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Vereador Senival Moura pede afastamento do PT após prisão por suposta ligação com o PCC

Vereador Senival Moura pede afastamento do PT após ser preso sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, em investigação que abala a política de SP.
Foto: Divulgação/Rede Câmara
Foto: Divulgação/Rede Câmara

A política paulistana foi abalada nesta semana com a notícia da prisão do vereador Senival Moura, figura com longa trajetória no cenário municipal. Detido na última quinta-feira (24) sob a Operação Última Parada, o parlamentar é apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo como peça central em um complexo esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em resposta aos desdobramentos, Senival Moura solicitou seu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT) no sábado, com a justificativa de focar em sua defesa e evitar que os recentes acontecimentos sejam associados à imagem da legenda.

A investigação, que se aprofunda em detalhes sobre a atuação do vereador no setor de transportes e suas supostas conexões com o crime organizado, representa um marco significativo na luta contra a corrupção e a infiltração de facções criminosas em esferas de poder. O caso reacende o debate sobre a fiscalização de verbas públicas e a integridade de figuras políticas em grandes centros urbanos como São Paulo.

A Trajetória Política de Senival Moura e as Acusações

Com seis mandatos na Câmara Municipal de São Paulo, Senival Moura construiu uma carreira política consolidada, especialmente na Zona Leste da capital. Sua atuação no setor de transporte público remonta à década de 1970, quando operava linhas clandestinas entre Guaianases e Itaim Paulista. Posteriormente, ele se tornou uma voz influente na regularização dos antigos ‘perueiros’ durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, no início dos anos 2000, um processo que transformou cooperativas em empresas, como a Transunião Transportes S.A., pivô da atual investigação.

Atualmente, além de vereador, Moura ocupava posições estratégicas como primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, colegiado responsável por fiscalizar e debater as políticas do setor. Sua influência política se estendia por redutos eleitorais como Itaquera e Artur Alvim, onde destinou emendas parlamentares para melhorias em clubes municipais. As investigações, no entanto, lançam uma sombra sobre essa trajetória, ligando-o a um esquema de ocultação de patrimônio e movimentação de recursos ilícitos.

Operação Última Parada: Detalhes do Esquema de Lavagem

A Operação Última Parada, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), revelou a suposta utilização da empresa Transunião para a lavagem de dinheiro do PCC. Mensagens e documentos apreendidos indicam que o vereador Senival Moura teria autorizado repasses informais semanais de R$ 70 mil, destinados a ‘acertar os cara’, uma referência aos membros da facção. Reportagens anteriores do g1 já haviam detalhado aspectos da investigação envolvendo o parlamentar.

Para ocultar o patrimônio e os interesses econômicos, o esquema envolveria familiares e assessores de confiança do parlamentar. A esposa de Senival, Maria de Lourdes Andrade de Moura, seus filhos Ítalo e Vitor Andrade de Moura, e seu irmão Rubens Pereira de Moura são citados nas investigações por movimentações e registros societários suspeitos. Além do núcleo familiar, o assessor parlamentar Adão Lino dos Santos e o motorista Devanil Sousa Nascimento, conhecido como ‘Sapo’, são apontados como peças-chave na garantia do controle do vereador sobre a empresa e suas subsidiárias. Relatórios de inteligência financeira indicam que Moura movimentou cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022, com uma diferença de mais de R$ 2,4 milhões em relação aos rendimentos oficialmente declarados. A posse de imóveis de alto padrão, como um apartamento na Vila Madalena e uma propriedade rural em Extrema, Minas Gerais, também está sob escrutínio.

O Assassinato de Adauto Jorge e o “Tribunal do Crime” do PCC

Um dos pontos de partida cruciais para a investigação foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, ocorrido em março de 2020 no bairro do Lajeado, Zona Leste. Adauto, que atuava como ‘laranja’ e ‘testa de ferro’ de Senival Moura na direção da empresa, teria sido executado após uma ‘quebra de confiança’ financeira. O Ministério Público sustenta que Adauto estaria desviando valores da Transunião para financiar a campanha de reeleição de Moura em 2020, em detrimento dos repasses devidos ao PCC.

Diante da descoberta dos desvios, tanto Adauto quanto Senival teriam sido ‘condenados à morte’ pelo ‘tribunal do crime’ da facção. Contudo, Senival teria sido ‘perdoado’ em razão de sua influência política e capacidade de ressarcir parte do prejuízo. Como contrapartida a esse ‘perdão’, o vereador teria sido compelido a concordar com a execução de Adauto, seu próprio representante. Jair Ramos de Freitas, o ‘Cachorrão’, foi apontado como o autor dos disparos, e Devanil ‘Sapo’ Nascimento, motorista de confiança de Senival, teria levado Adauto ao local do crime.

Repercussão e a Defesa de Senival Moura

A prisão de Senival Moura e as graves acusações de ligação com o PCC geraram forte repercussão no cenário político paulistano. O pedido de afastamento do PT, embora justificado pelo vereador como uma forma de se dedicar à defesa e não vincular o partido aos fatos, reflete a seriedade da situação e a preocupação da legenda com sua imagem. O caso também traz à tona um histórico familiar, já que o irmão de Senival, Luiz Moura, também político, foi investigado anteriormente por supostas relações com o crime organizado.

Por meio de nota, a defesa do vereador Senival Moura reiterou sua inocência e manifestou ‘profunda indignação’ com a decretação da prisão temporária. O advogado Márcio Sayeg afirmou que está tomando todas as providências necessárias para prestar os esclarecimentos à Justiça e que as conclusões apresentadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil representam a linha de investigação das autoridades, que ainda serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo judicial.

Os desdobramentos deste caso prometem continuar movimentando o noticiário político e judicial de São Paulo. Para acompanhar todas as atualizações sobre a Operação Última Parada, a situação do vereador Senival Moura e outros temas relevantes para a cidade e o estado, continue acessando o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, trazendo sempre os fatos que impactam diretamente a vida dos nossos leitores.

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