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Juros altos barram crédito e investimentos da indústria, alerta CNI.

Pesquisa da CNI revela que juros elevados continuam sendo o principal obstáculo para a indústria brasileira obter crédito, afetando investimentos.
Juros altos barram crédito e investimentos da indústria, alerta CNI

A indústria brasileira enfrenta um cenário desafiador para impulsionar seu crescimento e modernização, e o principal entrave, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reside nas elevadas taxas de juros. Uma pesquisa recente, divulgada nesta sexta-feira (9), revela que o custo do dinheiro continua sendo o maior obstáculo para as empresas do setor que buscam financiamento, seja para expandir operações, investir em tecnologia ou simplesmente manter o capital de giro.

Os dados da CNI sublinham uma realidade persistente no panorama econômico nacional: mesmo com possíveis movimentos de queda da taxa básica de juros, o impacto no crédito final para as empresas ainda é lento e insuficiente. Essa dificuldade em acessar recursos financeiros a custos razoáveis afeta diretamente a capacidade de inovação, a geração de empregos e a competitividade da indústria no mercado interno e internacional, com reflexos que podem ser sentidos até mesmo em bairros como o Ipiranga, onde a atividade econômica depende da saúde do setor produtivo.

Juros Elevados: O Principal Entrave para o Financiamento

A Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, que ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, analisou as condições enfrentadas pelo setor entre fevereiro e julho do mesmo ano. O levantamento é categórico: 76% das empresas que tiveram dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo apontaram as taxas elevadas como uma das principais barreiras. Para as operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os juros foram citados por 69% dos empresários.

Embora os juros altos ainda liderem o ranking de obstáculos, a pesquisa da CNI mostra uma leve redução em sua intensidade em comparação com o ano anterior. Em 2025, as taxas eram apontadas por 80% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 71% nas de longo prazo. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, explica que “a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, evidenciando a defasagem entre a política monetária e a realidade do empresariado.

Além dos Juros: Outras Barreiras ao Financiamento

Apesar de cruciais, os juros não são os únicos desafios enfrentados pela indústria. A pesquisa da CNI detalha outras barreiras significativas que dificultam o acesso ao crédito. Em segundo lugar, logo após os juros, as exigências de garantias reais se destacam como um entrave considerável, citadas por 33,4% das empresas para operações de curto e médio prazo e por 31,5% para as de longo prazo.

A burocracia, um problema crônico no ambiente de negócios brasileiro, também foi mencionada por 13,6% dos empresários nas operações de curto e médio prazo. Já no financiamento de longo prazo, a segunda dificuldade mais citada, com 18,9% das menções, foi o prazo de carência considerado insuficiente, o que dificulta o planejamento e a execução de projetos de maior fôlego e, consequentemente, a expansão e modernização industrial.

A Busca Frustrada por Crédito e o Impacto nas Pequenas Empresas

O cenário de dificuldades se reflete diretamente na busca por crédito. Quase metade das empresas industriais, 49,9%, não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram efetivar o financiamento, enquanto 7,5% tentaram sem sucesso. Para o crédito de longo prazo, a situação é similar: 54% não buscaram financiamento, 15,5% conseguiram e 9,2% falharam.

É importante notar que a taxa de frustração entre as empresas que efetivamente buscaram crédito aumentou em relação a 2025, passando de 20% para 24,7% no curto/médio prazo e de 33% para 37,2% no longo prazo. As pequenas empresas, que representam uma parcela vital da economia, foram as mais afetadas, com os maiores índices de insucesso. No longo prazo, por exemplo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias empresas não conseguiram obter o crédito procurado, um contraste acentuado com os 29,9% das grandes empresas, evidenciando a disparidade no acesso a recursos.

Crédito Desvirtuado: Capital de Giro em Foco

Um dado que chama a atenção na pesquisa é a utilização de linhas de crédito de longo prazo para financiar despesas do dia a dia, como capital de giro. Entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como principal finalidade. Esse percentual supera o registrado para investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e construção ou instalações (11,6%).

A CNI ressalta que esse movimento é preocupante, pois as linhas de longo prazo são tradicionalmente destinadas a investimentos estruturais, enquanto despesas correntes deveriam ser cobertas por operações de menor duração. No curto e médio prazo, a predominância do capital de giro é ainda maior, com quase 60% das empresas apontando essa finalidade, o que pode indicar uma dificuldade estrutural em gerenciar o fluxo de caixa sem recorrer a endividamento de maior prazo, comprometendo o planejamento financeiro de longo prazo.

Caminhos para Desburocratizar e Reduzir Custos

Diante desse cenário, as empresas industriais apontam caminhos para facilitar o acesso ao crédito. A redução dos custos tributários e administrativos é a medida mais desejada, escolhida por 38,4% dos entrevistados para operações de curto e médio prazo e por 31,2% para as de longo prazo. Essa demanda reflete a percepção de que a carga burocrática e fiscal encarece o crédito e dificulta a operação das empresas, impactando diretamente sua capacidade de investimento e expansão.

A melhoria do ambiente de negócios, com menos entraves e mais previsibilidade, é fundamental para que a indústria possa prosperar. O acesso a crédito mais barato e menos burocrático é um motor essencial para a retomada econômica e para garantir que o setor produtivo possa investir, inovar e gerar mais oportunidades para a população, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do país.

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