A prévia da inflação oficial do país apresentou uma desaceleração expressiva no décimo mês do ano, registrando alta de 0,32% em outubro. O indicador veio bem abaixo do patamar observado no mês anterior, quando a variação havia alcançado 0,7%, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da trégua mensal, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) elevou o acumulado em 12 meses para 4,62%. Esse patamar permanece ligeiramente acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que tolera uma variação de até 4,5% ao ano. Em setembro, o acumulado no mesmo período estava em 4,47%, enquanto em outubro de 2025 o índice havia registrado 0,18%.
Comportamento dos grupos e o impacto nos alimentos
O principal motor de pressão sobre o índice geral veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88% e gerou um impacto expressivo de 0,19 ponto percentual no resultado de outubro. Dentro desse segmento, a alimentação consumida no domicílio disparou 1,01%, acelerando fortemente em relação ao mês anterior.
Entre os itens que mais pesaram no orçamento das famílias brasileiras destacam-se o tomate, com salto expressivo de 24,54%, seguido pela cebola (13,63%), pela batata-inglesa (10,96%) e pelo arroz (5,80%). Por outro lado, o movimento de baixa foi liderado pela cenoura, cujos preços recuaram 10,67%, além de quedas pontuais em frutas e no café moído.
Transportes e energia elétrica movimentam o cenário
O setor de transportes também registrou pressão altista, puxada principalmente pelo avanço de 1,2% nos combustíveis. O óleo diesel, o etanol e a gasolina acumularam altas no período, enquanto o gás veicular apresentou leve recuo. Em contrapartida, as passagens aéreas funcionaram como um importante amortecedor, barateando em média 9,24% e registrando a principal contribuição negativa para o índice geral.
No setor de habitação, que foi o único grupo a apresentar retração global de 0,10%, o destaque ficou por conta da queda no custo da energia elétrica residencial. O recuo foi reflexo direto da mudança na bandeira tarifária, que passou da cor amarela para a bandeira verde, eliminando a cobrança adicional nas contas de luz dos consumidores.
Metodologia e perspectivas econômicas
O IPCA-15 utiliza a mesma base metodológica do IPCA oficial, diferenciando-se essencialmente pelo período em que capta as informações e pela abrangência geográfica. O levantamento atual coletou preços diretamente nas regiões pesquisadas entre os dias 16 de setembro e 14 de outubro.
Especialistas avaliam que, embora a desaceleração mensal traga alívio imediato, o cenário exige cautela contínua diante das oscilações em itens essenciais. A divulgação do índice oficial completo consolidando o mês de outubro está marcada para o dia 12 de novembro.
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