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União cobre quase R$ 700 milhões em dívidas de estados e municípios em junho

União pagou R$ 696,38 milhões em dívidas de estados e municípios em junho, revelando desafios fiscais e o papel do Tesouro Nacional.
União cobre quase R$ 700 milhões em dívidas de estados e municípios em junho

A União desembolsou R$ 696,38 milhões em junho para honrar dívidas atrasadas de estados e municípios. A informação, divulgada pela Secretaria do Tesouro Nacional no Relatório Mensal de Garantias Honradas nesta quinta-feira (16), revela um cenário persistente de desafios fiscais em diversas esferas do governo brasileiro. O montante representa a cobertura de débitos de três governos estaduais e quatro prefeituras que não conseguiram cumprir suas obrigações financeiras.

Essa prática, embora necessária para manter a credibilidade do país junto a credores nacionais e internacionais, acende um alerta sobre a saúde financeira de entes federativos e o impacto no orçamento federal. A União atua como garantidora em operações de crédito, assumindo a responsabilidade quando os devedores originais falham, o que gera um custo significativo para os cofres públicos.

Estados e municípios com débitos honrados pela União

Entre os estados que tiveram suas dívidas quitadas pela União em junho, o Rio de Janeiro lidera com o maior valor, somando R$ 573,70 milhões. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com R$ 73,06 milhões, e o Rio Grande do Norte, com R$ 7,11 milhões. Esses números refletem as dificuldades financeiras enfrentadas por essas unidades da federação, muitas delas já conhecidas por históricos de desequilíbrio fiscal.

No âmbito municipal, a União cobriu um total de R$ 42,51 milhões em dívidas. As prefeituras beneficiadas foram Taubaté (SP), com R$ 29,23 milhões; São Gonçalo do Amarante (RN), com R$ 13,11 milhões; Paranã (TO), com R$ 106,97 mil; e Santanópolis (BA), com R$ 67,19 mil. A inclusão de Taubaté, cidade paulista, destaca que os problemas fiscais não se restringem a uma única região, mas são um desafio nacional que afeta diferentes portes de municípios.

O papel da União como garantidora e o histórico de pagamentos

Desde 2016, a União já desembolsou impressionantes R$ 89,42 bilhões para honrar garantias concedidas em operações de crédito de estados e municípios. Esse mecanismo de garantia é acionado quando os entes federativos não pagam parcelas de empréstimos e financiamentos contratados com instituições financeiras, sejam elas nacionais ou internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Ao quitar a obrigação perante o credor, a União assume a dívida e passa a buscar o ressarcimento dos valores por meio de contragarantias previstas nos contratos. Geralmente, isso envolve o desconto dos valores devidos de repasses federais ordinários, como receitas de fundos de participação e compartilhamento de impostos, além de impedir que o ente devedor contraia novos financiamentos. Juros, mora e outros encargos também são pagos pela União.

Regime de Recuperação Fiscal e o Programa de Pleno Pagamento

Uma parcela significativa dos valores honrados pela União, aproximadamente R$ 79,70 bilhões desde 2016, está relacionada ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) ou a saldos de contratos administrados pela Secretaria do Tesouro Nacional. O RRF foi criado para auxiliar estados com elevado desequilíbrio financeiro, permitindo um refinanciamento de longo prazo em vez da recuperação imediata dos valores.

Atualmente, apenas o Rio Grande do Sul permanece no RRF. Estados como Goiás, Minas Gerais e o Rio de Janeiro deixaram o regime após aderirem ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O Propag oferece descontos nos juros e um parcelamento do saldo das dívidas estaduais em até 30 anos, em troca da contribuição dos estados para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que destina recursos para investimentos em áreas essenciais como educação, segurança pública, saneamento e transporte.

Desafios na recuperação dos valores

Apesar dos mecanismos de ressarcimento, o relatório do Tesouro Nacional aponta que parte dos valores honrados pela União ainda está pendente de recuperação. Isso ocorre devido a decisões judiciais ou processos de refinanciamento. Entre os casos com bloqueio judicial, destacam-se os municípios de Taubaté (SP), São Gonçalo do Amarante (RN) e Caucaia (CE), que somam R$ 406,64 milhões em valores ainda não recuperados.

Essas pendências evidenciam a complexidade da gestão fiscal no Brasil e os desafios enfrentados pela União para reaver os recursos utilizados na cobertura de dívidas. A situação fiscal de estados e municípios é um tema de constante debate, com impactos diretos na capacidade de investimento e na oferta de serviços públicos à população.

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