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Vacinação contra HPV reduz prevalência do vírus pela metade em jovens brasileiros

Estudo inédito revela que a vacinação contra HPV diminuiu a prevalência do vírus em quase 50% entre jovens no Brasil, destacando sua eficácia.
Vacinação contra HPV reduz prevalência do vírus pela metade em jovens brasileiros

Um estudo inédito e de grande escala, considerado o maior já realizado na América Latina sobre o tema, revelou um impacto significativo da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Brasil. A pesquisa aponta que a prevalência dos principais tipos de HPV, aqueles cobertos pelo imunizante, caiu quase pela metade entre jovens brasileiros após a implementação das campanhas de vacinação. Este dado reforça a importância da imunização como ferramenta crucial de saúde pública na prevenção de doenças graves, incluindo diversos tipos de câncer.

Os resultados, fruto de uma colaboração entre o Hospital Moinhos de Vento e o Ministério da Saúde, trazem uma perspectiva otimista sobre a eficácia da vacina. A análise comparativa de dados coletados em dois períodos distintos – antes e depois da vacinação em massa – demonstra uma redução notável na infecção pelo vírus, sublinhando o potencial transformador das políticas de imunização para a saúde da população.

A pesquisa Pop-Brasil: metodologia e descobertas

O estudo Pop-Brasil foi conduzido em duas fases abrangentes, com foco em jovens de 16 a 25 anos, uma faixa etária estratégica devido ao início da atividade sexual e, consequentemente, à maior prevalência de HPV. Na primeira etapa, entre 2016 e 2017, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados. Os dados iniciais indicaram que 14,98% desses jovens já haviam sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina.

Já na segunda fase, que ocorreu entre 2020 e 2023, a pesquisa expandiu seu alcance para mais de 10 mil participantes, incluindo tanto indivíduos vacinados quanto não vacinados. Os resultados desta etapa foram encorajadores: a proporção de jovens infectados pelos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu para 7,95%. Essa redução de quase 50% na prevalência dos subtipos mais perigosos do vírus é um testemunho claro do sucesso da vacinação.

Vacinação contra HPV: eficácia e desafios da cobertura

A médica epidemiologista Eliana Wendland, líder da pesquisa, enfatizou que a escolha da faixa etária de 16 a 25 anos se deu não apenas pela maior prevalência do vírus, mas também porque todos os indivíduos nessa idade já deveriam ter sido vacinados. Contudo, a realidade revelou um cenário de cobertura vacinal ainda aquém do ideal. Entre as meninas e mulheres participantes, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os homens, atingindo apenas 31,1%. A taxa de cobertura ideal para garantir a proteção coletiva é de 90%.

Apesar dos desafios na cobertura, a vacina demonstrou sua robusta eficácia. Entre as meninas e mulheres vacinadas, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante despencou de 15,6% (na fase inicial, com não vacinadas) para apenas 3,1% na segunda fase. Para os homens vacinados, a queda foi igualmente expressiva, de 13,8% para 4,6%.

Um achado notável da pesquisa foi o “efeito rebanho” observado entre as meninas e mulheres. Mesmo entre aquelas que não haviam sido vacinadas, a prevalência de HPV diminuiu para 10,5% na segunda fase do estudo. Isso ocorre porque a alta cobertura vacinal em uma parte da população reduz a circulação do vírus, protegendo indiretamente os não vacinados. No entanto, esse efeito não foi estatisticamente significativo entre os homens não vacinados, um fato atribuído à baixa cobertura vacinal nesse grupo, que ainda percebe o HPV predominantemente como uma causa de câncer do colo do útero, negligenciando outros riscos.

O esquema vacinal no SUS e a importância da prevenção contínua

A pesquisa Pop-Brasil também trouxe uma importante validação para a estratégia de saúde pública brasileira: o esquema atual de dose única da vacina contra o HPV, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mostrou-se eficaz. Não houve diferença significativa na prevalência do vírus entre pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses, simplificando o processo de imunização e potencialmente aumentando a adesão.

A vacinação contra o HPV no SUS teve início em 2014, inicialmente apenas para meninas, e foi expandida para incluir meninos a partir de 2017. Ao longo dos anos, houve ajustes nas faixas etárias e, em 2024, o esquema básico foi alterado de duas para uma dose. Atualmente, o público-alvo inclui todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição e indivíduos com lesões precursoras no colo do útero.

É crucial lembrar que o HPV é o principal agente causador do câncer do colo do útero, mas também pode levar ao desenvolvimento de câncer em outras regiões, como pênis, ânus e garganta. Embora nem todos os subtipos do vírus tenham potencial cancerígeno, a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos, oferecendo uma barreira vital contra essas doenças. Curiosamente, enquanto a prevalência dos tipos combatidos pela vacina caiu, a prevalência geral de HPV (considerando todos os subtipos) subiu de 46,7% para 56,6% entre as duas fases da pesquisa, reforçando a especificidade e a importância da proteção oferecida pelo imunizante.

Os dados da pesquisa Pop-Brasil são um lembrete poderoso da capacidade da vacinação em transformar a saúde pública. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre saúde, ciência e outros temas relevantes que impactam o seu dia a dia, acesse o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, atualizada e contextualizada para você.

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