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Queimaduras em crianças: SBP alerta para riscos nas festas juninas e julinas

Queimaduras em crianças são um risco real nas festas juninas e julinas. A SBP alerta para prevenção e cuidados essenciais.
Queimaduras em crianças: SBP alerta para riscos nas festas juninas e julinas

Com a chegada das tradicionais festas juninas e, em seguida, as julinas, o Brasil se ilumina com fogueiras, balões (embora proibidos) e a alegria contagiante de celebrações que marcam profundamente a cultura nacional. No entanto, em meio a essa efervescência, um alerta importante é emitido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): é fundamental redobrar os cuidados para prevenir acidentes com queimaduras, especialmente entre crianças e adolescentes.

A preocupação, reforçada nesta segunda-feira (22) pela entidade, visa proteger os mais jovens dos riscos associados a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes, além de outros materiais inflamáveis que se tornam mais presentes neste período festivo. O presidente da SBP, Edson Liberal, destacou à Agência Brasil a dualidade dessas festas: “As festas fazem parte da cultura brasileira e são momentos de celebração para muitas famílias, mas também exigem atenção redobrada porque neste período há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes e outros materiais inflamáveis”.

A tradição festiva e os perigos invisíveis

As festas de São João, com suas danças de quadrilha, comidas típicas e a presença marcante do fogo, são um patrimônio cultural. Contudo, a beleza e o calor das fogueiras, a explosão de cores dos fogos de artifício e até mesmo o preparo de quitutes quentes podem se transformar em armadilhas para os desavisados, principalmente para as crianças. A SBP enfatiza que a prevenção é a chave para garantir que a alegria não dê lugar à dor e ao sofrimento.

A supervisão constante de um adulto é indispensável. Crianças não devem, sob hipótese alguma, manusear fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer artefato que envolva fogo ou explosão. Mantê-las afastadas das fontes de calor é uma medida simples, mas que pode evitar acidentes graves. Em um bairro como o Ipiranga, onde a comunidade valoriza e participa ativamente dessas celebrações, a conscientização se torna ainda mais relevante para a segurança de todos.

O cenário alarmante das queimaduras infantis

Os dados levantados pela SBP são um chamado à atenção. Menores de cinco anos concentram mais da metade das internações pediátricas por queimaduras no Brasil. Entre 2024 e 2025, este grupo etário foi responsável por 53,8% das hospitalizações de crianças e adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a queimaduras.

Nos últimos dois anos, o SUS registrou um total de 13,8 mil internações de crianças e adolescentes por queimaduras e outros acidentes térmicos graves, sendo 6.965 casos em 2024 e 6.855 em 2025. É importante ressaltar que esses números representam apenas os casos que exigiram hospitalização, o que significa que o número real de ocorrências é, na verdade, muito maior. “Sabemos que o número real de ocorrências é bastante superior ao registrado, já que muitos episódios leves e moderados são atendidos em unidades de pronto atendimento, consultórios ou mesmo tratados em casa, sem entrar nas estatísticas hospitalares”, explicou Edson Liberal.

Em média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados por dia com queimaduras nos dois anos analisados. Além dos menores de cinco anos, a sondagem aponta que 20% dos hospitalizados tinham entre cinco e nove anos de idade (2.820 internações), seguidos por pacientes de 10 a 14 anos, com 1.848 registros (13%), e adolescentes de 15 a 19 anos, com 1.721 casos (12%). As formas mais graves desses acidentes resultaram em mais de 300 óbitos de crianças e adolescentes por ano, em 2023 e também em 2024, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do SUS.

A curiosidade natural e a vulnerabilidade infantil

A curiosidade é um motor essencial para o desenvolvimento e aprendizado infantil, como aponta Edson Liberal. No entanto, essa mesma curiosidade, aliada à imaturidade para reconhecer perigos, torna as crianças pequenas extremamente vulneráveis. Objetos coloridos, brilhantes, que produzem calor, luz ou movimento, além da imitação de comportamentos adultos, são irresistíveis para elas.

Puxar toalhas de mesa, tentar alcançar objetos em locais altos ou abrir portas são hábitos comuns que podem levar a acidentes com líquidos quentes ou objetos perigosos. A pele infantil, mais delicada e fina, é particularmente suscetível a queimaduras mais profundas e com maior risco de sequelas, que podem variar de lesões superficiais a quadros graves que demandam procedimentos cirúrgicos e longos períodos de recuperação.

Prevenção: o caminho para a celebração segura

A boa notícia é que a maioria das queimaduras pode ser evitada com medidas simples de prevenção, informação e vigilância adequada dos responsáveis. Além das fontes de calor diretas, outros agentes podem causar lesões graves, como produtos químicos (soda cáustica, produtos de limpeza), agentes elétricos (tomadas desprotegidas, fios desencapados) e substâncias inflamáveis, como o álcool líquido e em gel.

Regionalmente, o Sudeste registrou o maior volume de internações pediátricas por queimaduras em 2024 (2.203 casos) e 2025 (2.328 casos), seguido pelo Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. Esses dados reforçam a necessidade de campanhas de conscientização em todo o país, incluindo as comunidades do Ipiranga, para que as famílias possam desfrutar das festas com segurança e responsabilidade.

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