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Morte de bebê em creche de SP: polícia investiga asfixia e pais denunciam falta de funcionários

A morte de bebê Abdoulaye Dieng em uma creche de São Paulo é investigada pela polícia. Pais denunciam falta de profissionais na unidade.
Morte de bebê em creche de SP: polícia investiga asfixia e pais denunciam falta de funcionários
Reprodução G1

A cidade de São Paulo foi palco de uma tragédia que chocou a comunidade e levantou sérias questões sobre a segurança em instituições de ensino infantil. A Polícia Civil está investigando a morte de Abdoulaye Dieng, um bebê de apenas 1 ano e 4 meses, que faleceu por asfixia após prender a cabeça em uma grade dentro da Creche Luz do Brás, localizada na região central da capital paulista. O caso, registrado como homicídio culposo – quando não há intenção de matar – mobiliza autoridades e familiares em busca de respostas e justiça.

A notícia da morte do pequeno Abdoulaye, ocorrida na última quarta-feira (22), gerou grande comoção. Enquanto as investigações avançam para esclarecer as circunstâncias exatas do incidente, a família se prepara para o doloroso rito de despedida. O corpo do menino será velado e sepultado na tarde desta sexta-feira (24) no Cemitério Islâmico de Guarulhos, na Grande São Paulo, em uma cerimônia que seguirá os rituais e tradições do islamismo, com aproximadamente duas horas de orações.

Detalhes da tragédia e a investigação policial

Segundo o que foi apurado até o momento pela polícia, o incidente ocorreu durante uma atividade em uma sala multiuso da creche. Abdoulaye Dieng se aproximou de um espelho que era protegido por uma barra metálica. Imagens capturadas pelas câmeras de segurança da unidade, que estão sendo analisadas pelas autoridades, mostram o menino deitando no chão e, inadvertidamente, colocando a cabeça no vão existente entre a barra de ferro e o espelho.

Os investigadores relatam que a criança tentou se desvencilhar da armadilha por cerca de seis minutos. Contudo, a situação só foi percebida pelas monitoras da creche após esse período, quando finalmente conseguiram retirar o bebê. O registro policial indica que uma equipe da Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20 da manhã, após ser abordada por funcionárias da creche que já estavam socorrendo a criança, carregando-a no colo para fora da unidade.

O menino foi levado às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, mas, apesar dos esforços da equipe médica, não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado na unidade de saúde. Para aprofundar a investigação, a Polícia Civil preservou o local do ocorrido para a realização de perícia pelo Instituto de Criminalística e solicitou um exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML), que será fundamental para determinar a causa oficial da morte. O 8º Distrito Policial (Brás) é o responsável pela condução do inquérito. Mais informações sobre o trabalho da Polícia Civil podem ser encontradas em fontes oficiais como a Polícia Civil do Estado de São Paulo.

O drama da família e a denúncia de pais

A dor da perda é imensurável para a família Dieng. Ibrahima Dieng, pai de Abdoulaye, um vendedor senegalês que reside no Brasil há oito anos, relatou os momentos angustiantes. Ele havia deixado o filho na creche por volta das 7h30 da manhã. Cerca de uma hora e meia depois, recebeu uma ligação informando sobre o acidente. “Hoje foi lá na escola e depois ele fala ligar (…) chegou, ele fala ‘cadê criança?’, esperar e depois ele morreu”, disse Ibrahima, visivelmente emocionado e abalado pela tragédia.

A família está “destruída” com a perda, segundo o pai. A mãe do menino, profundamente impactada pela notícia, passou mal e está em estado de choque. “Chora muito… é triste, muito. Vai ser muito difícil recuperar”, lamentou Ibrahima, expressando a profundidade do luto que assola a família. Este cenário de dor é agravado por denúncias de outros pais de alunos da Creche Luz do Brás, que afirmam já ter reclamado anteriormente sobre a crônica falta de profissionais na unidade.

Lhayss Rodrigues de Sousa, que tem uma filha e um sobrinho matriculados na creche, deu um depoimento contundente. Ela afirmou que a equipe era insuficiente para a demanda de crianças. “A professora da sala do bebê, onde fica o meu sobrinho, estava doente, ficou afastada. Então muitas vezes a professora ficava sozinha com 12, 15 crianças. Eu vim durante quatro vezes conversar com a diretora, reclamar que ela não poderia ficar sozinha, que ela estava sobrecarregada”, relatou Lhayss, levantando a preocupação de que a escassez de pessoal possa ter contribuído para a falta de supervisão adequada no momento da tragédia.

Posição das autoridades e próximos passos

Diante da gravidade do ocorrido, diversas secretarias se manifestaram. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que policiais militares foram abordados por funcionários da creche enquanto a criança já estava sendo socorrida à UPA Mooca. A Secretaria Municipal de Educação (SME), por sua vez, lamentou profundamente o ocorrido e expressou solidariedade aos familiares e amigos de Abdoulaye Dieng.

A SME informou que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) estão prestando o suporte necessário à família enlutada. A secretaria reforçou seu compromisso em colaborar integralmente com as investigações e assegurou que todas as providências cabíveis serão adotadas após a conclusão da apuração dos fatos. “As circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes”, afirmou a SME em nota.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) também confirmou a entrada da criança na UPA Mooca na manhã da quarta-feira (22) e o atendimento prestado pela equipe médica. Apesar de todos os esforços assistenciais, o óbito foi confirmado na unidade. A investigação agora se concentra em determinar as responsabilidades, com o boletim de ocorrência relacionando cinco profissionais da creche entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretora e pedagogas. Até a última atualização, cinco pessoas já haviam sido ouvidas pela polícia, entre elas a diretora e a coordenadora da unidade.

A morte de Abdoulaye Dieng é um lembrete doloroso da importância da vigilância e da adequação de recursos em ambientes que cuidam de crianças pequenas. A comunidade do Ipiranga e de toda São Paulo acompanha de perto o desenrolar deste caso, na esperança de que a justiça seja feita e que medidas preventivas sejam implementadas para evitar que tragédias como esta se repitam. Continue acompanhando o Portal Bairro do Ipiranga SP para as últimas atualizações sobre este e outros temas relevantes que impactam nossa região e o país, sempre com informação de qualidade e apuração jornalística aprofundada.

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