capitão for o goleiro, um atleta de linha será designado como interlocutor.
- Protocolo Vini Jr: Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário, de forma a evitar leitura labial, será passível de expulsão, independentemente do que for falado.
- Checagem de VAR para segundo cartão amarelo: Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão, podendo ser anulado caso seja constatado o erro.
- Checagem de VAR para escanteio por engano: Revisável quando o lance levar diretamente a gol ou pênalti (válido a partir de 2027).
Essas novas diretrizes, muitas delas já testadas e aplicadas em competições internacionais como a última Copa do Mundo, representam um esforço conjunto para modernizar o futebol brasileiro e garantir que a paixão pelo esporte seja acompanhada por um espetáculo cada vez mais dinâmico e justo. Para mais detalhes sobre as mudanças no futebol nacional, clique aqui.
Acompanhe o Portal Bairro do Ipiranga SP para ficar por dentro das últimas notícias e análises sobre o esporte, a cultura e os acontecimentos que impactam a nossa região e o Brasil. Nosso compromisso é trazer informação relevante e contextualizada, com a credibilidade que você merece.

