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Bolsa brasileira supera 174 mil pontos impulsionada por expectativa de corte na Selic; dólar recua

Ibovespa atinge 174 mil pontos com aposta em corte da Selic, enquanto o dólar recua para R$ 5,16. Entenda os fatores que impulsionaram o mercado.
Bolsa brasileira supera 174 mil pontos impulsionada por expectativa de corte na Selic; dólar recua

O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com otimismo, impulsionado por expectativas de um cenário econômico mais favorável. Nesta sexta-feira (3), o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), superou a marca dos 174 mil pontos pela primeira vez em um mês, refletindo a aposta dos investidores em um iminente corte da taxa Selic. Paralelamente, o dólar comercial registrou queda, retornando ao patamar de R$ 5,16, em um movimento que beneficiou moedas de países emergentes.

Apesar do feriado da Independência nos Estados Unidos, que resultou em menor liquidez no mercado global, os dados internos sobre a produção industrial brasileira foram o principal catalisador para a alta da bolsa e a desvalorização da moeda americana, sinalizando uma possível flexibilização da política monetária pelo Banco Central.

Mercado reage à expectativa de juros mais baixos

A performance positiva do Ibovespa foi diretamente influenciada pela divulgação de dados da produção industrial brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial recuou 0,2% em maio em comparação com abril, um resultado que ficou abaixo das projeções do mercado.

Essa leitura mais fraca da atividade econômica reforçou a percepção de que o Banco Central (BC) terá espaço para iniciar um ciclo de corte na taxa Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para agosto. A expectativa de juros mais baixos tende a tornar os investimentos em renda fixa menos atrativos, redirecionando o capital para a bolsa de valores, especialmente para ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito, que se beneficiam de um custo de capital menor e de um ambiente de consumo mais aquecido.

Ao final do pregão, o Ibovespa registrou alta de 0,74%, fechando em 174.070,27 pontos, o maior patamar desde 2 de junho. Na semana, o índice acumulou um ganho de 0,45%, elevando seu avanço no ano para 8,03%. O giro financeiro, contudo, foi de R$ 12,6 bilhões, valor consideravelmente abaixo da média diária, reflexo direto da ausência de negociações em Wall Street.

Dólar em queda e o cenário global

No mercado de câmbio, o dólar comercial experimentou uma desvalorização de R$ 0,04, ou 0,76%, sendo cotado a R$ 5,168. Com essa queda, a moeda americana praticamente anulou a alta acumulada na semana, registrando um avanço marginal de apenas 0,03%. Esse movimento foi favorecido por um ambiente global positivo para moedas de países emergentes e pela crescente atratividade dos ativos brasileiros, que se tornam mais rentáveis com a perspectiva de juros reais ainda elevados.

Além da expectativa de corte da Selic, o real também se beneficiou de dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, divulgados na véspera. Essas informações reduziram as apostas em uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, o que tende a enfraquecer o dólar globalmente. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade, com o foco dos investidores já voltado para os próximos indicadores de inflação nos EUA, que podem influenciar as decisões futuras do Fed.

No acumulado do ano, o dólar apresenta uma queda de 5,83% frente ao real, demonstrando uma tendência de valorização da moeda brasileira em um contexto de melhora das perspectivas econômicas e políticas internas, atraindo capital estrangeiro para o país.

Impacto da baixa liquidez e intervenções do Tesouro

A celebração do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos, que manteve fechadas as bolsas e o mercado de títulos do Tesouro americano, teve um impacto notável na liquidez global. A redução significativa do volume de negociações limitou a formação de tendências mais consistentes, mas não impediu que os fatores internos brasileiros ditassem o ritmo do mercado local, evidenciando a resiliência e a capacidade de reação dos ativos nacionais a estímulos domésticos.

Internamente, um fator adicional que contribuiu para o otimismo foi a declaração do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Ele admitiu a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, caso seja necessário para garantir a estabilidade e a liquidez. Essa sinalização ajudou a reduzir os juros no mercado futuro, tornando o investimento em ações mais atraente e, consequentemente, favorecendo a bolsa de valores ao diminuir o custo de captação para as empresas e aumentar o apetite por risco dos investidores.

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