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Região de Campinas atinge recorde histórico de CPF’s para estrangeiros de 162 nacionalidades

Campinas registra marco histórico na emissão de CPF para estrangeiros, refletindo a crescente diversidade e os desafios de integração na região.
Região de Campinas atinge recorde histórico de CPF's para estrangeiros de 162 nacionalidades
Foto: Fernando Evans/g1

A região de Campinas registrou em 2025 um marco significativo na emissão de Cadastro de Pessoa Física (CPF) para estrangeiros, alcançando o maior número de inscrições desde 2005. As 31 cidades sob a cobertura do g1 Campinas somaram 3.632 registros no ano, um recorde na série histórica e um aumento expressivo de 38,7% em comparação com 2024, quando foram contabilizadas 2.618 emissões. Esse crescimento reflete a crescente diversidade e a busca por regularização por parte de imigrantes que veem no Brasil, e em Campinas, um novo lar.

Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Receita Federal, revelam a presença de 162 nacionalidades distintas na região. Embora comunidades como haitianos, colombianos, bolivianos e venezuelanos liderem as estatísticas, a lista inclui também cidadãos de países mais distantes e com menor representatividade, como Tonga, Palau, Butão e Comores, evidenciando a amplitude global do fluxo migratório para a área.

Crescimento Histórico e Diversidade de Origens

Desde 2005, os haitianos formam a maior comunidade estrangeira na região de Campinas, com um total de 4.973 emissões de CPF. Essa presença é historicamente ligada à atuação brasileira na missão de paz da ONU no Haiti após o terremoto de 2010 e às políticas de acolhimento humanitário implementadas pelo governo brasileiro, que facilitaram a vinda desses imigrantes.

A lista das 10 maiores comunidades estrangeiras com registros de CPF desde 2005 ilustra a composição demográfica da migração na região:

  • Haiti – 4.973 registros
  • Colômbia – 3.944
  • Bolívia – 3.309
  • Venezuela – 3.160
  • Cuba – 1.722
  • Estados Unidos – 1.557
  • Peru – 1.509
  • Argentina – 1.506
  • China – 1.452
  • Japão – 1.108

A distribuição geográfica dos imigrantes também revela particularidades. Campinas, por exemplo, concentra o maior número de colombianos (2.789). Americana e Indaiatuba registram forte presença boliviana, enquanto Sumaré e Paulínia têm os haitianos como principal grupo. Artur Nogueira, Valinhos e Vinhedo apresentam predominância de venezuelanos. Em Morungaba, a comunidade afegã se destaca com 697 registros, e Holambra mantém os holandeses como o grupo estrangeiro mais numeroso. Curiosamente, 25 nacionalidades tiveram apenas uma emissão de CPF desde 2005, com 18 delas concentradas na metrópole de Campinas, incluindo representantes de lugares como Barbados, Brunei e Mônaco.

Acolhimento e o Papel da Legislação Brasileira

O professor de Direito Internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, explica que o aumento na emissão de CPF para estrangeiros é um reflexo direto da legislação brasileira, que facilita a regularização migratória. O Brasil possui um arcabouço legal progressista, a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), que substituiu o antigo Estatuto do Estrangeiro e prioriza os direitos humanos e a acolhida. Essa legislação permite que migrantes regularizem sua situação no país, oferecendo segurança jurídica e acesso a serviços essenciais.

A presença de associações e iniciativas de apoio é fundamental para a integração desses novos moradores. Guerby Sainte, doutorando na Unicamp, lidera uma associação que atua ativamente no acolhimento e na integração de imigrantes haitianos na região de Campinas. Parte desse trabalho inclui a oferta de aulas de português, um passo crucial para a adaptação cultural e profissional dos recém-chegados, como ilustrado em atividades de aprendizado e interação.

Desafios da Integração e Políticas Públicas

Apesar do crescimento no número de imigrantes, o professor Vedovato pondera que o Brasil ainda possui uma população migrante proporcionalmente baixa, girando em torno de 1% a 1,5% do total, quando comparado a outros países. No entanto, o desafio reside na coordenação de políticas públicas. A concentração de migrantes em determinadas áreas pode gerar pressão sobre os serviços municipais e estaduais, como saúde, educação e moradia.

Para Vedovato, é essencial que haja uma estrutura de governança eficaz entre os entes federativos (municípios, estados e União) para garantir que as políticas de acolhimento e integração sejam bem coordenadas e sustentáveis. Isso assegura que o crescimento da população estrangeira seja acompanhado de um planejamento adequado, transformando a diversidade em um motor de desenvolvimento social e econômico para a região.

Acompanhar a evolução dos fluxos migratórios e as políticas de integração é fundamental para entender a dinâmica social e econômica da região de Campinas. O Portal Bairro do Ipiranga SP continua comprometido em trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre este e outros temas que impactam a vida dos cidadãos, oferecendo uma leitura aprofundada e de qualidade.

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