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Ministério Público solicita perícia técnica em contrato milionário de lixo sob suspeita em Jundiaí

MP-SP pede perícia em contrato de lixo de Jundiaí após denúncias de irregularidades em dispensa de licitação milionária. Confira os detalhes.
Ministério Público solicita perícia técnica em contrato milionário de lixo sob suspeita em Jundiaí
1 de 1 MP defende perícia em contrato de lixo em Jundiaí (SP) que é alvo de denúncias de irregularidades na Justiça — Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação

Ministério Público aponta necessidade de investigação técnica

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) manifestou-se favoravelmente à realização de uma perícia técnica detalhada no contrato de limpeza urbana de Jundiaí. A medida, que visa apurar possíveis ilegalidades, surge em meio a uma ação popular que questiona a legalidade da contratação direta de um consórcio para a execução dos serviços de coleta e destinação de resíduos sólidos na cidade.

O foco da investigação gira em torno da dispensa de licitação número 036 de 2026, que resultou no contrato número 59 do mesmo ano. O acordo, firmado por um prazo de 180 dias, envolve valores que superam a marca de R$ 70 milhões. A contestação judicial, movida pelo advogado Rodrigo Vieira das Neves de Arruda, aponta que a prefeitura estaria recorrendo a sucessivas contratações emergenciais para um serviço que, por sua natureza, deveria ser objeto de concorrência pública definitiva.

Contexto da ação e questionamentos orçamentários

A denúncia detalha que o município já mantinha um contrato emergencial anterior para a mesma finalidade. Segundo o autor da ação, a nova contratação beneficia empresas que já compunham o grupo anterior, o que violaria o limite de 12 meses estabelecido pela legislação federal e por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para a manutenção de dispensas de licitação em situações de emergência.

Além da questão procedimental, o processo levanta preocupações sobre a saúde financeira do contrato. Foi identificada uma disparidade entre o valor total da contratação e a reserva orçamentária disponível. Enquanto o contrato soma mais de R$ 70 milhões, a garantia confirmada pela prefeitura seria de R$ 39.708.621,82, deixando uma lacuna de R$ 30.292.214,78 sem cobertura orçamentária comprovada. A ação também questiona a metodologia de precificação, sugerindo que a pesquisa de mercado teria se baseado exclusivamente na proposta da própria empresa vencedora.

Exigências de transparência e continuidade dos serviços

Em parecer apresentado no dia 29, o promotor de Justiça Guilherme Gottardello defendeu a concessão de medidas urgentes, mas ressaltou a necessidade de manter a coleta de resíduos para evitar um colapso sanitário. O MP solicitou que a Justiça proíba novos aditivos ou dispensas com o mesmo consórcio e exija a comprovação nominal de horas extras, que atualmente somam um repasse fixo mensal de R$ 40 mil sem detalhamento individual.

O órgão ministerial também propôs que os pagamentos futuros sejam condicionados à apresentação de relatórios de pesagem eletrônica e à reserva efetiva de verbas. Além disso, foi solicitado que o município preserve registros de GPS e rotas dos caminhões. O caso foi remetido ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) para análise complementar. Até o momento, a Prefeitura de Jundiaí informou que não foi notificada oficialmente sobre o teor da ação e que se manifestará nos prazos legais.

Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas que impactam a administração pública e o cotidiano das cidades, continue lendo o Portal Bairro do Ipiranga SP. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, com o contexto necessário para a compreensão dos fatos que moldam a nossa região.

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