Uma mulher viveu momentos de pânico extremo em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, após ser mantida em cárcere privado e submetida a uma série de agressões físicas pelo ex-namorado. O caso, que chocou a região, culminou na prisão preventiva de Eduardo Augusto Castilho Rodrigues, de 52 anos, detido pela Polícia Civil na última quinta-feira (24). A vítima, que apresenta diversos hematomas e ferimentos pelo corpo, afirmou que acreditou que não sobreviveria ao ataque, motivado pela incapacidade do agressor em aceitar o fim do relacionamento de oito meses.
O episódio de violência extrema ocorreu na última quarta-feira (23). Segundo o relato da vítima, o suspeito utilizou diversos objetos para feri-la, incluindo uma chave de cano, um ferro pontudo e uma mangueira, além de puxões de cabelo. O agressor, que não aceitava o término ocorrido há dois meses, exigia informações sobre supostos novos relacionamentos da mulher, sob constantes ameaças de desfiguração física.
A escalada da violência e o cárcere privado
A dinâmica do crime revelou um plano de intimidação. Sob o pretexto de uma conversa, Rodrigues convenceu a mulher a entrar em seu veículo, mas a conduziu a um local desconhecido. Dentro de um apartamento, a vítima foi mantida sob custódia forçada e submetida a sessões de agressão enquanto seu celular permanecia descarregado, impedindo qualquer pedido de socorro imediato. A vítima descreveu o uso de um soco inglês como parte das ameaças que visavam destruir sua identidade física.
A violência contra a mulher não era um evento isolado. No sábado anterior, dia 19, a Polícia Civil já havia registrado um boletim de ocorrência após o suspeito invadir a casa da vítima e agredi-la, sendo contido apenas pela intervenção de vizinhos. O histórico de comportamento abusivo, que motivou o término do namoro, escalou para uma tentativa de controle absoluto através da força bruta.
Incêndio criminoso e destruição do lar
Após conseguir escapar do apartamento onde era mantida, a mulher buscou auxílio com o porteiro do prédio e retornou à sua residência, localizada na Avenida Caramuru. Ao chegar, deparou-se com o imóvel destruído por um incêndio. A investigação policial aponta que, após fugir do local onde a mantinha em cárcere, Rodrigues teria se dirigido à casa da vítima para atear fogo no quarto onde ela dormia.
O impacto do crime foi devastador. Sem roupas, documentos ou pertences, a mulher perdeu tudo o que possuía no incêndio. Como a residência era emprestada, o proprietário solicitou a devolução do imóvel devido aos graves danos estruturais causados pelas chamas. Atualmente, a vítima está sendo acolhida por amigos enquanto busca suporte para reconstruir sua vida e aguarda que a justiça seja feita.
Desdobramentos judiciais e apoio às vítimas
Eduardo Augusto Castilho Rodrigues responde pelos crimes de lesão corporal, ameaça, cárcere privado e dano decorrente do uso de fogo. Ao ser detido, o suspeito optou por permanecer em silêncio. Até o momento, não houve manifestação de defesa por parte de advogados ou representantes legais do acusado. O caso reforça a importância das denúncias de violência doméstica, que podem ser realizadas através do Ligue 180, canal nacional de proteção à mulher.
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