Uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Corregedoria da Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (28), uma operação de combate ao crime organizado envolvendo agentes públicos. A ação, batizada de Operação Merx, mira um grupo suspeito de cobrar propina para liberar cargas ilegais de eletrônicos, como celulares, que haviam sido interceptadas durante atividades policiais.
Esquema de extorsão e desvio de cargas
As investigações apontam que o grupo utilizava a estrutura da própria instituição para viabilizar o esquema. Em vez de realizar a apreensão integral das mercadorias de origem irregular, os policiais exigiam dos responsáveis pelos carregamentos o pagamento de valores equivalentes a cerca de 70% do montante total da carga. Com o pagamento da propina, a mercadoria era liberada, total ou parcialmente, pelos agentes.
O volume financeiro movimentado pelo grupo é expressivo. Segundo os dados apurados pelo G1, em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o esquema teria arrecadado aproximadamente R$ 2,35 milhões em subornos. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos investigados, visando desarticular a capacidade financeira da organização.
Buscas em delegacias e prisões decretadas
A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, incluindo unidades policiais na Grande São Paulo. Entre os locais alvos da ação estão a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia. O Ministério Público afirma que as dependências policiais eram utilizadas para armazenar as mercadorias e simular apreensões parciais, conferindo uma falsa aparência de legalidade às operações.
Ao todo, sete prisões preventivas foram decretadas pela Justiça. Entre os alvos, estão quatro policiais civis, um advogado apontado como intermediário das negociações e dois suspeitos de comandar o contrabando das mercadorias. A ação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope).
Abrangência nacional da investigação
A operação possui caráter interestadual, com diligências sendo realizadas simultaneamente em diversos municípios. Em São Paulo, a ação ocorre na capital, além de Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes e São Sebastião. Fora do estado, a polícia cumpre mandados em Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e em São Luís de Montes Belos, em Goiás.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos dos investigados, medida essencial para rastrear o fluxo financeiro e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. O Portal Bairro do Ipiranga SP segue acompanhando o desdobramento desta investigação e trará novas atualizações assim que houver pronunciamentos oficiais das autoridades envolvidas.

