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Futebol brasileiro: a paixão de Seu Simão, 91, que viveu 20 Copas e crê no hexa

Aos 91 anos, Seu Simão, torcedor da Seleção há 20 Copas, compartilha sua paixão pelo futebol brasileiro e aposta no hexa.
Futebol brasileiro: a paixão de Seu Simão, 91, que viveu 20 Copas e crê no hexa

Quando a Seleção Brasileira entrar em campo para mais um desafio na Copa do Mundo, milhões de corações vibrarão em uníssono. Entre eles, o de um torcedor singular que carrega consigo quase um século de história e devoção ao futebol brasileiro: Simão Ribeiro da Silva. Aos 91 anos, o piauiense, que foi pioneiro na construção de Brasília e atuou como eletricista e diácono, prepara-se para acompanhar sua 20ª Copa do Mundo, um feito que o coloca como uma testemunha viva da evolução do esporte e da paixão nacional.

Seu Simão, como é carinhosamente conhecido, não apenas assistiu a jogos; ele viveu as transformações do futebol e da forma como o país o acompanha. Do rádio de válvula que narrou a amarga derrota de 1950 ao “cineminha” improvisado na rua para celebrar o tricampeonato em cores em 1970, sua trajetória é um espelho da própria história do Brasil. Hoje, residindo em Sobradinho, no Distrito Federal, ele mantém o otimismo inabalável e crava sua aposta: o tão sonhado hexa está a caminho.

A Fé Inabalável no Hexa do Futebol Brasileiro

A crença de Seu Simão no sexto título mundial da Seleção é mais do que um palpite; é a voz da experiência de quem viu o time superar desafios e levantar a taça em diversas ocasiões. “Nós já tivemos Copa assim, a turma foi assim meio desacreditada e depois levantou a moral. Mas eu acho que eles estão escolhendo muito bem. Os caras estão bons. Primeiro, eles não devem nada a eles lá. Não vai ter para ninguém não. O hexa vem”, afirma o torcedor com a convicção de quem entende a alma do futebol.

Essa perspectiva otimista ressoa com a esperança de milhões de brasileiros que, como Seu Simão, veem no futebol uma fonte de alegria e união. A busca pelo hexa é um capítulo constante na narrativa esportiva do país, e a paixão de torcedores como ele alimenta essa chama, transformando cada Copa em um evento que transcende o esporte e se torna um fenômeno cultural e social, ecoando em bairros como o Ipiranga, onde famílias se reúnem para vibrar a cada lance.

Uma Vida Conectada à História da Seleção

Pai de sete filhos, com mais de dez netos e vinte bisnetos, Seu Simão nasceu em Cristino Castro, no Piauí, e sua vida se entrelaça com os grandes momentos da Seleção. Ele acompanhou não só a evolução tática e técnica dos times, mas também a revolução tecnológica que mudou a forma de torcer. Suas memórias são um tesouro que ilustra a passagem das transmissões radiofônicas, que exigiam imaginação e aguçavam a emoção, para a era da televisão em cores.

“Tinha os locutores de rádio que começavam a badalar: bola passou para fulano, beltrano, passou para Jairzinho, Jairzinho fez isso e é gol! E aí aquela alegria de todo mundo. Agora não, você vê, não precisa ninguém nem falar nada. Naquele tempo era a sensação da voz, do som, era pelo ouvido que a gente vibrava, gritava, fazia festa”, relembra, destacando a magia do rádio que transformava a narração em uma experiência imersiva e coletiva, onde cada palavra do locutor pintava um cenário vívido na mente dos ouvintes.

A Decepção de 1950 e o Trauma Nacional

Foi através de um desses rádios de válvula, enquanto trabalhava nos garimpos do Piauí, que Seu Simão ouviu o desfecho da final da Copa de 1950. A derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1, no Maracanã, no Rio de Janeiro, ficou conhecida como o “Maracanazo” e marcou profundamente a memória coletiva do país. “Eram aqueles radinhos de válvula, de capa de madeira. Não era todo mundo que tinha, a pessoa muitas vezes tinha um rádio numa loja, e aqueles que tinham também não gostava que ninguém ficasse lá escutando”, conta.

Aquele dia foi descrito por ele como uma “calamidade” para os torcedores que, em casa, apostavam na vitória. A tristeza e a incredulidade se espalharam por todo o território nacional, mostrando o poder que o futebol já exercia sobre o povo brasileiro. Aquele evento, embora doloroso, cimentou a paixão e a expectativa em torno da Seleção, moldando a forma como as futuras gerações encarariam as Copas do Mundo e a busca incessante pela glória.

O Tri em Cores: Uma Celebração Inesquecível

Se a derrota de 1950 foi um marco de dor, o tricampeonato mundial de 1970, no México, representou a redenção e a consagração. Naquela época, acompanhar a Copa do Mundo com imagens em alta definição e cores vibrantes era um privilégio para poucos. Seu Simão era um desses privilegiados, possuindo uma das raras televisões em cores de sua cidade, o que transformou sua casa em um ponto de encontro para amigos e vizinhos.

“Em 60, já era pela TV, mas quase ninguém tinha o aparelho. A TV também era preto e branco, ninguém via direito e as antenas não pegavam, era só a sombra muitas vezes. Quando pegava uma televisão limpinha, já era uma farra”, recorda. Para o Mundial de 1970, a demanda era tanta que faltava espaço. “No próximo jogo, botei a televisão lá fora de casa na rua, botamos uns bancos, cadeira, cada um trazia e sentava e fez um cineminha. E afinal foi fantástico, né? Fizeram a vibração só. Era farra mesmo”, relembra com carinho a cena do “cineminha” que uniu a comunidade para ver Pelé, Jairzinho e Tostão levarem o Brasil ao topo do mundo pela terceira vez.

O Brasil é, de fato, o maior campeão das histórias das Copas do Mundo da Fifa, com cinco títulos erguidos em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. A história de Seu Simão é um lembrete vívido de que a paixão pelo futebol é um legado que atravessa gerações, unindo o país em um só grito de gol e mantendo viva a esperança de novas conquistas.

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