PUBLICIDADE

Campanha global pressiona Fifa por Copa do Mundo sem patrocínio de refrigerantes

Campanha global 'Tirem o Refrigerante de Campo' mobiliza mais de 700 mil pessoas para exigir da Fifa o fim do patrocínio de bebidas açucaradas na Copa.
Campanha global pressiona Fifa por Copa do Mundo sem patrocínio de refrigerantes

Com o encerramento da Copa do Mundo se aproximando, um movimento global ganha força para que o próximo torneio seja o último a exibir patrocínios de fabricantes de bebidas açucaradas. A iniciativa, batizada de Tirem o Refrigerante de Campo, mobiliza ativistas e organizações da sociedade civil em uma pressão direta à Federação Internacional de Futebol (Fifa) para que reavalie seus contratos de patrocínio, especialmente com marcas como a Coca-Cola, tradicional parceira da entidade.

O cerne da campanha reside na preocupação com a saúde pública, dada a inegável ligação entre o consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, e o aumento de condições como obesidade, diabetes tipo 2 e diversas doenças cardiovasculares. O apelo transcende fronteiras, unindo esforços de mais de 100 organizações de diferentes países, com destaque para as áreas de saúde, meio ambiente e defesa dos direitos da infância.

A pressão global por uma Copa mais saudável

A campanha Tirem o Refrigerante de Campo não é um esforço isolado. Ela representa a voz de um coletivo robusto que inclui oito organizações brasileiras de peso, como o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável. Essas entidades sublinham a urgência de desassociar o esporte, que por natureza promove a atividade física e o bem-estar, de produtos que comprovadamente contribuem para problemas de saúde.

Dados apresentados pela campanha reforçam a gravidade do cenário: para cada aumento de 250 mililitros (ml) na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce 12%, o de diabetes tipo 2 sobe 19%, e a mortalidade por causas cardiovasculares aumenta 13%. O risco de mortalidade por todas as causas, por sua vez, eleva-se em 5%. A preocupação é ainda maior quando se trata de crianças e adolescentes, para quem um único refrigerante de 355 ml já pode exceder a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres.

Riscos à saúde e o conceito de sportswashing

A mobilização resultou no envio de uma carta aberta ao presidente da Fifa, o suíço-italiano Giovanni Infantino, que até a tarde da última terça-feira (14) já contava com o apoio de cerca de 720 mil pessoas, conforme o site da campanha. No documento, as entidades expressam profunda preocupação com o que classificam como sportswashing.

Esse conceito, que pode ser traduzido como “maquiagem esportiva”, descreve a prática de marcas de refrigerante em associar seus produtos a esportes e à ideia de bem-estar, mascarando os impactos negativos na saúde. A carta é incisiva ao afirmar que, durante a Copa de 2026, “até 6 bilhões de torcedores – muitos deles crianças – verão campanhas publicitárias que associam as maiores estrelas do futebol a bebidas açucaradas ligadas à obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças relacionadas à alimentação”.

Renata Couto, diretora executiva do Instituto Desiderata, destaca o impacto dessa publicidade em públicos jovens. “Sabemos que é uma estratégia de marketing muito eficiente para fidelizar esses públicos desde cedo, podendo moldar um comportamento de consumo alimentar que não é saudável e vai gerar impacto na saúde a curto, médio e longo prazos”, explica. A campanha argumenta que “o futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”, exigindo uma postura ética da Fifa.

O precedente do tabaco e o futuro dos patrocínios esportivos

A campanha lembra que a indústria do tabaco enfrentou uma pressão semelhante no passado, o que a levou a ser gradualmente excluída como patrocinadora de grandes eventos esportivos. Um exemplo notório é a Fórmula 1, que nas décadas de 1990 e 2000, viu as companhias de tabaco perderem o protagonismo que antes detinham entre os patrocinadores. Esse histórico serve como um forte argumento para a possibilidade de uma mudança de paradigma também na relação entre a Fifa e as empresas de bebidas açucaradas.

A Agência Brasil, responsável pela reportagem original, buscou um posicionamento da Fifa sobre o assunto, mas não obteve retorno até a conclusão da matéria. A ausência de manifestação da entidade máxima do futebol mantém em aberto o debate sobre a responsabilidade social e de saúde pública em seus acordos comerciais.

O debate ampliado sobre publicidade em grandes eventos

A polêmica em torno da publicidade de bebidas açucaradas na Copa do Mundo não é um caso isolado no cenário atual dos grandes eventos esportivos. A proliferação de anúncios de plataformas digitais de aposta, as chamadas bets, também tem gerado críticas significativas da sociedade civil e de autoridades. No Brasil, por exemplo, portarias ministeriais recentes, datadas de 10 de julho, estabeleceram uma série de restrições para esse tipo de publicidade.

Entre as novas regras, estão a obrigatoriedade de alertas como “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” e “Aposta não é investimento”. Essa regulamentação reflete uma crescente preocupação com os impactos sociais e de saúde pública que certas formas de publicidade podem acarretar, indicando uma tendência de maior escrutínio sobre os patrocínios em eventos de grande visibilidade. A discussão sobre os refrigerantes na Copa do Mundo se insere, portanto, em um contexto mais amplo de reavaliação dos limites e das responsabilidades da publicidade no esporte.

Para se manter atualizado sobre este e outros debates importantes que impactam o dia a dia e a saúde da comunidade, continue acompanhando o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é trazer informação relevante, contextualizada e de qualidade, abordando temas que vão desde a saúde pública até as notícias que moldam o cenário global e nacional.

Leia mais

Acesse nosso Perfil

PUBLICIDADE