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Frentiscão Poze de Campinas é morto na Patagônia e tutor denuncia ocultação de corpo

Tutor do famoso frentiscão Poze, de Campinas, relata a morte do cão na Patagônia após ataque e ocultação do corpo.
Frentiscão Poze de Campinas é morto na Patagônia e tutor denuncia ocultação de corpo
Reprodução G1

A comunidade de Campinas e os milhões de seguidores do famoso “frentiscão” Poze foram abalados pela notícia de sua morte trágica na Patagônia, Argentina. Após um desaparecimento que mobilizou buscas intensas e uma viagem de mais de 3 mil quilômetros, o tutor Giovanni Fernandes confirmou que Poze foi atacado por outras cachorras e teve seu corpo ocultado pelo responsável pelos animais. O caso, que envolveu mentiras, ameaças e uma dolorosa busca por justiça, chocou a todos que acompanhavam a história do carismático cão.

Poze, um dos queridos “frentiscães” de Campinas, desapareceu na noite de 12 de junho, por volta das 20h30, enquanto a família Fernandes desfrutava de uma viagem de trailer pela Patagônia com seus outros três cães: Flávia, Nagalli e Matuê. O casal, que havia estendido a estadia na Argentina para intensificar as buscas, só teve a confirmação da morte de Poze em 19 de julho, após semanas de angústia e incerteza.

O drama do desaparecimento em terras patagônicas

A família Fernandes estava hospedada em um camping na Patagônia, a cerca de dez minutos de uma estação de esqui. Acostumados a deixar os cães soltos em uma área cercada do local, que contava com um bosque ao fundo, os tutores recolheram os animais para uma gravação e, em seguida, os liberaram novamente. No entanto, ao chamar os cães de volta ao trailer, Poze não retornou.

Imediatamente, Giovanni e sua noiva iniciaram as buscas. Vizinhos de um hostel próximo relataram ter ouvido latidos e barulhos de briga de cachorros vindos do camping em frente, onde os brasileiros estavam. Curiosamente, o proprietário do terreno foi visto saindo de carro naquele mesmo dia. Ao ser questionado sobre o paradeiro de Poze, ele negou qualquer conhecimento e rapidamente se evadiu.

Durante as investigações da família, relatos de moradores locais começaram a surgir, indicando que os cães criados no camping vizinho eram conhecidos por sua agressividade, sendo mantidos acorrentados durante o dia e soltos à noite. Essa informação levantou as primeiras suspeitas sobre o envolvimento do vizinho no desaparecimento de Poze.

A dolorosa revelação e a ameaça com arma de fogo

A verdade veio à tona de forma indireta e chocante. Após o proprietário do camping vizinho negar repetidamente saber do paradeiro de Poze, ele teria confessado a uma funcionária de uma loja de bebidas que suas cadelas haviam atacado e matado o animal, e que “o corpo do cachorro jamais seria encontrado”. Essa funcionária, então, repassou a informação à família brasileira na véspera de uma grande busca que seria realizada com voluntários.

Ao confrontar o suspeito com as novas informações, a família Fernandes foi recebida com violência. Giovanni relatou que o homem, que havia fingido ajudar nas buscas durante todo o período, os ameaçou com um revólver. “O que dói não é só a perda, é saber que nos tiraram o direito de tentar salvar ele, de viver nosso luto enterrando o nosso cachorro”, desabafou Giovanni em suas redes sociais, expressando a profunda dor e indignação da família.

Poze: de cão de rua a estrela das redes sociais

A história de Poze é um exemplo inspirador de superação e amor. Ex-cão de rua, ele foi acolhido em uma das unidades da rede de postos de gasolina da família de Giovanni, no Jardim Novo Campos Elíseos, em Campinas. Meses depois, foi adotado pelo gerente do posto e ganhou uma coleira e um uniforme de frentista, tornando-se um dos famosos “frentiscães”.

No posto, Poze se juntou a Matuê, um vira-lata caramelo de oito anos, que foi o primeiro cão adotado no local e que já havia sobrevivido a um grave atropelamento. A fama dos animais uniformizados inspirou Giovanni a criar um perfil nas redes sociais, que hoje acumula mais de 1,1 milhão de seguidores. O perfil mostrava a rotina e as brincadeiras de Poze com seus irmãos Nagalli e Flávia, todos batizados em homenagem a artistas do trap e do funk brasileiro, como Matuê, Poze do Rodo e Nagalli.

Giovanni descreveu Poze como um cachorro sociável, acostumado a interagir com outros cães desde sua vida nas ruas. Ele relembrou a última interação com o animal, um momento de carinho incomum: “Ele veio pedir carinho de um jeito que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava. A gente até brincou: ‘Nossa, como você está carinhoso, nem parece você’. E foi a última interação que a gente teve com ele”.

A luta por justiça e o luto pela perda de Poze

De volta ao Brasil após dirigir cerca de 3,3 mil km por 40 horas, a família Fernandes registrou um boletim de ocorrência na polícia argentina para buscar a responsabilização do suspeito. O casal está em contato com uma advogada e pretende adotar todas as medidas judiciais cabíveis para que a morte de Poze não fique impune. “Mas não aceitaremos carregar a culpa que pertence a quem viu o que aconteceu e escolheu transformar a nossa semana em uma semana de mentiras e sofrimento”, afirmou Giovanni, determinado a lutar por justiça.

O caso de Poze ressalta a importância da proteção animal e a necessidade de responsabilização em situações de crueldade e ocultação de fatos. A família, que transformou a vida de um cão de rua em uma história de amor e fama, agora busca encerrar esse capítulo doloroso com a esperança de que a justiça seja feita. Acompanhe as últimas atualizações sobre este caso no G1 Campinas.

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