Crescimento na linha de montagem
O setor automotivo brasileiro registrou um marco importante em setembro, consolidando-se como o melhor mês para a produção de veículos desde 2014. Segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), foram fabricadas 268,3 mil unidades, englobando automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. Embora tenha havido um recuo pontual de 1,1% frente a agosto, o desempenho representa uma alta expressiva de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No acumulado de janeiro a setembro, o país atingiu a marca de quase 2,2 milhões de unidades produzidas, um avanço de 8,7% em relação aos nove primeiros meses de 2025. Contudo, a entidade faz uma ressalva técnica importante: parte desse volume não foi fabricado integralmente em território nacional. Do excedente de 173 mil unidades produzidas em comparação ao ano passado, cerca de 123 mil veículos foram montados via regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), que consistem na montagem final de peças importadas dentro do Brasil.
Mercado interno aquecido e novos recordes
O otimismo nas fábricas é acompanhado por um cenário de demanda interna robusta. Em setembro, o país registrou 281,4 mil emplacamentos, o maior volume para este mês também desde 2014. O setor de automóveis foi o principal motor dessa engrenagem, acumulando uma alta de 22,5% nas vendas ao longo deste ano. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou durante a coletiva de imprensa que o setor não vivenciava um período de tamanha vitalidade há mais de uma década.
Esse aquecimento do mercado interno reflete diretamente na confiança dos fabricantes, que revisaram para cima as projeções para o fechamento de 2026. A expectativa atual é que o Brasil encerre o ano com 3,1 milhões de veículos emplacados, um salto de 15,2% sobre o ano anterior. A estimativa inicial, que previa um crescimento modesto de 2,7%, foi amplamente superada, impulsionada principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves.
Desafios na balança comercial e exportações
Enquanto o mercado doméstico celebra números positivos, o cenário externo impõe desafios estruturais. As exportações brasileiras seguem em trajetória de queda, mantendo-se abaixo da marca de 40 mil unidades mensais há meio ano. Em setembro, foram exportadas 39,8 mil unidades, uma retração de 24,2% frente ao mesmo mês de 2025. A dependência do mercado argentino, que absorve grande parte da produção exportada, é apontada como o principal fator para esse desempenho negativo.
Além da queda nas vendas externas, o setor enfrenta o aumento da concorrência internacional. As importações de veículos cresceram 34,9% em setembro na comparação anual. Calvet ressaltou a preocupação com a perda de competitividade frente a modelos chineses e mexicanos, além da disparidade entre o crescimento das compras externas e a estagnação das vendas brasileiras para outros países. Para conferir os detalhes técnicos sobre o desempenho do setor, acesse o portal oficial da Anfavea.
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