A oposta Tifanny, figura proeminente do voleibol brasileiro e atleta do Osasco São Cristóvão Saúde, manifestou-se publicamente pela primeira vez sobre a recente alteração na política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A nova diretriz restringe a participação em competições femininas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer, uma medida que a jogadora classificou como um “enorme retrocesso” para o esporte e para a inclusão.
Aos 41 anos, Tifanny se tornou um marco na história do vôlei nacional como a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga, o principal torneio do país. Sua trajetória, que inclui a conquista da Superliga em 2025, é vista como um símbolo de visibilidade e luta por direitos. Agora, diante da nova regra, a jogadora reafirma sua determinação em não desistir de sua paixão e profissão.
A voz de Tifanny: um grito contra o retrocesso
Em um pronunciamento divulgado pela assessoria de imprensa do Osasco, Tifanny expressou sua profunda indignação com a decisão da CBV. “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”, declarou a oposta. Ela ressaltou que o impacto da medida transcende sua individualidade, atingindo seu clube, a torcida, os patrocinadores e, de forma mais ampla, todas as pessoas trans que buscam reconhecimento e inclusão no esporte.
A atleta fez uma comparação contundente com práticas do passado, afirmando que a nova regra representa um retorno à “forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”. Essa analogia sublinha a percepção de que a medida desconsidera os avanços sociais e científicos na compreensão da identidade de gênero e da participação de atletas trans.
Regra da CBV: alinhamento internacional e polêmica
A nova política de elegibilidade foi anunciada pela CBV na última sexta-feira (14) e, segundo a entidade, visa estar em conformidade com as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Anteriormente, mulheres trans podiam competir desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite estabelecido. A mudança agora exige a apresentação de resultado negativo para o gene SRY, um marcador genético associado ao desenvolvimento do sexo masculino.
Essa determinação já é válida para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027. A decisão da CBV insere o Brasil em um debate global complexo, onde diferentes federações esportivas e órgãos reguladores buscam equilibrar a inclusão de atletas trans com a garantia de uma competição justa, muitas vezes resultando em políticas controversas e divergentes. Para mais informações sobre o contexto internacional, é possível consultar fontes como a Agência Brasil.
Tifanny em quadra e a posição da Federação Paulista
O pronunciamento de Tifanny ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista de Vôlei, no último sábado (15), em casa, no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros. Apesar da nova política da CBV, a oposta participou da partida e foi muito festejada pela torcida osasquense, marcando 19 pontos. No entanto, o Osasco foi superado pelas visitantes por 3 sets a 2, em um jogo disputado.
A participação de Tifanny no Estadual foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Campeonato Paulista seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. A FPV declarou que “eventuais medidas” para as próximas competições seriam tomadas “após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde”, indicando uma postura de cautela e estudo diante da complexidade da questão.
A luta por inclusão e os próximos passos
Diante do cenário, Tifanny deixou claro que não pretende se calar. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, afirmou. Essa declaração sugere que a atleta e seus apoiadores podem buscar recursos legais ou outras formas de contestação para reverter a decisão da CBV.
A situação de Tifanny e a nova regra da CBV reacendem o debate sobre a participação de atletas transgênero no esporte de alto rendimento. A discussão envolve questões de direitos humanos, identidade de gênero, ciência esportiva e a própria definição de “justiça” e “fair play” nas competições. O caso promete gerar desdobramentos significativos, tanto no âmbito esportivo quanto no social, e pode influenciar futuras políticas de inclusão no Brasil e no mundo.
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