O Festival Pacto das Pretas, uma iniciativa do Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), tem se consolidado como um palco fundamental para o debate e o fortalecimento do papel da mulher negra em posições estratégicas de liderança e decisão no Brasil. Em sua quinta edição, o evento itinerante percorreu importantes capitais, como Salvador e Rio de Janeiro, e culminará em São Paulo, reunindo cerca de 1,5 mil líderes para discutir temas cruciais como governança corporativa e diversidade. Este movimento, que se desdobra sob o conceito “Movimento: Mulheres Negras Criando”, busca não apenas discutir, mas efetivamente impulsionar a presença e a influência de mulheres negras nos mais diversos setores da economia e da tecnologia.
O Movimento por Equidade e Liderança
A essência do Festival Pacto das Pretas reside na sua abordagem focada em resultados práticos e na superação de barreiras históricas. A historiadora Wânia Sant’Anna, presidente do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, enfatiza que o evento é meticulosamente desenhado para trazer à tona a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que já atuam ativamente no mercado de trabalho. Longe de ser um fórum sobre saúde ou educação, o festival prioriza pautas como empregabilidade, empreendedorismo, economia e o empoderamento necessário para que essas mulheres ocupem lugares de destaque.
Sant’Anna não hesita em apontar os desafios, ressaltando que o debate não descarta os processos discriminatórios que ainda persistem nas empresas, muitas vezes minimizando as entregas e oportunidades para mulheres negras. É nesse contexto que a voz da escritora e comunicadora Luna Vitrolira ganha relevância. Segundo ela, a liderança de uma mulher negra raramente é um caminho solitário; ao contrário, ela se torna um vetor de transformação, abrindo portas, compartilhando oportunidades e inspirando outras a vislumbrar e alcançar espaços de poder e decisão. Incentivar essa liderança, portanto, é um investimento direto em um futuro mais justo, próspero e representativo para toda a sociedade brasileira.
Ferramentas para o Antirracismo Corporativo
A edição atual do festival trouxe inovações significativas para fortalecer a pauta antirracista no ambiente corporativo. Um dos grandes destaques é a Plataforma Black Hub, lançada em São Paulo. Descrita como um “ecossistema digital direcionado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional”, a plataforma representa um avanço concreto na promoção da equidade. Viabilizado pela Lei Rouanet e com o apoio de grandes marcas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP inc, Natura, Banco Itaú, Bayer e Fujifilm, o Black Hub oferece ferramentas essenciais para empresas e profissionais.
Entre os recursos disponíveis, destaca-se a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). Esta publicação oferece diretrizes de aplicação prática e indicadores claros para que o setor corporativo possa incorporar a pauta antirracista de forma estratégica e integrada às suas práticas de gestão, governança e impacto social. Complementarmente, a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wania Sant’Anna e elaborada em colaboração com o escritório Daniel Law, signatário do Pacto, reúne recomendações e orientações práticas para apoiar empresas na prevenção e construção de uma cultura corporativa de proteção às mulheres. No campo cultural, o livro “Vozes que Ocupam” amplifica narrativas, reunindo 16 crônicas inéditas de importantes lideranças negras da cultura, comunicação e educação, como Djamila Ribeiro e Rodrigo França, enriquecendo o debate com perspectivas diversas.
Celebração e Conexão no Mês da Mulher Negra
A escolha do mês de julho para a realização do festival não é aleatória, mas sim um gesto simbólico e poderoso. A proximidade com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, confere ao evento uma camada adicional de significado e urgência. Wania Sant’Anna sublinhou a importância de debater essas questões justamente na semana dedicada a essa data tão relevante.
Luna Vitrolira, com sua bagagem de poeta e cerimonialista, trouxe uma perspectiva que une estratégia, arte e sensibilidade. Originária de Pernambuco, ela ressaltou a tradição nordestina onde a palavra é um instrumento de encontro, memória e mudança. Sua participação no festival foi marcada pela condução de um diálogo que prova que é possível falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem jamais perder de vista o afeto, a poesia e a escuta ativa. A mensagem de Vitrolira é clara: o futuro almejado deve reconhecer a potência das mulheres negras não como uma exceção, mas como uma parte intrínseca e essencial do presente. Quando a mulher negra ocupa o centro da narrativa, toda a sociedade expande seus horizontes de possibilidades. A recepção calorosa do público, segundo a escritora, evidencia a grande demanda por espaços como o Pacto das Pretas, onde mulheres podem compartilhar experiências, criar conexões e se reconhecerem nas histórias umas das outras, reforçando que o desenvolvimento vai além do crescimento econômico, abrangendo acesso à informação, fortalecimento de redes e ampliação de direitos.
Impulsionando Talentos para o Topo do Mercado
Um dos impactos mais tangíveis do Festival Pacto das Pretas é sua função como um polo de atração e desenvolvimento de talentos para as mais altas esferas do mercado corporativo. A imersão presencial das 30 executivas selecionadas pelo Programa Pacto Transforma ilustra essa vertente. Essa iniciativa nacional tem como objetivo identificar profissionais seniores de diversas regiões do Brasil e acelerar suas competências em alta governança, preparando-as estrategicamente para ocupar assentos em conselhos e cargos de C-Level.
A presença desse grupo seleto no festival solidifica o evento como o principal hub de networking qualificado e atração de talentos para posições de liderança no país. Ele cria uma ponte direta entre esse pipeline executivo de elite e os diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras, facilitando a ascensão de mulheres negras a posições de poder e influência. Essa conexão estratégica não apenas beneficia as profissionais individualmente, mas também contribui para a construção de um ambiente corporativo mais diverso, equitativo e representativo, alinhado com as melhores práticas de ESG Racial.
O Festival Pacto das Pretas é um testemunho vibrante do poder da união e da articulação em prol da equidade racial e de gênero. Ao promover debates aprofundados, oferecer ferramentas práticas e conectar talentos a oportunidades, o evento não apenas ilumina o caminho para um futuro mais inclusivo, mas o constrói ativamente. Para continuar acompanhando as iniciativas que transformam o cenário social e econômico do Brasil, bem como outras notícias relevantes e contextualizadas, convidamos você a explorar o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é com a informação de qualidade e a variedade de temas que impactam diretamente a vida dos nossos leitores.

