A votação sobre a possível perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi suspensa nesta terça-feira, após um pedido de vista coletivo. Os membros da comissão solicitaram mais tempo para examinar o processo.
O relator do caso, o deputado Diego Garcia (Republicanos), manifestou-se contrário à cassação de Zambelli. Com o pedido de vista, a análise do texto foi adiada para depois de duas reuniões do colegiado. A expectativa é que Zambelli e sua defesa sejam ouvidas na próxima sessão da CCJ.
Em seu relatório, Garcia expressou dúvidas sobre a participação direta de Zambelli na ordem de ataque aos sistemas do CNJ. Ele argumentou que, em caso de incerteza ou falta de provas, o respeito ao voto dos eleitores que a elegeram deve prevalecer.
O deputado também acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política à parlamentar, mencionando que a decisão da corte se baseou em “arquivos recebidos por e-mails” e no “testemunho dúbio” do hacker Walter Delgatti Netto, condenado pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A deputada foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão, multa e perda do mandato, em um caso relacionado à invasão dos sistemas do CNJ. Zambelli encontra-se na Itália, onde aguarda uma decisão da justiça local sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil. Recentemente, o Ministério Público da Itália manifestou-se favorável à extradição da deputada.
O pedido de perda do mandato foi encaminhado à CCJ em junho pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Após a votação do parecer, o caso será levado ao plenário da Câmara para votação final, onde a perda do mandato requer a maioria absoluta dos votos dos 513 deputados.
A líder do PSOL, Fernanda Melchionna, criticou o parecer, descrevendo-o como um desrespeito ao povo brasileiro. Ela questionou a pertinência de manter os gastos com assessores de um mandato exercido por uma deputada presa em outro país.
Fonte: bandnewstv.uol.com.br


