A Polícia Civil deflagrou recentemente a Operação Verifact para desarticular uma associação criminosa especializada em invadir sistemas bancários e comercializar dados confidenciais de correntistas. A ação mobilizou equipes especializadas para cumprir mandados judiciais em municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais, revelando um esquema sofisticado de crimes cibernéticos.
O avanço das investigações demonstra como o mercado clandestino de informações sensíveis tem se estruturado no país, movimentando valores expressivos por meio da comercialização de ferramentas automatizadas de invasão. A iniciativa policial reforça a necessidade de constante aprimoramento nos protocolos de segurança digital adotados pelas instituições financeiras.
Como os bancos descobriram os acessos suspeitos
As investigações policiais tiveram início após o Banco Safra detectar um volume fora do padrão de acessos automatizados em seus sistemas de atendimento e consultas de clientes entre os meses de fevereiro e março de 2026. Ao analisar o comportamento da rede, a equipe de cibersegurança da instituição identificou disparos massivos de requisições concentrados em curto espaço de tempo.
O padrão de velocidade, a sequência e a periodicidade das consultas eram totalmente incompatíveis com o comportamento de usuários humanos. Diante das evidências de um ataque cibernético direcionado, o Banco Safra alertou o Santander sobre o caso em 9 de março de 2026, permitindo que os setores de segurança trabalhassem em conjunto para formalizar uma representação criminal na polícia paulista.
O método de invasão e o uso de scripts automatizados
De acordo com os relatórios analisados pelas autoridades, os criminosos utilizavam uma técnica baseada em ataques por scripts acoplados à enumeração de interfaces de programação de aplicações. Para realizar a invasão, os suspeitos desenvolveram softwares específicos capazes de explorar pontos vulneráveis nas aplicações bancárias.
O programa enviava requisições automatizadas contendo listas com cerca de 30 mil CPF’s por rodada para a função de consulta do sistema. Ao testar cada documento, a ferramenta recebia respostas diferenciadas, confirmando instantaneamente se o CPF consultado possuía ou não conta aberta na instituição financeira alvo.
Rotação massiva de ips e simulação de usuários reais
Para driblar as barreiras de segurança e os filtros antifraude, os programas desenvolvidos utilizavam uma técnica avançada de evasão baseada na rotação massiva de endereços por meio de redes de servidores proxy e redes virtuais privadas. Em uma das ondas de ataque registradas, os robôs utilizaram cerca de 50 mil IPs distintos.
Cada endereço realizava apenas de uma a quatro tentativas de consulta antes de ser descartado e substituído, impedindo o bloqueio automático por excesso de acessos. Além disso, os softwares simulavam com precisão o comportamento de navegação de um cliente legítimo para enganar os mecanismos de verificação.
Raspagem de dados sensíveis e o mercado ilegal na internet
Após confirmar a existência da conta corrente, os programas executavam a extração de informações detalhadas, coletando dados como saldo disponível, limite de cartão de crédito e até o nome do gerente responsável. O material obtido era comercializado em grupos de mensagens e fóruns fechados por valores que variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil por máquina instalada.
Esses dados alimentavam diretamente quadrilhas especializadas em fraudes, como o golpe da falsa central telefônica, utilizando as informações detalhadas para ganhar a confiança das vítimas. Para continuar acompanhando coberturas jornalísticas aprofundadas sobre segurança pública, tecnologia e os principais fatos que movimentam o estado, siga navegando pelas editorias do Portal Bairro do Ipiranga SP e mantenha-se sempre bem informado com nosso compromisso editorial com a verdade.

