PUBLICIDADE

Ministério Público nega progressão de pena a empresário que matou estudante em 2013

Ministério Público opõe-se à progressão de regime de empresário condenado por matar estudante durante protestos de 2013 em Ribeirão Preto.
Ministério Público nega progressão de pena a empresário que matou estudante em 2013
Foto: Reprodução / EPTV

Parecer contrário à progressão de regime

O Ministério Público de São Paulo manifestou-se contrariamente ao pedido de progressão de regime para o empresário Alexsandro Ichisato de Azevedo. Condenado pela morte do estudante Marcos Delefrate durante as manifestações de 2013, em Ribeirão Preto, o réu buscava a transferência do regime fechado para o semiaberto, alegando cumprimento de dois terços da pena e bom comportamento carcerário.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pelo parecer emitido em 18 de setembro, sustentou que a periculosidade do condenado permanece elevada. O documento destaca que, além da gravidade do crime de homicídio, o histórico prisional de Ichisato registra faltas disciplinares graves, o que, segundo o órgão, desaconselha o retorno ao convívio social neste momento. A decisão final sobre o pedido agora cabe ao Poder Judiciário.

Contexto histórico e o impacto social do crime

O caso remonta à noite de 21 de junho de 2013, período em que o Brasil vivia uma onda de protestos populares por melhorias em serviços públicos e combate à corrupção. Em Ribeirão Preto, o clima de mobilização foi marcado por uma tragédia quando Ichisato, ao tentar transpor um bloqueio de manifestantes com seu veículo SUV, avançou contra a multidão no cruzamento das avenidas Professor João Fiúsa e Adolfo Bianco Molina.

O impacto resultou na morte imediata de Marcos Delefrate, então com 18 anos e prestes a concluir o Ensino Médio, com o sonho de cursar engenharia mecânica. Outras 12 pessoas ficaram feridas no episódio. O local do atropelamento tornou-se, desde então, um ponto de memória, abrigando um busto em homenagem ao estudante, simbolizando a marca deixada pelo evento na história recente da cidade.

Trajetória penal e argumentos da defesa

A defesa de Ichisato, representada pelo advogado Wagner Simões, contesta o parecer do Ministério Público, classificando a oposição como desmedida. O defensor argumenta que o cliente preenche os requisitos objetivos previstos em lei e que a exigência de novos exames psiquiátricos não seria cabível para o caso. Para a defesa, a progressão é um instrumento de ressocialização, e o longo período de encarceramento — iniciado em 2013 — já teria cumprido sua função punitiva.

Desde a sua prisão, o empresário passou por diversas unidades prisionais, incluindo centros de detenção em Ribeirão Preto, Pontal, Pinheiros, Serra Azul e Balbinos. Após uma condenação inicial de 64 anos, a pena foi reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 18 anos e oito meses. Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Compacta de Tupi Paulista, com previsão de término para 2031, conforme informações da cobertura do g1.

Desdobramentos e a vigilância da justiça

Esta não é a primeira vez que o pedido de benefícios é negado pela Justiça. No final do ano passado, uma solicitação de liberdade condicional também foi indeferida, seguindo a mesma linha de argumentação do Ministério Público quanto ao risco de fuga e à natureza violenta dos atos cometidos. O histórico de transferências entre unidades e a revogação anterior de benefícios, devido a falhas disciplinares, reforçam a cautela do Judiciário na análise do caso.

Acompanhar o desenrolar de processos que envolvem crimes de grande repercussão social é fundamental para a compreensão da aplicação da lei e da justiça no Brasil. O Portal Bairro do Ipiranga SP mantém seu compromisso com a apuração rigorosa e o acompanhamento de temas que impactam a sociedade, oferecendo um olhar atento aos fatos que moldam a nossa realidade regional e nacional. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade.

Leia mais

Acesse nosso Perfil

PUBLICIDADE