Milhares de mulheres negras de todo o Brasil convergiram para Brasília nesta terça-feira, em uma demonstração de força e união pela garantia de seus direitos. A marcha, que tomou a Esplanada dos Ministérios, busca dar visibilidade às demandas específicas desse grupo, que representa uma parcela significativa da população brasileira.
A ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes, enfatizou a relevância do movimento, ressaltando que as mulheres negras correspondem a 28% da população do país.
Apesar do tempo instável na capital, as manifestantes seguiram em marcha desde o meio-dia. Lindalva Barbosa, ativista com 40 anos de experiência, viajou de Salvador para se juntar à mobilização. Ela destacou a longa história de luta das mulheres negras por liberdade, justiça, saúde e, sobretudo, pelo direito à vida.
Ana Benedita Costa, educadora e coordenadora de uma escola de frevo de Recife, também marcou presença. Ela ressaltou a importância de valorizar e reconhecer a contribuição do povo negro na construção da cultura e da sociedade brasileira.
A luta contra a intolerância religiosa foi o principal motivador de Ednamar Almeida, ialoxairá de Foz do Iguaçu, para participar da marcha. Ela relatou o sofrimento causado pela perseguição, injustiça, intolerância e racismo enfrentados por mulheres de terreiro e mulheres negras em suas comunidades e no dia a dia.
Hellen Gabrielle Cunha Gomes da Silva, mulher trans residente em Brasília, uniu-se às participantes de todo o país, acreditando que a marcha dá visibilidade a causas essenciais para toda a sociedade.
A marcha acontece em um momento significativo, no mês em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro. O evento marca o aniversário de dez anos da primeira edição, realizada em 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras marcharam em Brasília contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica, o feminicídio e pela busca de uma vida plena e digna.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


